Portugal defronta amanhã (14h00/RTP 2/RTP Play) a Ucrânia no jogo mais importante do EuroVolley.
A Seleção Nacional de Seniores Masculinos somou hoje uma amarga derrota por 2-3 (25-19, 20-25, 25-20, 22-25 e 7-15) frente a Israel na Pool B do Campeonato da Europa, complicando as contas da qualificação para a fase seguinte. Apesar de ter somado um ponto, a equipa das quinas deixou fugir a vitória num tie-break decisivo, focando agora as atenções no decisivo embate de amanhã frente à Ucrânia – atual líder invicta do grupo com três vitórias e que vem de um triunfo sobre a Bulgária –, antes do fecho da fase de grupos na terça-feira perante a Macedónia do Norte. Apesar de Portugal ter apresentado vantagem estatística na execução de ataques (51% contra 47%), blocos (10 contra 5) e recepções (60% contra 45%), os erros não forçados acabaram por impedir um resultado positivo e que abriria grandes perspectivas.
Com este resultado inglório, Portugal já não depende só de si, como continuaria a acontecer se tivesse vencido Israel. Frente aos ucranianos e aos macedónios só a vitória interessa e por 3-0 ou 3-1… Se assim não for, os triunfos podem não chegar, dependendo do último jogo (quarta-feira) da Pool B, que opõe Israel à Macedónia do Norte.
Hoje, e após um primeiro set em que esteve irrepreensível e dominou completamente, tanto técnica como taticamente, o seu adversário, Portugal foi deixando os resilientes israelitas crescerem e começarem a acreditar que era possível continuarem a sonhar com os oitavos-de-final.
Portugal x Israel, 2-3 (25-19, 20-25, 25-20, 22-25 e 7-15)
O primeiro set não teve muita história. Portugal conhece bem a forma de jogar de Israel e sabe que a ação ofensiva do seu adversária está alicerçada em dois pilares, Shay Liberman, 1,98 metros, de origem brasileira, e Mark Rura, de 2,06 metros de altura, velhos conhecidos dos portugueses, embora não pelas melhores razões, dado o número de pontos que costumam faturar por jogo.
Com a lição bem estudada e com uma determinação motivada pelas exibições recentes frente a potências como Polónia, a campeã europeia em título, e a Bulgária, vice-campeã mundial, a Seleção Nacional procurou anular as duas torres ofensivas israelitas. Conseguiu-o, sobretudo com o perigoso Mark Rura, que mesmo assim conseguiu 5 pontos neste parcial.
Com boa recepção e jogo ofensivo fluído, a equipa orientada por João José somou vários pontos no ataque pela zona central, onde pontificou Kelton Tavares, com 6 pontos (tantos quantos Alexandre Ferreira), distribuídos por 3 ataques, 2 blocos e 1 serviço.
Com uma vantagem substancial (21-14), coube ao capitão Alexandre Reis selar o resultado em 25-19.
O segundo set foi bem mais nivelado, com igualdades constantes (5-5, 8-8, 14-14) ao longo do tempo. Embora Portugal continuasse a exibir-se a bom nível, os israelitas, que já tinham conseguido reorganizar-se defensivamente, contavam agora com um Mark Rura em pleno nas ações ofensivas.
Pelo contrário, Portugal, que tinha estado tão bem nesse capítulo, começou a perder poder de fogo e viu o seu adversário distanciar-se perigosamente (16-20).
Um bloco de Filip Cveticanin ainda deu esperanças a Portugal (20-23), mas um ataque à linha de Iliya Goldrin e um serviço de Mark Rura sentenciaram o triunfo dos israelitas; 25-20.
Os israelitas continuaram a querer liderar a marcha do marcador (3-2), mas uma recuperação impulsionada por dois blocos de Cveticanin, o rei dos blocos no campeonato romeno, colocaram Portugal no comando das operações (10-6).
Bem capitaneada por Alex Ferreira, daí até ao final do parcial, a equipa das quinas nunca mais perdeu a liderança e, apesar da natural reação do adversário, mostrou-se sempre mais competente e fixou a vitória em 25-20 com um serviço de Bruno Dias.
Com Alexandre Ferreira imparável no ataque e Filip Cveticanin intransponível no bloco, no set anterior, Portugal procurou aproveitar o bom momento no quarto set. Consciente de que jogava o tudo por tudo, Israel pressionou logo desde o início no quarto set (4-2).
Portugal reagiu bem (6-6), com mais um bloco de Cveticanin, mas voltou a deixar fugir a oportunidade de saltar para a liderança.
Um ponto de Kelton Tavares reaproximou Portugal (9-11), que acabou por conseguir a igualdade aos 18 pontos, num ataque de André Pereira.
Nova pressão ofensiva dos israelitas, com o seu serviço a criar dificuldades ao ataque luso (18-21).
Alex Ferreira puxou dos galões de capitão e, com dois ataque, ainda aproximou Portugal (20-21) na reta final do set, mas Israel logrou o triunfo por 25-22, com um ataque de Shay Liberman.
