MANCHETE: 20 ANOS MANTENDO A BOLA NO AR

 A actividade do Núcleo de Gira-Volei da Escola Carolina Beatriz Ângelo (CBA), pertencente ao Agrupamento de Escolas da Sé, é o melhor exemplo de como uma junção de esforços e a convergência de interesses e de valores pode levar um pequeno grupo a mover montanhas, no caso concreto a cativar todos os anos centenas de jovens para a prática desportiva, e a fazê-lo com gosto e de forma fácil, divertida e competitiva. Esse é o poder do projecto de iniciação ao Voleibol criado pela Federação Portuguesa de Voleibol há mais de duas décadas, denominado Gira-Volei, e que já mereceu a atenção de entidades internacionais pela forma como cativa milhares de crianças e jovens. 

A adesão da então Escola da Sequeira ao projecto Gira-Volei concretizou-se, pela mão do professor Nuno Lemos, no início do ano de 2001, com 56 atletas. Número que iria conhecer um aumento progressivo até estabilizar na centena de atletas que todos os anos praticam a modalidade. Pelo meio, vários títulos de campeão (21 nacionais, 66 regionais e 3 inter-regionais), entre outras distinções, como o Prémio Mérito Gira na 10.ª Gala Anual do Voleibol em Dezembro de 2006, o primeiro do género atribuído pela FPV a Nuno Lemos.

E é exactamente o impulsionador de todo este processo – campeão nacional Gira-Volei + 23 anos em 2011, 2015, 2016, 2017, 2018 e 2019 – a explicar como é que, ao longo de vinte anos, conseguiram manter-se sempre no topo e continuar a cativar tantos gira-atletas.

A pandemia de Covid-19 afectou todos os sectores da sociedade e de uma forma mais concreta a actividade desportiva colectiva. Como conseguiram sobreviver a este momento, que poderíamos apelidar de obscurantismo?

NUNO LEMOS: “Infelizmente, a pandemia veio afectar muita coisa e alterar os hábitos e as rotinas que toda a gente tinha, e como é óbvio nas escolas isso também se sentiu muito. Dentro do possível, tentámos manter as actividades enquanto nos foi permitido, mas quando fomos para casa foi complicado.
Tentámos continuar a manter o gosto pela modalidade e motivar os alunos, enviando alguns vídeos e propostas de treino para eles fazerem em casa, e mesmo até alguns desafios, como o «número de toques», «jogar com a família», etc., e eles corresponderam enviando-nos fotografias e vídeos.
De forma surpreendente e felizmente, este ano em que as actividades retomaram o caminho normal, houve uma grande adesão.
Antes mesmo do primeiro dia de aulas, recebi mensagens de pais a perguntarem se iria haver treinos logo no primeiro dia de aulas e se os filhos podiam trazer o equipamento.
Com muito agrado meu, temos tido uma adesão muito grande, superior ainda à que tínhamos há dois anos atrás, principalmente de crianças de 5.º ano. Os que cá estavam seria normal eles retomarem a actividade, porque já sabiam como funcionávamos e como é que era o projecto, mas ter nos primeiros treinos logo 10, 15 alunos novos do 5.º ano, deixa-me muito satisfeito porque eles estão a retomar a actividade física, a retomar o Voleibol e a aderir ao projecto com muita força.
Tenho a certeza de que grande parte desta adesão se deve a termos iniciado há três anos o projecto Gira-Volei no 1.º ciclo”.

Ao longo dos últimos 20 anos, o Núcleo Gira-Volei desta escola esteve sempre muito activo: desenvolvendo actividades extra-desportivas como a caderneta, calendários de bolso e de mesa, etc., tendo mesmo uma publicação própria que é já um ícone tanto da modalidade como da própria escola, o Boletim Informativo Sequeira Voleibol. Pode falar-se já numa espécie de herança, que passa de irmão para irmão, de pai para filho?
NL: “De pai para filho ainda não chegámos a esse ponto, mas estamos quase a chegar porque já temos vários miúdos filhos de antigos alunos/atletas que em breve poderão vir para a escola, e acredito que se for pela vontade dos pais, esses filhos virão para esta escola porque, felizmente, os alunos quando saem daqui levam consigo muito boas recordações, muito boas experiências. As de que eles falam mais são as experiências desportivas, e dentro dessas, aquilo o que o Gira-Volei lhes tem proporcionado, porque são muitas as experiências de que eles nunca mais se vão esquecer. Eles próprios podem testemunhar isso. E essas imagens, essas mensagens, ao serem passadas para os filhos, estes também certamente quererão vir para a escola de que os pais falam tão bem.
De irmãos, é frequente eu chegar ao treino e dizerem-me: ó professor, lembra-se deste aluno que saiu daqui há não sei quantos anos? Lembro-me! Olhe, eu sou irmão dele e ele disse-me que das primeiras coisas que devo fazer ao entrar nesta escola é vir ter consigo para me inscrever no Voleibol. Obviamente, isso deixa-me muito satisfeito e é por isso que ao longo destes 20 anos temos conseguido manter mais ou menos o mesmo número de praticantes, as actividades regulares, os vários projectos que temos ligados ao Voleibol e ao Gira-Volei, porque vai passando de geração em geração”.

