CUMPLICIDADE GÉMEA NA SELEÇÃO

O ambiente no balneário em Baku é uma mistura eletrizante de nervosismo e foco. A Seleção Nacional de Seniores Femininos estreia-se hoje (16h00 / RTP 2, RTP Play) no EuroVolley 2026 frente à equipa da casa, o Azerbaijão, sob a orientação estratégica do selecionador Hugo Silva. Curiosamente, entre as dinâmicas de um grupo focado em fazer história, há uma cumplicidade única que salta à vista. Duas jovens de 20 anos, titulares no SL Benfica e na Seleção Nacional, partilham muito mais do que a mesma camisola e a mesma paixão pelo voleibol: partilham o mesmo ADN.

Mariana e Joana Garcez completam a frase uma da outra antes mesmo de a bola subir no pavilhão. Quando questionadas sobre como tudo começou aos sete anos, as memórias entrelaçam-se de forma natural.

«Eu sempre disse ao meu pai que queria fazer um desporto e tínhamos o Cascais Volley For All mesmo ao pé de casa. Gostei tanto no início que acabei por puxar a Joana», recorda Mariana, a distribuidora da equipa. A irmã gémea, central de posição, sorri e confirma com um aceno sincero: «Foi mais o nosso pai a empurrar-nos, mas a Mariana gostou primeiro e eu fui atrás. Ali nasceu uma paixão gigante que nos trouxe até aqui, juntas, passados todos estes anos.»

Em campo, essa ligação umbilical transforma-se numa vantagem tática avassaladora, embora não isenta de exigência. Mariana orquestra o ataque, e a telepatia com a irmã é evidente, ainda que mantenha a cabeça fria. «Entendemo-nos muito bem, mas também há o outro lado: eu cobro muito dela e ela de mim. Distribuo o jogo por quem está bem e a pontuar; se for ela, perfeito, se não for, vou gerindo o jogo com as outras jogadoras. Mas se a Joana vê algo de errado no meu passe ou no bloco, ajuda-me imenso a corrigir o que não consigo ver.»

Para Joana, ter a irmã como distribuidora é ter uma garantia de sucesso e um suporte emocional insubstituível nas longas viagens longe de casa. «Sinto que a maior parte das vezes vou pontuar pela ligação que temos dentro e fora de campo. Sei que posso contar sempre com ela. Desde os sub-18 nas seleções que passamos por todas as dificuldades juntas; se uma vacilava, a outra puxava.»

A cumplicidade atinge o auge quando se descrevem em campo. Mariana define a irmã com uma energia contagiante: «Ela tem muita força e garra, é como um cavalo selvagem – e eu também!» Joana devolve o elogio com um carinho que só uma alma gémea consegue expressar: «A Mariana é um verdadeiro porto seguro. A palavra que a define em campo é versátil.»

Se o ponto decisivo deste Europeu vier de um passe perfeito de Mariana para um remate fulminante de Joana, a história já está escrita nas suas mentes. «Seria incrível, um sonho tornado realidade num palco desta dimensão», confessa Joana. Mariana arremata com um brilho no olhar: «Ficaria tão orgulhosa dela, de nós e da equipa. Seria, simplesmente, perfeito.»

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