COM DETERMINAÇÃO E AMBIÇÃO NO EUROPEU 2026

Seleção Nacional viaja para Sófia de olhos postos nos oitavos

A Seleção Nacional de Seniores Masculinos viaja amanhã para Sófia, na Bulgária, onde vai cumprir a sua quarta presença consecutiva na fase final do Campeonato da Europa (EuroVolley 2026). A equipa das quinas chega à capital búlgara com o índice de confiança elevado, para o que também terão contribuído os triunfos nos recentes jogos de preparação diante da Austrália (4-0 e 3-2), realizados em Famalicão, que contaram com exibições em destaque do capitão Alexandre Ferreira e de André Pereira.

Inserido no exigente Grupo B, Portugal enfrenta uma verdadeira prova de fogo. A estreia está agendada para dia 10 de setembro, às 14h00, num duelo de exigência máxima frente à Polónia, atual campeã europeia e líder do ranking mundial. Segue-se o confronto com a anfitriã Bulgária a 11 de setembro (17h00), completando-se a fase de grupos frente a Israel (13 de setembro), Ucrânia (14 de setembro) e Macedónia do Norte (15 de setembro), todos com início às 14h00. Caso garanta a passagem aos oitavos de final, a equipa portuguesa cruzará com um opositor vindo do Grupo D (constituído por França, Alemanha, Turquia, Roménia, Letónia ou Suíça).

Consciente do nível de exigência da competição, o selecionador nacional João José assume que o objetivo principal passa por garantir o apuramento para a fase seguinte, apelando à coragem dos internacionais portugueses para disputar cada lance. Sobre o momento do coletivo, o técnico destaca que a equipa tem evoluído de forma positiva e reforça que os ensaios com a Austrália serviram para aferir “a organização coletiva e a capacidade para manter ritmos de jogo e intensidade”.

Uma evolução deliberada em relação a 2023

Mais do que uma mera continuidade em relação à campanha de 2023, na qual Portugal alcançou os oitavos de final, o grupo que agora se apresenta em Sófia reflete uma transição estrutural e deliberada.
Acho que estamos numa fase diferente comparada com 2023”, explica João José. “Na altura tínhamos um núcleo mais consolidado e com maior continuidade. Nos últimos anos, introduzimos deliberadamente jogadores mais jovens na equipa para os preparar para papéis de maior responsabilidade.”

As bases deste processo foram consolidadas ao longo da época da Liga Europeia, onde a rotação de atletas serviu um propósito estratégico. “A gestão física e a prevenção do risco de lesões fizeram certamente parte do processo de decisão”, revela o selecionador. “Ao mesmo tempo, essas opções refletiram a nossa intenção de alargar o leque de opções e dar experiência internacional relevante aos jogadores mais jovens. O objetivo era expandir as nossas alternativas e aumentar o número de atletas capazes de competir a este nível.”

O técnico faz questão de sublinhar que esta renovação progressiva não alterou os valores estruturais do grupo: “Não creio que os nossos princípios tenham mudado na sua essência, mas a nossa identidade técnica continua a evoluir à medida que estes jogadores ganham confiança ao nível internacional. Para nós, não se trata apenas de substituir jogadores, trata-se de preparar a próxima geração enquanto preservamos a cultura, os valores e os padrões competitivos que definem esta Seleção Nacional.”

João José reconhece que a integração de novos talentos num núcleo consolidado traz desafios táticos naturais, especialmente em cenários de alta pressão, e que a equipa técnica trabalhou para calibrar o ritmo de preparação. “Em algumas áreas reduzimos deliberadamente o ritmo do processo, revisitando certas etapas do nosso desenvolvimento e exigindo maior consistência antes de avançar. Ajustámos o ritmo para garantir que as bases são suficientemente sólidas para suportar o passo seguinte”, detalha.

O treinador realça também o papel crucial dos atletas mais experientes na transmissão de vivências e na exigência diária, ajudando a moldar a resiliência dos mais novos. “O próximo grande passo não é apenas evoluir técnica e taticamente, mas também desenvolver a resiliência competitiva e a maturidade que o voleibol internacional exige. Essa maturidade só se desenvolve com a experiência.”

Com um plantel reforçado na sua profundidade, a Seleção Nacional entra na arena em Sófia pronta para encarar qualquer adversário do Grupo B de igual para igual.
Em campanhas anteriores dependíamos de um núcleo mais fixo. Desta vez temos uma combinação mais equilibrada entre jogadores experientes e atletas mais jovens. Isso dá-nos maior flexibilidade e mais opções para responder aos diferentes desafios que um torneio como o EuroVolley apresenta”, justifica João José, concluindo:
Definiria este grupo como tendo uma gama mais vasta de opções competitivas, sem deixar de construir experiência para o futuro. A nossa ambição permanece rigorosamente a mesma: queremos ser competitivos em todos os jogos, com um grupo que representa, em simultâneo, o presente e o futuro.”