Ver AQUI a entrevista do professor Nuno Lemos ao aluno (e filho) Tiago Lemos

Essa identificação que os alunos/atletas fazem entre a Escola e o Voleibol ou Gira-Volei ajuda a que vocês tenham, há algum tempo a esta parte, todos os anos cerca de uma centena de atletas a praticar a modalidade?
NL: “Acredito que sim. Ao irem passando a mensagem de geração em geração, os alunos chegam aqui à Escola e têm sempre quatro redes montadas e nos intervalos vêem os colegas sempre a jogarem Voleibol nos recreios. Mesmo que no início eles possam sentir alguma vergonha, pois admito que numa escola nova, onde não conhecem quase ninguém, isso aconteça, ao verem todo este movimento – e eu próprio tento integrá-los ao realizar os primeiros treinos nos campos exteriores –, vão interagindo com os mais velhos, o bichinho vai-se desenvolvendo, começam a vir aos treinos e, tenho essa sorte e felicidade, eles vão gostando, e a verdade é que já há muitos anos que mantemos sempre mais ou menos o número de 100 atletas de Gira-Volei inscritos neste projecto.”

– Assistir a isso contribui para o próprio mentor do projecto continuar a alimentar um bichinho que ainda sente mesmo volvidas duas décadas?
NL:
“Eu tenho uma grande paixão pelo Voleibol e quando uma pessoa faz aquilo que gosta, fá-lo com muito mais vontade. É verdade que dá trabalho, são muitas horas que retiramos a outras coisas que poderíamos fazer, retiramos à família, à vida pessoal e a outros projectos que temos, mas eu gosto muito de ser professor, de ser treinador de Voleibol, de estar com os meus alunos, e essa paixão que tenho é o que me faz manter ao longo dos anos a chama viva e que espero se mantenha por muitos mais anos porque irei estar na escola muitos mais anos, pois as reformas são cada vez mais tarde… Para já, não me importo nada que a reforma ainda venha longe porque o que eu gosto de fazer é mesmo estar na escola, dar aulas, dar treinos e conviver com os alunos.”

– Em tantos anos e tantas actividades, que momentos merecem maior destaque?
NL: “Eu destacaria desde logo a entrada no projecto, em 2001. No ano anterior, quando cheguei a esta escola, já tinha algum conhecimento do projecto por intermédio da ligação que tinha à Federação de Voleibol, com quem tinha colaborado quando estive a leccionar no Porto.
Outro momento será a primeira vez que fomos a uma final Nacional do Gira-Volei, em 2003, no Jamor, e que foi uma aventura porque não havia ainda o apoio que neste momento temos do agrupamento e mesmo da autarquia, que agora e felizmente nos ajuda nos Encontros Nacionais.
Na altura, pedi a carrinha emprestada ao meu sogro e fui eu e mais oito atletas participar nessa competição. Claro que apesar das dificuldades tenho as melhores recordações, pois se calhar foi aí que tudo começou de outra forma, digamos assim.
Nos Encontros Nacionais, haveria muito para falar sobre as experiências que temos tido, e por aquilo que a Federação nos proporciona, desde conhecer o País desde o Norte até ao Sul, porque nós já participámos em finais nacionais desde Miranda do Douro até Portimão. Felizmente, desde 2003 até agora praticamente temos ido a todas as finais nacionais, e há sempre histórias, há sempre aventuras, peripécias que eu não me esqueço e que os alunos também não se esquecem, como o facto de alguns deles terem visto pela primeira vez o mar quando foram jogar uma final do Nacional de Gira-Volei. Alguns passaram a primeira noite fora de casa quando foram comigo a essas finais. São recordações que nunca irei esquecer e que eles também não.
E falando apenas de mais uma, a amabilidade que a Federação teve de atribuir-me o primeiro o Prémio Mérito Gira. Claro que me tocou, não estava minimamente à espera. Tanto não estava que tinha ido mais perto do palco do Casino de Espinho – local da na 10.ª Gala Anual do Voleibol em Dezembro de 2006 – para tirar fotos aos meus atletas, que tinham sido campeões nacionais, e quando estava a recuar para o meu lugar na mesa fui ouvindo a lerem um currículo de alguém que me soava familiar. Esse currículo era o meu. Na semana anterior, o meu amigo Hugo Silva tinha-me ligado para eu lhe mandar o meu currículo para fazerem uma apresentação qualquer e afinal não era para isso, era para fazerem a apresentação do Prémio Mérito Gira-Volei na Gala. Fiquei muito satisfeito pelo prémio que me foi atribuído pela Federação e também porque na altura foi entregue pelo Daniel Lacerda, meu amigo há longos anos, e isso teve muito significado para mim”.

