MARTA E JOANA: “QUERER E AMBIÇÃO SÃO ARMAS DA NOSSA SELECÇÃO”


Fotos:
Tiago Machado/Matosinhos Sport

Marta Hurst (zona 4) e Joana Resende (libero). As suas posições no campo parecem, à primeira vista, quase antagónicas: uma é ofensiva, utilizando como armas principais quer o ataque quer o serviço; a outra é defensiva, sendo o elemento fulcral da equipa tanto na recepção como na defesa.
Contudo, no Voleibol, as suas acções no terreno do jogo acabam por se complementar, contribuindo para um fio de jogo mais fluído e consistente.

Marta Hurst, de 28 anos, é zona 4 e representa as espanholas do Osacc Haro Rioja Vóley.
Para além deste clube, que falhou por pouco os quartos-de-final da Liga Iberdrola, a internacional portuguesa representou já além-fronteiras as equipas do Geovillage Hermaea Olbia (Itália) e do Sanaya Libby’s La Laguna e Barça CVB (Espanha). Em Portugal, representou o CA Trofa, GDC Gueifães, Rosário Vólei e Porto Vólei 2014, de onde se transferiu para Espanha.

A atacante, várias vezes a melhor pontuadora nos jogos da Liga Iberdrola, já tirou o azimute à Pool B de qualificação para o Campeonato de Europa 2021 de Seniores Femininos, cujo 1.º Torneio será disputado nos dias 7 a 9 de Maio no Centro de Desportos e Congressos de Matosinhos.

Esta pool deveria de ter sido disputada em 2020, portanto o estudo que foi feito das selecções para esse momento competitivo teve que ser adaptado. Podemos jogar contra as jogadoras que estariam nessa convocatória, como podem aparecer jogadoras totalmente distintas. Com a pandemia muitos campeonatos sofreram paragens, e isso pode ter condicionado o rendimento das atletas. Ainda assim, penso que a Suécia poderá ser a equipa com o jogo mais organizado e rápido, tendo como referência uma oposta que joga num dos melhores clubes do mundo. A Ucrânia apresenta sempre uma selecção muito alta e forte no ataque. Para contrariar o jogo rápido e condicionar o potencial alcance das atacantes, temos que servir de maneira agressiva e ser extremamente rigorosas no nosso sistema de bloco/defesa. Se conseguirmos defender consistentemente, vamos acabar por criar boas condições para fecharmos o ponto no contra-ataque”, salienta, apontando em direcção à meta traçada:
O objectivo principal é sempre o apuramento. Este ano, com um grupo renovado de atletas, considero que um dos nossos objectivos adicionais seja definir o sistema de jogo. Temos muitas atletas que estão no início do seu percurso internacional a nível sénior, logo será importante aproveitar a competição para consolidar as dinâmicas de um novo grupo de trabalho”.

E como por vezes há males que vêm por bem
Apesar da pandemia ser uma situação cansativa e por vezes frustrante, a realidade é que enquanto desportistas temos a sorte de poder continuar a fazer o que mais gostamos da maneira mais segura possível. Ao estarmos neste contexto há mais de um ano, já estamos familiarizados com os protocolos de segurança necessários, o que nos permite ter as rotinas bem assimiladas e manter a segurança de todos os intervenientes. Foi sem dúvida uma época cansativa e temos pouco tempo de preparação até à competição. A junção destes dois factores poderia ser algo prejudicial, mas na verdade provocou uma reacção muito positiva no grupo.
Estamos a criar uma forma de estar bastante intensa no treino, quer a nível de ritmo como a nível de concentração. Tenho a certeza que mantendo o nosso rendimento estável, essa intensidade nos vai permitir forçar mais vezes o erro do adversário. Penso ser importante agarrar esta sensação de gratidão, pois muitas pessoas perderam muito neste último ano, e nós temos uma oportunidade única de continuar a treinar e a competir”.

O facto de a Pool começar a ser disputada no nosso País poderá ajudar a fortalecer esse espírito de união e conquista.
Poder representar Portugal «em casa» é sempre uma oportunidade única. Este ano, com todos os constrangimentos provocados pela pandemia, será um contexto certamente diferente, mas com o orgulho de sempre. Assim sendo, penso que a grande mais-valia de começar a competir em Portugal será evitar as viagens. Normalmente são momentos mais cansativos, e este ano serão também momentos de stress adicional, devido aos riscos associados à COVID-19”.

Joana Resende, de 30 anos, é libero da AJM/FC Porto, clube ao serviço do qual se sagrou esta época campeã nacional. Tendo jogado sempre em Portugal, o seu percurso desportivo passou por clubes como Leixões SC, GDC Gueifães, Rosário Vólei, Porto Vólei 2014 e AVC Famalicão antes de chegar ao clube azul-e-branco.