No quinto e decisivo set, Israel entrou bem melhor do que Portugal (3-0), com um ataque de Mark Rura. Portugal procurou reagir, mas mostrou-se perdulário nas ações ofensivas e Israel aproveitou para se afastar ainda mais com dois ataques de Iliya Goldrin e um bloco de Mark Rura (8-2). O possante israelita ainda faria, com um toque subtil, o 11-2, para logo de seguida Israel fechar o triunfo no jogo com mais um serviço falhado por Portugal: 15-7.
Os israelitas Mark Rura e Shay Liberman, respetivamente com 23 e 21 pontos, foram os melhores pontuadores do jogo, enquanto Alexandre Ferreira, com 20 (18 ataques, 1 serviço e 1 bloco) e Kelton Tavares, com 16 pontos (12 ataques, 2 serviços e 2 blocos) foram os portugueses mais concretizadores. Ver estatística AQUI
No plano tático, o Selecionador Nacional assumiu a perda do controlo exclusivo sobre a matemática do grupo, apontando baterias para a recuperação física e mental da comitiva.
João José explicou que o colapso no quinto set resultou da capacidade defensiva israelita e de falhas na ponta final do encontro, nomeadamente numa transição de side-out teoricamente acessível.
Rejeitando transportar o peso da derrota para a jornada seguinte, o selecionador deu a receita para o confronto de amanhã:
“Temos de levar aquilo que trabalhámos bem hoje para de alguma forma conseguirmos ter a oportunidade ainda de lutar pelo objetivo”
Sobre a Ucrânia, João José não poupou nos elogios, definindo-a como “uma das favoritas deste grupo e candidata a chegar a uma final ou meia-final”.
Por seu lado, o líbero Gonçalo Sousa lamentou o desfecho após uma entrada convincente no encontro. O atleta explicou que a equipa rubricou “um primeiro set em que fez quase tudo bem”, mas admitiu que no último parcial a seleção devia ter mostrado algo mais em campo.
Olhando para a margem de crescimento da equipa, Gonçalo Sousa encarou o desaire como uma oportunidade de aprendizagem coletiva e mostrou-se confiante na capacidade de superação frente aos ucranianos, recordando vitórias passadas perante favoritos teóricos: “Já o provámos noutras alturas, que ganhámos a seleções muito superiores a nós na teoria, e temos de nos agarrar um bocado a isso”.
Analisando a exibição, o distribuidor Bruno Dias destacou a qualidade do oponente e a postura da equipa lusa nos primeiros quatro parciais. O jogador reconheceu que a quebra no quinto set dificultou a gestão da tabela, mas garantiu que o apuramento continua no horizonte. Relativamente à pressão da reta final e à capacidade defensiva de Israel, Dias sublinhou o mérito do adversário, lembrando que o balanço ainda é em aberto e assegurando que Portugal vai “fazer tudo o que tem ao alcance para conseguir o apuramento”.
Perspetivando o duelo com os ucranianos, o distribuidor elogiou o potencial do próximo opositor, vincando que a Seleção Nacional vai “jogar olhos nos olhos, como tem vindo a fazer”.
O EuroVolley 2026 está a decorrer, até 29 de setembro, na Bulgária, Finlândia, Itália e Roménia. A estreia de Portugal aconteceu frente ao adversário mais duro da Pool B: a Polónia, atual campeã europeia, líder do ranking mundial e vencedora da Liga das Nações.
A arbitragem portuguesa está representada no EuroVolley 2026 por Vítor Gonçalves (AV Porto).
Comitiva
Chefe de Delegação – Mário Oliveira
Treinador Principal – João José
Treinador Adjunto – Manuel Silva
Treinador Adjunto – Mário Martins
Scouter – Gonçalo Arezes
Médico – Ricardo Aido
Fisioterapeuta – Hélder Vasco
Preparador Físico – Miguel Vieira
Media – Murilo Augusto
Atletas convocados*
1 – Diogo Fevereiro (SL Benfica) – Distribuidor
2 – Kelton Tavares (Sporting CP) – Central
4 – Filip Cveticanin (SCM Zalau/Roménia) – Central
5 – Gonçalo Gomes (Vitória SC) – Libero
6 – Alexandre Ferreira (Tokyo Great Bears/Japão) – Zona 4/Oposto
7 – Guilherme Menezes (SC Espinho) – Central
8 – Manuel Figueiredo (Volley Nafaels/Suíça) – Zona 4
10 – Gonçalo Sousa (Sporting CP) – Libero
12 – Lourenço Martins (Sporting CP) – Zona 4
14 – Rodrigo Costa (Castêlo da Maia GC)
16 – Tomás Teixeira (SL Benfica) – Zona 4
17 – Bruno Dias (Tourcoing VB/França) – Distribuidor
21 – André Pereira (Martigues VB/França) – Zona 4
22 – Nuno Teixeira (Vitória SC) – Central
*Clube em 2025/2026
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