 

 Presidente da AV Guarda: “No Interior, infelizmente não há muita gente que se preste a despender o seu tempo em prol das associações e dos clubes” 

 

– A acção do professor e monitor Nuno Lemos não se esgota aqui, já que acumula agora as funções de Presidente da Associação de Voleibol da Guarda…

NL: “No Interior do País, infelizmente não há muita gente que se preste a despender o seu tempo em prol das associações e dos clubes. Assim, os poucos que o fazemos, acabamos por estar em vários sítios ao mesmo tempo.
O facto de neste momento ser o Presidente da Associação de Voleibol da Guarda prende-se com o facto muito triste que foi o falecimento do Presidente, do nosso amigo Mário Sucena [ver notícia]. Antes de ter falecido, ele já estava na Direcção da Federação e como não podia acumular os cargos, pediu-me para assumir a Presidência da Associação enquanto era Director na FPV.
Tenho estado à frente da Associação com todo o prazer. Não só pelo gosto pela modalidade e por pretender e tentar dinamizar o Voleibol no Interior, neste caso na região da Guarda e de Castelo Branco, mas também por querer continuar o trabalho que sei que o Mário Sucena teria muito gosto em que fosse feito e para o qual ele muito contribuiu na cidade da Guarda, primeiro como jogador, depois enquanto árbitro e enquanto dirigente… Sei o que ele queria fazer e pretendo dar seguimento ao trabalho dele”.

– Olhando por cima do ombro e vendo tudo aquilo o que já foi conseguido, existe ainda algum projecto que foi sendo alimentado ao longo dos anos mas ainda não concretizado?
NL: “Há um, pessoal, que apesar de já o termos conseguido concretizar durante dois anos, infelizmente não foi uma realidade ao longo do tempo, que é a passagem do Gira-Volei para o Voleibol federado.
Aquilo que eu mais gostaria é que houvesse mais equipas na região. Infelizmente, só temos um clube no activo com actividade federada, que é o Sena Clube de Seia, mas gostava imenso que essa passagem pudesse ser feita e abrisse caminho a mais clubes e equipas.
Se não acontece, não é por falta de atletas, porque desta escola saem todos os anos vários alunos para o 10.º ano, saem também das outras escolas do agrupamento, da escola de S. Miguel e da Sé, e mesmo da Escola Regional Dr. José Dinis da Fonseca, vários atletas, e custa-me dizer isto, que se perdem, porque depois não têm o seguimento em clubes, não há possibilidade de equipas federadas, e a razão é muito simples: estamos muito longe, não temos equipas próximas para realizar um quadro competitivo regional mais próximo. O que temos aqui mais perto será Coimbra, eventualmente Porto, e ir de quinze em quinze dias jogar a Coimbra, ao Porto ou a Aveiro, é muito complicado. E eu sei que é complicado porque, há cerca de seis anos, conseguimos avançar com este projecto, conseguimos que um clube da Guarda, o Guarda Unida, abraçasse o projecto do Voleibol federado e vários alunos que saíram daqui integraram essa equipa, da qual eu também fiz parte como jogador, e conseguimos disputar o Campeonato da III Divisão durante dois anos, mas foi insuportável: portagens, viagens, alimentação, de quinze em quinze dias, fazer 400, 500 quilómetros é muito difícil.
Apesar de ser um projecto que eu gostaria de avançar, também tenho consciência de que é muito complicado e por isso agarro-me àquilo que é possível e em que vejo que os alunos são felizes, àquilo que lhes proporciona experiências inesquecíveis, que é o caso do Gira-Volei.
O federado é realmente difícil de atingir… pelo menos para já.”