Apesar de não termos o nosso público nas bancadas devido a pandemia, começar a jogar em casa e no pavilhão onde iremos realizar mais treinos e estar mais adaptadas poderá ser uma vantagem, para além das outras seleções terem de viajar e lidar com o desgaste associado a deslocação. E sempre bom começar a jogar em casa”, destaca Joana, adiantando:
“O nosso objectivo é ficar nos dois lugares que permitem o acesso ao Campeonato de Europa. Sabemos que o grupo não é fácil e que teremos de ser muito competentes para alcançar a nossa meta. Já jogámos em anos anteriores contra estas selecções mas de ano para ano as equipas sofrem modificações tanto a nível das jogadoras que as constituem como do nível de jogo. Queremos apurar-nos e estamos empenhadas em alcançar esse objectivo”.

Quanto ao que as portuguesas poderão encontrar pela frente e como combatê-lo, a experiente libero afina pelo diapasão da zona 4.
Num ano tão atípico e não se tendo realizado jogos internacionais desde 2019, é um pouco difícil de prever como as selecções e respectivas jogadoras se irão apresentar.
Assim, como a nossa selecção se encontra um pouco diferente desde 2019, as outras selecções também poderão estar modificadas e mesmo o estudo destas poderá não ser muito fácil porque devido à pandemia e às consequentes restrições provavelmente muitas das equipas vão chegar ao apuramento sem jogos de preparação realizados.
Temos um grupo jovem e ambicioso e com muita vontade de representar Portugal e dignificar as nossas cores. Sem dúvida que o querer e a ambição são armas da nossa Selecção”.

E enquanto não arranca a competição, um balanço da temporada.
Esta época de 2020/2021 foi uma época desgastante, de incertezas, com várias atletas a testar positivo à COVID-19 e, consequentemente, a terem que parar e depois recomeçar tudo de novo. Acima de tudo, foi uma época de superação constante, do ultrapassar das dificuldades. Na AJM/FC Porto também passámos por momentos menos bons e tivemos que nos superar, dar a volta por cima. Felizmente que conseguimos continuar a fazer o que mais gostamos e os campeonatos não pararam. Culminar com um título de campeãs nacionais no meio de tanta incerteza, de tantas restrições, foi mesmo muito bom! Claro que há cansaço físico e psicológico, pois para além de atletas também somos ser humanos e encontramo-nos privados de muitas coisas que nos fazem falta, como a família, os amigos, uma maior liberdade. No entanto, enquanto atletas, tentamos abstrair-nos um pouco do menos bom e desfrutar do que mais gostamos de fazer. Há desgaste físico e psicológico, mas também uma grande vontade de fazer as coisas bem e representar da melhor forma possível Portugal”.

 

Convocatória

Nome Clube Posição
1 Ana Couto Sporting CP Distribuidora
2 Eliana Durão Leixões SC Distribuidora
3 Ana Carmo Figueiras GC Vilacondense Distribuidora
4 Helena Monteiro PV2014/Ac. Voleibol Colégio Efanor Central
5 Aline Rodrigues Sporting CP Central
6 Amanda Cavalcanti Sporting CP Central
7 Marlene Pereira Castêlo da Maia GC Central
8 Inês Pereira GC Vilacondense Zona 4
9 Bárbara Gomes AJM/FC Porto Zona 4
10 Marta Hurst Osacc Haro Rioja Vóley (Espanha) Zona 4
11 Ana Afonso GC Vilacondense Z4/Oposta
12 Margarida Maia  GC Vilacondense Oposta
13 Júlia Kavalenka Olimpia Teodora Ravenna (Itália) Oposta
14 Maria Reis Lopes PV2014/Ac. Voleibol Colégio Efanor Oposta/Z4
15 Alice Clemente Centro Desportivo de Fátima Oposta/Z4
16 Daniela Ferreira SL Benfica Oposta
17 Joana Resende AJM/FC Porto Libero
18 Matilde Calado Rodrigues PV2014/Ac. Voleibol Colégio Efanor Libero

Equipas da Fase de Qualificação para o EuroVolley:
Portugal / Geórgia / Ucrânia / Suécia

Acreditação dos jornalistas aqui

Competições da Selecção Nacional de Seniores Femininos

Pool B de qualificação para o Campeonato de Europa de 2021, em dois torneios que serão realizados em Portugal e na Geórgia, com a participação de Portugal, Geórgia, Ucrânia e Suécia; 1.º Torneio nos dias 7 a 9 de Maio em Portugal, no Centro de Desportos e Congressos de Matosinhos, e 2.º Torneio nos dias 14 a 16 de Maio, na Geórgia (Arena Tbilisi).

Jogos de Portugal aqui

Pool B da European Silver League, a disputar em dois torneios (28 a 30 de Maio e de 1 a 3 de Junho) na Bósnia-Herzegovina.

Jogos de Portugal aqui

Eventual presença na fase final do Campeonato da Europa, em Setembro, a disputar em Agosto e Setembro de 2021.

Partilhar: