Portugal defronta domingo (14h00/RTP 2/RTP Play) a seleção de Israel.
A jogar em casa, e perante mais de 10 mil adeptos, a Bulgária confirmou hoje que é um dos maiores candidatos ao título de campeão europeu ao vencer, por 3-0 (25-18, 25-18 e 25-20), a Seleção Nacional de Seniores Masculinos num jogo em que teve de se esforçar bem mais do que no jogo inaugural da Pool B, qunado venceu pela margem máxima a Macedónia.
Por seu turno, Portugal mostrou que quando joga sem estar manietado com complexos de David e Golias é bem capaz de causar surpresas às potências mundiais do voleibol.
Hoje, para além da boa exibição, só ficou a faltar a vitória num set… mas o que mostrou neste complicado jogo com os vice-campeões mundiais dá confiança extra aos portugueses nas três verdadeiras finais que se avizinham e que estão no caminho da Seleção Nacional rumo aos oitavos de final.
A partir de domingo, Portugal passa a disputar jogos com adversários teoricamente mais acessíveis. A fase de grupos completa-se com os confrontos frente a Israel (domingo, 14h00), Ucrânia (14 de setembro, 14h00) e Macedónia do Norte (15 de setembro, 14h00). Se carimbar o apuramento para os oitavos de final, a Seleção Nacional cruza com uma seleção oriunda da Pool D, constituída por Roménia, Letónia, França, Alemanha, Turquia e Suíça. Todos os jogos de Portugal podem ser seguidos em direto através da RTP 2 e ou RTP Play.
Em suma: o jogo com a Bulgária foi uma boa preparação para as três finais que faltam disputar e, hoje, a postura de Portugal foi bem diferente daquela que exibiu frente à Polónia, muito mais ousada e ambiciosa, Faltou «apenas» maior eficácia no serviço e o bloco, que tarda em vir para ficar.
Portugal x Bulgária, 0-3 (18-25, 18-25 e 20-25)
1.º Set
Embora com os mesmos jogadores, Portugal entrou completamente diferente da forma como tinha feito no jogo inaugural. Com uma recepção excelente e um ataque eficaz, sobretudo André Pereira e Alexandre Ferreira, e sem complexos nem nervosismos, com determinação mas igual dose de eficácia, a Seleção Nacional comandou o marcador até aos 4-5, altura em que Aleksandar Nikolov fez o primeiro dos seus 14 pontos no ataque.
Seguiram-se várias igualdades (8-8, 13-13), mas depois a Bulgária disparou: afastou-se com um bloco do seu capitão, Aleks Grozdanov, e foi caminhando a passos largos, com ataques de Denislav Bardarov, Aleksandar Nikolov e… mesmo do distribuidor Simeon Nikolov, bem como alguns erros de Portugal, para selar o triunfo com o resultado de 25-18, que não traduz a imagem mais fiel daquilo que realmente se passou no parcial.
2.º Set
O segundo set manteve a toada do anterior. Portugal conseguiu equilibrar a contenda com os vice-campeões mundiais nos momentos iniciais (7-9), mas a pressão ofensiva búlgara, quer no ataque quer no serviço, sobretudo por Aleksandar Nikolov, começou a abrir brechas na defesa e recepção dos portugueses, dando uma vantagem confortável à equipa da casa (8-13).
Nova fuga dos búlgaros e outra vez por intermédio de um bloco de Aleks Grozdanov (20-15) e a seleção de leste a caminhar rumo a novo triunfo por 25-18, fixado com um bloco de Martin Atasanov.
3.º Set
Portugal continuou a bater-se bem, voltando a equilibrar a contenda nos momentos iniciais (8-8). Contudo, ao chegar aos 14 pontos (14-17), os serviços de Martin Atasanov catapultaram os búlgaros definitivamente para a liderança do marcador (21-14), com Alexandre Ferreira a conseguir estancar a hemorragia pontual, mas sem poder evitar nova derrota, esta por 20-25, um bloco de Aleks Grozdanov.
A diferença no marcador resultou do volume de erros cometidos pela seleção portuguesa, que cedeu pontos em falhas próprias (sobretudo no serviço) aos eslavos. Em contrapartida, os búlgaros superiorizaram-se na eficácia do ataque com 60% de aproveitamento contra 43% de Portugal, bem como no capítulo do serviço e do bloco.