– A forma como vê o Gira-Volei, como meio de prática desportiva e de iniciação ao Voleibol, é a mesma, mesmo volvidos todos estes anos?
NL: “Sim. É a forma mais fácil, simples e divertida de começar a jogar Voleibol! Há vinte anos que não tenho dúvida nenhuma sobre isso. É fundamental não só nos treinos que damos como nas próprias aulas de educação física porque utilizamos as estratégias, o material que a Federação nos envia para o Gira-Volei e todos os meus colegas utilizam o projecto para a iniciação na suas aulas e têm tido excelentes resultados.
Dentro dos projectos extra-escola, o Gira-Volei é o mais bem organizado, é aquele que dá um apoio mais sólido a quem está a trabalhar nele, porque na Federação há pessoas destacadas a tempo inteiro e qualquer questão que seja necessária, temos o apoio, temos o material – que não se compara com aquilo que é dado noutros projectos. É fácil aderir ao projecto e é muito agradável de trabalhar nele.”

 

 Leonel Castro: “O fair-play que os alunos adquirem no Voleibol revela-se no dia-a-dia” 

Leonel Castro é Presidente do Conselho Geral do Agrupamento de Escolas da Sé. Embora esteja há pouco tempo profissionalmente ligado à CBA, acompanha há já longos anos o trajecto do Gira-Volei no desenvolvimento físico e moral dos alunos.

– Como é que a escola vê este projecto, que atravessa gerações de alunos?
LEONEL CASTRO: “Estou nesta escola há apenas dois meses, mas no agrupamento de escolas ao qual pertence a Escola Carolina Beatriz Ângelo estou há 46 anos e, portanto, tenho acompanhado o trabalho desenvolvido pelos professores de educação física no que toca ao Voleibol e a envolvência dos alunos, mais ainda agora na qualidade de Presidente do Conselho Geral, cuja função é acompanhar toda a envolvência e o trabalho efectuado na escola e em todos os projectos.
Reconheço que, efectivamente, há uma grande identidade entre o Voleibol e a escola, com todas as vantagens que daí advêm, nomeadamente as próprias regras do Voleibol incutem nos miúdos as regras de saber estar na escola. Os valores que os alunos adquirem no desporto, eles depois aplicam-nos no dia-a-dia da escola.
Esta escola efectivamente tem um cariz especial, olha muito para o aluno, olha muito para as pessoas e numa escola assim é necessário haver um certo respeito por regras e o próprio Voleibol incute nos alunos essas regras. Nota-se que eles são alunos diferentes no que toca ao comportamento, ao respeito pelos outros. O próprio fair-play que eles adquirem no Desporto, no caso concreto do Voleibol, revela-se no dia-a-dia. Há uma identidade muito grande entre o Voleibol e a escola.
Porque hoje em dia, meus amigos, o ensino está difícil e as crianças facilmente se desviam do seu trajecto normal. E o Voleibol tem um aspecto importante na medida em que atrai os miúdos para a prática desportiva, incute-lhes valores que efectivamente a sociedade não está a transmitir. Nesse aspecto, o Voleibol é importante nesta escola como seria noutras escolas.
Aqui nota-se que o Voleibol é muito importante para os alunos. Nos 46 anos e meio que tenho de ensino, nas escolas secundárias a que pertenci e ao agrupamento a que pertenço, o normal ver nos intervalos, nos tempos livres, é ver os alunos pedirem uma boal de futebol para ocuparem os tempos livres. Aqui, já dei conta – já sabia disso -, eles não pedem uma bola de futebol. Quando vão pedir às funcionárias uma bola para se entreterem nos intervalos ou em qualquer furo em que não tenham aulas, pedem uma bola de Voleibol. Isto mostra o interesse que eles têm no Voleibol e o papel que a modalidade tem na sua educação”.

– Com a junção de escolas num mega-agrupamento de escolas, houve quem temesse uma perda de identidade. O Voleibol, com o espírito de equipa e com todos a lutarem por um mesmo objectivo, ajudou a manter a personalidade desta escola?
LC: “Completamente. A escola manteve a sua identidade própria… Os alunos são sempre a parte mais importante, mas não posso deixar de destacar um aspecto: a identidade mantém-se graças ao trabalho dos profissionais de educação física desta escola. Acompanho de longe há vários anos e mais de perto como Presidente do Conselho Geral, e vejo isso: eles fazem tudo para que os alunos estejam sempre em sintonia com o Voleibol. E os alunos recebem isso como um presente e tiram partido disso.
Há uma coisa que hoje em dia acontece com o professor. O professor é um profissional que se sente desmotivado. Analisamos os inquéritos aos professores e sentimos que há uma desmotivação grande. E essa desmotivação não se nota nos professores de educação física desta escola. Desde os torneios ao facto de virem dar treino aos alunos nas tardes livres para lá do seu horário. O próprio Boletim Informativo [da Sequeira] que editam é importante porque é elaborado pelos alunos, que são autores de artigos, e são alunos do quinto, sexto, sétimo, oitavo e nono ano, isso é importante porque eles sentem o Voleibol de maneira diferente, não se limitam a vir jogar.
Mesmo com o mega-agrupamento que juntou três grandes escolas, uma delas que chegou a ter 1500 alunos, esta escola não perdeu absolutamente nada da sua identidade. Também para isso contribuiu, como é óbvio, as facilidades que o agrupamento dá. E o próprio agrupamento reconhece o valor desta escola nesse aspecto, que envolve desde o funcionário do próprio pavilhão aos pais dos alunos que marcam presença nos torneios de Gira-Volei”.

