LIGA EUROPEIA: PORTUGUESES ESTREIAM-SE NA DINAMARCA

A Seleção Nacional de Seniores Masculinos estreia-se na Liga Europeia de 2026 no Torneio 6, onde defrontará a Dinamarca e Islândia na cidade dinamarquesa de Odense, entre 5 e 7 de junho. Aos 22 anos, Bruno Dias, o distribuidor formado em Esmoriz assume a batuta da Seleção Nacional na Liga Europeia. Após brilhar em Itália e França, o cérebro da nova geração lusa recusa o rótulo de promessa e aponta ao sonho olímpico: “A competência não tem idade“.

No voleibol, o distribuidor é o equivalente ao quarterback ou ao camisola 10. É por ele que passa toda a estratégia, o ritmo e a alma da equipa. Com as ausências de referências como Miguel Tavares e Tiago Violas na convocatória para a Liga Europeia 2026, os holofotes viram-se para Bruno Dias. Mas quem espera ver um jovem intimidado pela responsabilidade, desengane-se. O jogador natural de Esmoriz, que já conta com passagens de sucesso por ligas do Top 5 mundial, está pronto para ser o presente da equipa das quinas.

Crescer em Esmoriz é crescer com o som da bola a bater no pavilhão. “Lá vive-se o voleibol de forma especial. A competitividade e a entrega moldaram a minha forma de estar”, confessa Bruno. Essa base sólida permitiu-lhe queimar etapas. Enquanto muitos jovens ainda se adaptam à senioridade, Bruno Dias já estudava padrões táticos como um veterano.

“A melhor forma de reduzir a falta de experiência é através do trabalho. Sempre senti que precisava de treinar mais e estudar mais os adversários. Esse trabalho de preparação permite que, durante o jogo, as decisões pareçam naturais”, explica o distribuidor, que faz da vertente estratégica o seu maior trunfo.

A afirmação internacional de Bruno não aconteceu por acaso. A passagem pelo colosso italiano Piacenza e a consolidação na liga francesa (Nice e Tourcoing) deram-lhe a bagagem necessária. Em Itália, aprendeu o “rigor técnico levado ao detalhe máximo”; em França, desenvolveu a “paciência e gestão emocional” para lidar com as trocas de bola longas.

Vários prémios de MVP depois, o português sente-se confortável no papel de líder, mas mantém a humildade: “Um distribuidor depende da dinâmica da equipa. A minha função é precisamente fazer os atacantes brilharem”.

Dentro de campo, Bruno Dias foge ao estereótipo do distribuidor passivo. Define-se como “agressivo e imprevisível”, capaz de somar pontos no bloco, no serviço e até no ataque de segundo toque. “Quando os adversários têm de estar atentos ao meu ataque, os nossos atacantes ganham mais espaço”, analisa.

Esta maturidade foi forjada também em momentos de superação pessoal. A sua estreia a titular pela Seleção, em 2023, ficou marcada por uma carga emocional gigante: o seu avô falecera poucas horas antes. “Queria homenageá-lo. Sabia o orgulho que ele tinha no meu percurso”, recorda sobre o jogo frente à Dinamarca, onde, com apenas 19 anos, surpreendeu tudo e todos ao contabilizar 8 pontos (4 ataques, 2 blocos e 2 serviços) – um registo invulgar para a sua posição de distribuidor.

Com a Liga Europeia e o EuroVolley no horizonte, Bruno encara o papel de “maestro titular” com naturalidade. Para ele, o rótulo de “jovem promessa” faz parte do passado. “Quero afirmar-me como uma certeza. A nossa responsabilidade é dar continuidade ao trabalho das gerações anteriores e tentar acrescentar algo mais”.

A liderar jogadores mais velhos, o discurso é pragmático: “A competência não tem idade”. E se o objetivo imediato é brilhar nos maiores campeonatos da Europa (Polónia ou Itália estão no radar), o sonho maior está traçado a ouro: “O meu maior sonho é o apuramento para os Jogos Olímpicos. Temos de ter a ambição de conquistar algo novo”. Com Bruno Dias ao comando, Portugal tem os dedos no comando do jogo.