No plano individual e somando estritamente os pontos no ataque, serviço e bloco, o oposto/z4 André Pereira foi o melhor pontuador de Portugal, com 13 pontos (12 ataques e 1 bloco), e Lourenço Martins o segundo, com 9 pontos (6 ataques, 2 serviços e e um bloco), enquanto o capitão Alexandre Ferreira acrescentou 6 pontos de ataque.
Pela Bulgária, o jovem Aleksandar Nikolov, de 22 anos, sobressaiu como o melhor pontuador do encontro ao somar 17 pontos no total, divididos em 14 ataques, 2 serviços diretos e 1 bloco. Martin Atanasov foi o segundo mais concretizador, com 9 pontos, distribuídos por 5 ataques, 2 serviços e 2 blocos.
Aleks Grozdanov teve também uma exibição muito forte no centro da rede ao registar 6 pontos, que resultaram de 2 ataques e 4 blocos. Ver estatística AQUI
Após os exigentes confrontos com a Polónia, campeã europeia em título, e a Bulgária, vice-campeã mundial, a Seleção Nacional de Voleibol faz um balanço de crescimento na fase de grupos do Campeonato da Europa. Apesar das derrotas, o grupo liderado por João José demonstra confiança para o decisivo duelo de domingo frente a Israel, focado no objetivo de avançar à próxima fase.
João José: “Conseguimos manter
a intensidade durante mais tempo“
O Selecionador Nacional destacou a evolução tática e a atitude da equipa perante a poderosa seleção búlgara, sublinhando que Portugal conseguiu ser “mais competitivo do que no dia anterior”. A organização no bloco-defesa, o contra-ataque e a solidez na receção foram pontos essenciais para equilibrar a partida, embora admita que a equipa ainda precisa de manter o mesmo nível durante um set completo para evitar as quebras fatais na reta final.
Relativamente ao próximo desafio, o técnico rejeitou a ideia de que o torneio só começa agora, reforçando que o foco sempre esteve em evoluir para vencer os adversários do seu nível:
“O nosso objetivo é passar à próxima fase e o jogo de Israel é um jogo que está naquilo que é o nosso nível. Israel tem vindo a crescer e é uma equipa muito física e intensa, mas queremos levar o crescimento destes dois jogos para cumprir o nosso objetivo.”
Kelton Tavares: “Crescemos
ao longo dos jogos“.
O central da equipa das quinas deu nota positiva à exibição, realçando a capacidade de impor o jogo nacional nos momentos iniciais dos sets e a postura mais descongestionada em campo.
Apesar do peso do serviço búlgaro e do ambiente fervilhante nas bancadas, Kelton considera que a equipa soube desfrutar do contexto e crescer sob pressão:
“Conseguimos estar mais confortáveis, menos nervosos e fomos um bocadinho mais consistentes do que ontem. É esse crescimento e essa consistência que precisamos de levar para o jogo de domingo, de forma a condicionar o adversário e criar-lhe sérias dificuldades.”
Alexandre Ferreira: “O mais importante
é que a equipa está a crescer“.
Atirando que “foi o público da Bulgária que nos deu um bocadinho de força”, o capitão de Portugal apontou a diferença física no serviço do opositor como o fator determinante para o desfecho da partida, mas fez questão de sublinhar a clara subida de rendimento coletivo em relação à estreia com os campeões europeus. Olhando já para o dia de descanso antes do embate com Israel, Alex garante que a moral do grupo se mantém em alta:
“Temos agora um dia importante para descansar e afinar os detalhes que precisamos de melhorar. Estou super confiante depois do que fizemos nestes dois jogos, independentemente dos resultados. O saldo é positivo porque existiu um crescimento individual e da equipa, e vamos dar tudo nos jogos que realmente têm significado para as nossas contas.”
O EuroVolley 2026 está a decorrer, até 29 de setembro, na Bulgária, Finlândia, Itália e Roménia.
A estreia de Portugal aconteceu frente ao adversário mais duro da Pool B: a Polónia, atual campeã europeia, líder do ranking mundial e vencedora da Liga das Nações.
No domingo, o embate será (14h00/RTP 2/RTP Play) com Israel.
A arbitragem portuguesa está representada no EuroVolley 2026 por Vítor Gonçalves (AV Porto).