– Os pais apercebem-se das transformações na personalidade dos seus filhos motivadas pela prática e pelos valores do Voleibol?
LC: “Creio que sim. Hoje em dia os pais estão presentes na escola. Como é evidente, gostaríamos que estivessem ainda mais. Temos reuniões com os pais e eles reconhecem o valor. Se os pais não vissem interesse no que toca a obter valores, espírito de equipa, os pais não deixariam vir os filhos.
E quando há torneios de Gira-Volei aos fins-de-semana, os pais estão presentes por exemplo no Parque Urbano do Rio Diz…
Digo sempre, e não é que considere ter sido um bom aluno ou, agora, um cidadão modelo, mas eu toda a vida pratiquei desporto. Fui jogador federado, não de Voleibol, porque não tinha altura suficiente para chegar à rede, mas fui guarda-redes de Andebol na II Divisão Nacional durante muitos anos e entendo que é fundamental o aluno praticar desporto, porque a disciplina que se incute no Voleibol e noutras modalidades, os valores, o respeito pelo adversário, o fair-play que se adquire no desporto, incutem valores que vão ter repercussão na sala de aula e na formação científica do aluno”.

 

 José Luís Lopes: “Continuo a ver no Gira-Volei um projecto interessantíssimo que consegue cativar as crianças”  

José Luís Lopes é um professor de Educação Física que tem acompanhado na escola CBA o projecto Gira-Volei desde o seu início, sendo ainda o responsável pelo Futsal feminino há cerca de 18 anos.

JOSÉ LUÍS LOPES: “O Gira-Volei tem conhecido um crescimento exponencial. Pode ter havido uma ou outra excepção, mas ano a ano tem aumentado o número de alunos motivados para a prática desportiva na nossa escola, os rapazes mais para o Voleibol e as meninas mais para o Futsal, que é a de que eu sou responsável, mas no Gira-Volei a escola consegue cativar também muitas meninas que participam nas fases regionais e acabam por ir disputar a fase nacional.
Continuo a ver no Gira-Volei um projecto interessantíssimo porque consegue cativar as nossas crianças e, ao fim e ao cabo, aquilo que nós queremos é que elas pratiquem desporto.
O Gira-Volei é como uma mola que facilita um bocadinho o trabalho de cativação dos miúdos para a prática desportiva, no caso concreto para o Voleibol, e eu que sou responsável pelo Futsal feminino não tenho esse instrumento. Tenho sempre de inventar qualquer coisa, como torneios internos, uma competição a que chamo Fut4, que é uma forma de copiar um pouco aquilo que faz o Voleibol.
A Federação Portuguesa de Voleibol investe imenso no Gira-Volei e eu tenho pena de que isso não aconteça no Futebol.
Tenho a Festa do Futebol Feminino, onde nós temos ido quase todos os anos a Lisboa, desde que o projecto começou. É também uma forma de cativar os miúdos e se nós lhes damos mais instrumentos para eles gostarem da modalidade, é sempre meio-caminho andado para facilitar a aprendizagem deles e a continuidade na modalidade, que, no fundo, também é muito importante.
Tal como o Futsal, o Voleibol está consolidado na nossa escola, porque os professores de educação física estão muito focados no projecto do desporto escolar e sempre com a preocupação de ir ao encontro dos interesses dos miúdos. E quando eles e elas aqui chegam e vêem no Voleibol ou no Futsal uma forma de praticar desporto é uma forma de nós irmos ao encontro daquilo que os motiva.
As modalidades que temos para lhes oferecer são praticamente as mesmas há duas décadas porque estão consolidadas e quem chega, sejam alunos ou professores, integram-se rapidamente. O professor chega e enquadra-se naquela modalidade. No Voleibol não há necessidade porque temos o melhor professor de Voleibol do País!”.