Portugal com caminho sólido e consistente

A Seleção Nacional de Seniores Masculinos atravessa uma das etapas mais sólidas e consistentes da sua história, destacando-se de forma muito especial no contexto continental. O grande marco desta era recente é a sua quarta participação consecutiva na fase final do Campeonato da Europa, um feito inédito que consolida Portugal no grupo das seleções habituais da elite europeia.

O percurso no EuroVolley começou muito cedo, ainda no século passado, com presenças por convite que resultaram num 4.º lugar em 1948 e num 7.º lugar em 1951. Já na era moderna, após apuramentos pontuais em 2005 (10.º lugar) e 2011 (14.º lugar), a seleção encetou a sua atual e memorável sequência de presenças consecutivas. Esta fase de afirmação iniciou-se em 2019 com o regresso às fases finais (20.º lugar) e prosseguiu em 2021, ano em que Portugal garantiu a qualificação no 1.º lugar da sua pool apenas com vitórias, terminando no 15.º posto na fase final. A evolução manteve-se ascendente em 2023, ano em que a equipa das quinas alcançou um excelente 10.º lugar na prova dividida por Itália, Macedónia do Norte, Bulgária e Israel. O ciclo culmina com o apuramento direto para a fase final de 2026, a ser disputada na Roménia, Bulgária, Finlândia e Itália, carimbando em definitivo a quarta presença consecutiva na grande festa do voleibol europeu.

Paralelamente ao sucesso europeu, o historial português conta com momentos de elevado gabarito a nível mundial. Em Campeonatos do Mundo, Portugal soma três presenças: a estreia em 1956 com um 15.º lugar, a inesquecível campanha de 2002 na Argentina com a conquista de um histórico 8.º lugar – o melhor registo de sempre –, e mais recentemente a participação em 2025 nas Filipinas, onde terminou no 16.º posto.

Nas grandes ligas globais de seleções, a representação nacional também deixou forte marca. A seleção registou catorze participações na fase intercontinental da antiga Liga Mundial, destacando-se os brilhantes 5.ºs lugares alcançados em 2005 e em 2014 (no Grupo 2). Este trajeto culminou na presença na elite mundial da Volleyball Nations League (VNL) em 2019, onde alcançou o 15.º lugar, vaga essa conquistada após a vitória na Volleyball Challenger Cup em 2018.

Por fim, o percurso na Liga Europeia e European Golden League reflete a regularidade competitiva da equipa no verão internacional. Além das participações recentes entre 2021 e 2025 (com destaque para dois 5.ºs lugares em 2022 e 2023 e um 7.º em 2025) e do 12.º lugar na Liga Europeia em 2026, a história da competição guarda momentos de glória para Portugal, incluindo a conquista do título em 2010 em Guadalajara, o 2.º lugar em 2007 e o 3.º lugar em 2009, ambos alcançados em Portimão.

Comitiva

Chefe de Delegação – Mário Oliveira
Treinador Principal – João José
Treinador Adjunto – Manuel Silva
Treinador Adjunto – Mário Martins
Scouter – Gonçalo Arezes
Médico – Ricardo Aido
Fisioterapeuta – Hélder Vasco
Preparador Físico – Miguel Vieira
Media – Murilo Augusto

Atletas convocados*

1 – Diogo Fevereiro (SL Benfica) – Distribuidor
2 – Kelton Tavares (Sporting CP) – Central
4 – Filip Cveticanin  (SCM Zalau/Roménia) – Central
5 – Gonçalo Gomes (Vitória SC) – Libero
6 – Alexandre Ferreira (Tokyo Great Bears/Japão) – Zona 4/Oposto
7 – Guilherme Menezes (SC Espinho) – Central
8 – Manuel Figueiredo (Volley Nafaels/Suíça) – Zona 4
10 – Gonçalo Sousa (Sporting CP) – Libero
12 – Lourenço Martins (Sporting CP) – Zona 4
14 – Rodrigo Costa (Castêlo da Maia GC)
16 – Tomás Teixeira (SL Benfica) – Zona 4
17 – Bruno Dias (Tourcoing VB/França) – Distribuidor
21 – André Pereira (Martigues VB/França) – Zona 4
22 – Nuno Teixeira (Vitória SC) – Central
*Clube em 2025/2026

Mais informações AQUI

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