Portugal com caminho sólido e consistente
A Seleção Nacional de Seniores Masculinos atravessa uma das etapas mais sólidas e consistentes da sua história, destacando-se de forma muito especial no contexto continental. O grande marco desta era recente é a sua quarta participação consecutiva na fase final do Campeonato da Europa, um feito inédito que consolida Portugal no grupo das seleções habituais da elite europeia.
O percurso no EuroVolley começou muito cedo, ainda no século passado, com presenças por convite que resultaram num 4.º lugar em 1948 e num 7.º lugar em 1951. Já na era moderna, após apuramentos pontuais em 2005 (10.º lugar) e 2011 (14.º lugar), a seleção encetou a sua atual e memorável sequência de presenças consecutivas. Esta fase de afirmação iniciou-se em 2019 com o regresso às fases finais (20.º lugar) e prosseguiu em 2021, ano em que Portugal garantiu a qualificação no 1.º lugar da sua pool apenas com vitórias, terminando no 15.º posto na fase final. A evolução manteve-se ascendente em 2023, ano em que a equipa das quinas alcançou um excelente 10.º lugar na prova dividida por Itália, Macedónia do Norte, Bulgária e Israel. O ciclo culmina com o apuramento direto para a fase final de 2026, a ser disputada na Roménia, Bulgária, Finlândia e Itália, carimbando em definitivo a quarta presença consecutiva na grande festa do voleibol europeu.
Paralelamente ao sucesso europeu, o historial português conta com momentos de elevado gabarito a nível mundial. Em Campeonatos do Mundo, Portugal soma três presenças: a estreia em 1956 com um 15.º lugar, a inesquecível campanha de 2002 na Argentina com a conquista de um histórico 8.º lugar – o melhor registo de sempre –, e mais recentemente a participação em 2025 nas Filipinas, onde terminou no 16.º posto.
Nas grandes ligas globais de seleções, a representação nacional também deixou forte marca. A seleção registou catorze participações na fase intercontinental da antiga Liga Mundial, destacando-se os brilhantes 5.ºs lugares alcançados em 2005 e em 2014 (no Grupo 2). Este trajeto culminou na presença na elite mundial da Volleyball Nations League (VNL) em 2019, onde alcançou o 15.º lugar, vaga essa conquistada após a vitória na Volleyball Challenger Cup em 2018.
Por fim, o percurso na Liga Europeia e European Golden League reflete a regularidade competitiva da equipa no verão internacional. Além das participações recentes entre 2021 e 2025 (com destaque para dois 5.ºs lugares em 2022 e 2023 e um 7.º em 2025) e do 12.º lugar na Liga Europeia em 2026, a história da competição guarda momentos de glória para Portugal, incluindo a conquista do título em 2010 em Guadalajara, o 2.º lugar em 2007 e o 3.º lugar em 2009, ambos alcançados em Portimão.
Comitiva
Chefe de Delegação – Mário Oliveira
Treinador Principal – João José
Treinador Adjunto – Manuel Silva
Treinador Adjunto – Mário Martins
Scouter – Gonçalo Arezes
Médico – Ricardo Aido
Fisioterapeuta – Hélder Vasco
Preparador Físico – Miguel Vieira
Media – Murilo Augusto
Atletas convocados*
1 – Diogo Fevereiro (SL Benfica) – Distribuidor
2 – Kelton Tavares (Sporting CP) – Central
4 – Filip Cveticanin (SCM Zalau/Roménia) – Central
5 – Gonçalo Gomes (Vitória SC) – Libero
6 – Alexandre Ferreira (Tokyo Great Bears/Japão) – Zona 4/Oposto
7 – Guilherme Menezes (SC Espinho) – Central
8 – Manuel Figueiredo (Volley Nafaels/Suíça) – Zona 4
10 – Gonçalo Sousa (Sporting CP) – Libero
12 – Lourenço Martins (Sporting CP) – Zona 4
14 – Rodrigo Costa (Castêlo da Maia GC)
16 – Tomás Teixeira (SL Benfica) – Zona 4
17 – Bruno Dias (Tourcoing VB/França) – Distribuidor
21 – André Pereira (Martigues VB/França) – Zona 4
22 – Nuno Teixeira (Vitória SC) – Central
*Clube em 2025/2026
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