 

Com o Gira-Volei “you never walk alone”
TESTEMUNHOS

 

 Armando Martins: “O Gira-Volei é bom para os jovens, não só para praticarem desporto como para sociabilizarem e fazerem amizades” 

Armando Martins é um ex-aluno que participou em todos os escalões do Gira Volei e Gira+: níveis 8-10 anos, 11-12 anos, 13-15 anos N1, 13-15 anos N2, 16-18 anos; 19-23 anos e mais de 23 anos:
Participei pela primeira vez no Gira-Volei no escalão 8-10 anos, há 18 anos. A partir daí, segui sempre os escalões desde os 11-12, 13-15 ao Gira + e até… à pandemia, que nos afastou a todos da prática desportiva e de muitas outras coisas.
Agora está tudo de regresso e eu, apesar de já não pertencer à escola, gosto de rever professores e alunos, sobretudo aqueles que praticam a modalidade que abracei em criança, e de me reunir com antigos colegas no Gira+. Noto que o Gira-Volei continua a ser bom para os jovens, não só para praticarem desporto como para sociabilizarem e fazerem amizades. Cada ano que passa, o Gira-Volei está mais bem organizado e vêem-se cada vez mais caras novas.
O Gira + foi uma boa ideia da Federação Portuguesa de Voleibol porque alguns colegas meus, depois do 9.º ano, desligaram-se um pouco do Voleibol e eu tive a oportunidade de continuar a praticar a modalidade. Depois foi criada uma equipa federada na Guarda, composta por cerca de 95 por cento de atletas oriundos da nossa escola e tinham participado tanto no Gira-Volei como no Gira +. Foi bom para o Voleibol e mesmo para a cidade.
No Gira-Volei, quando tínhamos a oportunidade de disputar o Encontro Nacional era sempre uma festa. Íamos descobrindo sempre coisas novas e, no meu caso pessoal, a primeira vez que vi o mar foi quando fui à final que se disputou em Oeiras. Já tinha ido a outras finais mas não tinha calhado ser no Litoral. Foi bom. E como eu, muitos outros outras têm histórias dessas para contar. Isto porque o Gira-Volei, para além de ser uma prática que faz bem à saúde, propicia a socialização e criação de novas amizades.
Tenho uma filha e um filho e, pelo menos com ele, gostaria de mais tarde participar num torneio de Gira +… tenho é de esperar que ele cresça para chegar ao escalão de + de 23 anos! [Risos]
Não sei se ele virá para esta escola e para o Voleibol, mas vou tentar sempre puxá-lo para isso, pois o Gira-Volei foi muito importante para mim.
Basta mostrar-lhes isto, os miúdos que nos intervalos querem jogar Voleibol, ver a animação que aqui vai, a união entre eles. Aqui não se vê ninguém a discutir, vê-se toda a gente a divertir-se.”

 

 Carlos Almeida: “Tudo o que envolve o Gira-Volei vai ser importante para a nossa vida no futuro. Nunca desistam de praticar Voleibol” 

Carlos Almeida, agora a exercer a profissão de Enfermeiro, é um antigo aluno da Escola e praticante de Gira Volei enquanto esteve na Escola e de Gira+ desde que saiu, até aos dias de hoje:
O que continua a atrair-me a esta escola é, sobretudo, a amizade que mantenho com o professor Nuno Lemos e as lembranças daquilo que aqui vivi quando praticava Gira-Volei.
Foi o Gira-Volei que me introduziu na prática desportiva e ainda agora, quando posso, vou dando uns toques de Voleibol. Foi aqui que tudo começou e é sempre bom reviver isso e voltar a ver as pessoas que conheço já desse tempo, bem como o entusiasmo destes miúdos, que éramos nós há 10, 15 anos.
Vejo estes miúdos e lembro-me de mim aqui e dos muitos amigos que fiz quando praticava Gira-Volei, nestes mesmos campos.
A mim, e aos meus colegas, o Gira-Volei ajudou-nos a relacionar com muita gente, incutiu-nos o espírito de entreajuda e de trabalhar em equipa, tudo o que o desporto deve tornar relevante e que o Gira-Volei desenvolve ainda mais, ao ser um jogo de duplas, jogado com alguém de quem dependemos e que depende de nós.
O confinamento motivado pela pandemia prejudicou o desenvolvimento a nível de tudo o que é desporto escolar.
A estes miúdos, com 11, 12, 13 anos, que estão a começar, o que lhe posso dizer é que desfrutem de cada momento e que nunca desistam de fazer aquilo que gostam, neste caso jogar Gira-Volei, pois é um mundo que lhes trará muitas amizades e lhes proporcionará muito bons momentos na infância e adolescência. Estão aqui muito bem entregues, no Centro de Sequeira. Também tenho visto outros centros a nível do País com um trabalho de desenvolvimento excelente, mas para mim foi aqui que tudo começou.
Eles vão ver que tudo o que envolve o Gira-Volei vai ser importante para a sua vida no futuro. Nunca desistam de praticar.
Tenho excelentes recordações desses tempos… Da equipa que tivemos aqui na Guarda, formada quase toda por antigos alunos aqui da Sequeira e do Gira-Volei, que começaram a jogar aos 10 anos e que deram por si aos vinte e tal anos a jogarem todos na mesma equipa, e com o professor Nuno Lemos, que foi quem nos iniciou na prática da modalidade.
Lembro-me também de ter jogado no Gira-Volei contra com o Alexandre Ferreira, que é agora o capitão da Selecção Nacional. Ele atingiu um nível altíssimo para qualquer atleta desta ou de outras modalidades e passou a ser um jogador de referência.
O Gira-Volei trouxe-nos experiências que ninguém mais esquece e ainda nos deu essa oportunidade de lidamos com pessoas que conseguiram singrar na modalidade, como o Alexandre e, recordo-me também, o Afonso Guerreiro, que depois jogou no Benfica e na Selecção Nacional, com quem até criei alguma amizade através do Gira-Volei”.