Seleção renovada e de olhos postos no EuroVolley 2028

A Seleção Nacional de Seniores Masculinos, que viaja amanhã para a Dinamarca, regressa às competições com o foco total na reformulada Liga Europeia de 2026. O grupo de trabalho orientado pelo Selecionador Nacional João José preparou-se em Viana do Castelo, marcando o arranque de uma campanha que se reveste de uma importância histórica para o voleibol luso. Ver

A edição deste ano da prova traz novidades significativas após a reestruturação da Confederação Europeia de Voleibol (CEV) em 2025. O modelo de competição foi simplificado e tornou-se mais direto: os quatro melhores classificados da fase regular avançam para as meias finais, que serão disputadas num sistema de eliminatórias em casa e fora, eliminando-se o jogo de atribuição da medalha de bronze. O grande atrativo desta edição é o facto de os quatro primeiros classificados garantirem o apuramento direto para o Campeonato da Europa de 2028.

Para o selecionador João José, o objetivo é claro: “Queremos alcançar as meias-finais, pois esse patamar permite-nos lutar por um lugar entre os quatro primeiros. Além disso, cada resultado é fundamental para o ranking que definirá as seleções presentes no próximo Campeonato do Mundo“.

Nuno Marques, uma das figuras da equipa, sublinha que a integração de jovens talentos é o caminho certo para encurtar a distância para as potências mundiais. O jogador encara a pressão de forma positiva, acreditando que o núcleo atual tem capacidade para elevar o nível competitivo de Portugal.

A caminhada na fase de grupos começa na Dinamarca, de 5 a 7 de junho, frente à seleção anfitriã e à Islândia. Segue-se o momento mais aguardado em solo nacional, com Matosinhos a acolher o segundo torneio entre 12 e 14 de junho, onde Portugal defrontará a Letónia e Montenegro no Centro de Desportos e Congressos. A fase regular termina no Azerbaijão, de 19 a 21 de junho, frente aos locais e à Hungria.

Caso Portugal confirme o favoritismo e termine no top 4, as meias-finais disputam-se entre 27 de junho e 1 de julho, com a final a duas mãos agendada para o período de 8 a 12 de julho. Esta competição servirá também de barómetro e preparação para o Campeonato da Europa de 2026, que terá lugar em setembro, onde Portugal terá pela frente adversários de peso como a Polónia e a Bulgária.

Calendário – Fase de Grupos
.Torneio 6 (Dinamarca): 5-7 de junho versus Dinamarca e Islândia.
. Torneio 15 (Matosinhos): 12-14 de junho vs Letónia e Montenegro.
.Torneio 24 (Azerbaijão): 19-21 de junho vs Azerbaijão e Hungria.

A Liga Europeia servirá ainda de preparação para o Campeonato da Europa de 2026, a disputar de 15 de Setembro a 15 de Outubro em Itália, Bulgária, Finlândia e Roménia. Portugal defrontará a Polónia, a Bulgária, Israel, Macedónia e Ucrânia na Bulgária.

Jogos em directo na Sport TV

Os 14 convocados para a Liga Europeia*

Zonas 4
André Pereira (Martigues VB/França)
Nuno Marques (Lindemans Aalst/Bélgica)
Miguel Cunha (Vitória SC)
Manuel Figueiredo (Volley Nafaels/Suíça)

Opostos
Z4/Oposto: Alexandre Ferreira (Tokyo Great Bears/Japão)
Rodrigo Costa (Castêlo da Maia GC)

Distribuidores
Bruno Dias (Tourcoing VB/França)
Diogo Almeida (AA S. Mamede)

Centrais
Guilherme Menezes (SC Espinho)
Filip Cveticanin  (SCM Zalau/Roménia)
Kelton Tavares (Sporting CP)
Nuno Teixeira (Vitória SC)

Liberos
Gonçalo Sousa (Sporting CP)
Gonçalo Gomes (Vitória SC)

Team Manager – Mário Oliveira
Treinador Principal – João José
Treinador Adjunto – Manuel Silva
Treinador Adjunto – Mário Martins
Scouter – Gonçalo Arezes
Médico – Mário Silva
Fisioterapeuta – Hélder Vasco
*Clube em 2025/2026

Acreditação dos órgãos de Comunicação Social para Matosinhos disponível AQUI

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