 

Têm a palavra os PAIS

 

Bruno Coelho é o pai de Guilherme Coelho, actual campeão nacional no escalão de 8-10 anos, para além de campeão escolar, regional e inter-regional no ano lectivo anterior:
É motivo de satisfação para mim, enquanto pai, ver o Guilherme tão empenhado no processo desportivo. Ele gosta muito de desporto, abraçou no ano passado o projecto do Voleibol aqui na escola Carolina Beatriz Ângelo e tem tido bastante sucesso a nível desportivo, que se complementa também com os estudos, que ele tem sido até ao momento um excelente aluno.
Tenho a certeza de que ser um bom atleta pode contribuir para ser um aluno ainda melhor, porque eu enquanto jovem foi atleta federado, joguei Basquetebol, modalidade que o Guilherme também pratica, e sei perfeitamente que a prática desportiva, ao contrário do que alguns pensam – que vem tirar tempo aos estudos –, ajuda o aluno a capacitar-se mais para poder tirar boas notas porque no desporto e dentro da equipa também se adquirem regras e rotinas que são boas para o estudo.
Se calhar, quando acompanho o Guilherme, tenho um bocadinho dessas duas facetas: um adepto que incentiva e um pai que dá dicas de treinador…
Se bem que o Voleibol não é tanto a minha praia, eu incentivo-o porque vejo nele um grande gosto pelo Voleibol.
Agora, quando sobe ao pódio, a medalha é totalmente dele e do seu parceiro. Será um bocadinho minha no sentido que eu lhe proporciono as condições para ele poder praticar a modalidade, mas o mérito é todo dele.
Se os miúdos querem praticar desporto, e gostam de praticar desporto – porque se estiverem contrariados, também não vale a pena –, acho que os pais devem acompanhá-los nesse processo. No ano passado, o Guilherme não sabia o que era o Voleibol, começou por participar e chegou a campeão nacional de duplas no Gira-Volei. Ligou-me a chorar de alegria e a dizer o feito que tinha alcançado e isso é um motivo de orgulho quer para a criança quer para os pais.
O facto de ser jogado em dupla também é importante para o seu crescimento, porque nós em sociedade também não vivemos sozinhos, isolados. O Guilherme, ao ter ao seu lado um colega ou vários colegas, apercebe-se que o espírito de equipa é essencial e vai transportá-lo para todas as áreas da vida.

Paula Pissarra é mãe João Dinis Reis (aluno) e de Afonso Reis (um ex-aluno), atletas de Gira-Volei:
O meu filho mais velho, quando veio praticar Gira-Volei foi um bocadinho influenciado pelo pai, que tinha sido professor de educação física aqui e que gostou muito do ambiente que se vivia aqui com os professores de educação física e com o desporto escolar, nomeadamente com o Gira-Volei.
O Afonso quando veio para a escola inscreveu-se logo no Gira-Volei e durante todo o percurso de escola, os cinco anos que esteve aqui, sempre frequentou os treinos e foi incutindo sempre no irmão mais novo o gosto pelo Voleibol.
Ele estava no 9.º ano quando a escola confinou durante a pandemia e uma das coisas que mais lhe custou foi não ter participado no Gira-Volei no último ano em que aqui estava.
Assim, quando o mais novo veio para esta escola, vinha já cheio de expectativas sobre o Gira-Volei e agora simplesmente adora!
No ano passado, o João Dinis foi aos nacionais, e este ano, logo no primeiro dia de aulas, que calhou a uma sexta-feira, a primeira coisa que se lembrou foi: se é sexta-feira vou ter a tarde livre e jogar Voleibol e ficou logo todo entusiasmado com isso.
Tenho mais uma filha aqui na escola, que não está no Gira-Volei, porque não é uma prática do desporto escolar feminino. Anda no Futsal, mas pratica Voleibol em casa com os irmãos, pois como nós temos em casa uma rede de Voleibol, eles praticam os quatro… O pai e os três filhos, não tanto a mãe [Risos]”.

Duarte Lourenço forma dupla com Guilherme Coelho, sendo campeão nacional no escalão de 8-10 anos em título:
Comecei a jogar Gira-Volei quando vim para esta escola, a CBA. Vimos os outros a jogar, decidimos experimentar e gostámos!
Quando comecei, não sabia jogar, mas comecei a treinar mais e acabámos por conseguir participar na fase final e ganhar.
Tenho um bom parceiro, o Guilherme [Coelho] e um bom professor [Nuno Lemos], que ensina muito bem a praticar este desporto.
Acho o Gira-Volei incrível e toda a gente deveria experimentar, pois mesmo que inicialmente não soubessem jogar, o professor é óptimo a ensinar e acabaria por ser muito divertido jogarmos todos juntos.
Jogar não afecta os meus estudos, antes pelo contrário, pois tenho tido boas notas e fui ao Quadro de Mérito”.

Leonor Cairrão é uma aluna e atleta ecléctica, praticante de Gira-Volei e de Futsal:
Tenho 13 anos e comecei a jogar Gira-Volei quando vim para o 5.º ano. Aqui na nossa escola não temos Gira-Volei para as meninas, só para os meninos, mas eu e a minha colega Ana Catarina, quando podemos, participamos nos jogos disputados na escola e gostamos muito porque é um desporto que nos diverte e que gostamos de jogar.
Já temos mais colegas de turma que também gostam de participar quando são realizados torneios.
O meu pai é professor de educação física e também gosta muito do Gira-Volei. Foi ele que me ensinou a jogar, gostei de praticar e agora sempre que posso quero participar nas actividades.
Também pratico Futsal e outros desportos, mas gostaria de continuar a jogar nas competições distritais e nos torneios inter-escolas de Gira-Volei.
Em termos de resultados desportivos, eu e a Ana Catarina, no último ano lectivo começámos por jogar entre nós, entre as colegas da minha turma, depois participámos na fase de escolas. Não conseguimos passar à fase seguinte, mas acabou por ser muito divertido e fiz novas amigas.
Durante o confinamento, eu e a minha colega parámos de jogar um bocadinho, mas eu e o meu pai continuámos a treinar. Íamos algumas vezes ao Polis e, como tal, isso não me impediu de treinar, mas em relação a jogar só o pudemos fazer quando regressámos às aulas.
Continuei a fazer desporto mesmo durante o confinamento pois o exercício físico é uma coisa importante na nossa vida.
O professor Nuno Lemos é um óptimo professor, na minha opinião. Ele nunca foi meu professor, mas eu já o vi a ensinar. Também é muito simpático, pois os meus pais conhecem-no e já nos encontrámos algumas vezes com ele”.

Ver VÍDEO da reportagem AQUI ►


VITRINA DE TÍTULOS

66 Títulos regionais Gira-Volei
3 Títulos inter-regionais Gira-Volei (AV Guarda-AV Viseu)
21 Títulos nacionais Gira-Volei
15 Medalhas de prata: vice-campeões nacionais
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  • Aderiu ao Gira-Volei no dia 22 Janeiro de 2001, com 56 atletas inscritos.
  • Aumento progressivo de atletas ao longo dos anos, mantendo-se há vários anos sempre a rondar os 100 atletas.
  • Participação no primeiro Encontro Nacional em Junho de 2003 (Oeiras).
  • Primeiros títulos nacionais em Junho de 2004 – 3 duplas campeãs.
  • Prémio Mérito Gira na 10.ª Gala Anual do Voleibol, em Dezembro de 2006, o primeiro prémio do género atribuído pela FPV a Nuno Lemos.
  • Participação no I Encontro de Monitores Gira-Volei, em 3 Novembro de 2007, com atletas do núcleo e com Nuno Lemos como prelector.
  • Participação activa na Caderneta dos Cromos Gira-Volei, em Janeiro 2009.
  • Elaboração e divulgação do projecto nos calendários de bolso e de mesa.
  • Criação e divulgação do Boletim Informativo Sequeira Voleibol, que vai na sua edição n.º 166 e no seu 12.º ano lectivo de publicações.

 

  Agrupamento Escolas da Sé | Amigos da Sequeira | Prof. Nuno Lemos

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