EXCELENTE IMAGEM NA DESPEDIDA!

As «heroínas de Baku» com excelente exibição frente à Polónia

A Seleção Nacional de Seniores Femininos despediu-se da melhor forma que lhe foi possível do CEV EuroVolley 2026, com uma exibição de gala que ficará certamente na memória das poderosas polacas e do seu credenciado técnico, o italiano Stefano Lavarini.

Com uma exibição avassaladora de Magdalena Stysiak, impressionante oposta de 2,02 metros de altura, no ataque, a seleção polaca acabou por vencer em sets diretos, apesar da réplica valente da equipa lusa no parcial decisivo.
A eliminação – que lhe dá um histórico posto entre as 16 melhores equipas da Europa – consumou-se ao cair perante a poderosa congénere da Polónia, que venceu por 3-0 (25-18, 25-17 e 25-23), nos oitavos de final disputados no Sinan Erdem Sports Hall, em Istambul.

Contra uma seleção, atual 5.ª classificada do ranking FIVB, que comete muito poucos erros e luta por todas as bolas, Portugal jogou com garra, fez valer as suas armas ofensivas e acabou o jogo em crescendo, tendo faltado — porque era bem merecido — um triunfo no terceiro set.

Desde os momentos iniciais, a Polónia procurou ditar o ritmo de jogo através da sua superioridade física e poder de fogo na rede. Lideradas por Magdalena Stysiak — autora de 22 pontos e figura marcante do jogo —, as polacas entraram em força no parcial inaugural (5-1) e geriram a vantagem (13-10), criando rapidamente desequilíbrios na defesa lusa. A superioridade nas ações junto à rede fez a Polónia cavalgar até aos 20-11, registando uma eficácia atacante impressionante de 62% (16 ataques concretizados em 26 tentativas) para fechar o primeiro set por 25-18 em 26 minutos.

No segundo parcial, as portuguesas conseguiram reduzir drasticamente o número de erros não forçados e estabilizar o seu primeiro toque, registando índices de recepção positiva francamente superiores aos da Polónia ao longo de toda a partida (41% de recepção positiva e 29% excelente em Portugal, contra 29% e 16% das polacas). Essa melhoria refletiu-se no marcador, que Portugal comandou até aos 12-9. Contudo, a reação polaca, alicerçada na solidez do seu bloco, na central Magdalena Jurczyk (8 pontos, com 75% de eficácia no ataque) e no rendimento de Magdalena Stysiak e Julita Piasecka — as melhores pontuadoras até aí, com 15 e 11 pontos, contra os 7 de Amanda Cavalcanti e os 6 de Alice Clemente e Júlia Kavalenka —, virou o cenário, permitindo à Polónia fechar o set por 25-17 em 27 minutos.

Foi no terceiro set que Portugal exibiu a sua melhor versão da noite. Com o serviço a funcionar finalmente em pleno, a equipa orientada por Hugo Silva entrou de rompante: os ases de Mariana Garcez e os ataques de Alice Clemente (9 pontos no jogo) construíram uma vantagem fulgurante de 6-0! A resposta polaca foi violenta e a igualdade (6-6) foi restabelecida no ataque por Magdalena Stysiak. Sem virar a cara à luta, a Seleção Nacional voltou à carga com um bloco de Joana Garcez (10-8) e dilatou a margem com amortis e ataques de Alice Clemente (14-11).
Novo assomo polaco e um bloco a travar o ímpeto lusitano fixaram tudo em 14-14, mas um ataque de Ana Rui Monteiro manteve bem altas as esperanças (18-16). Numa fase em que as polacas, abaladas com a ousadia lusa e algo nervosas, desperdiçaram ataques, Portugal fugiu para uns empolgantes 20-16, assumindo a liderança em momentos fulcrais da pontuação (21-20). Contudo, um serviço direto de Maja Koput devolveu a igualdade ao marcador (20-20) e, na reta final, a frieza polaca e a superioridade no bloco – capítulo onde a Polónia venceu por 8-2 no cômputo geral – acabaram por fazer a diferença, selando o parcial em 25-23 ao fim de 35 minutos de intensa luta.

Apesar da diferença no marcador e no poder de fogo atacante (49% de eficácia polaca contra 33% lusa), a equipa portuguesa destacou-se pela agressividade no serviço (5 ases contra 2 da Polónia), tendo em Júlia Kavalenka a sua maior pontuadora (10 pontos), secundada por Amanda Cavalcanti (8 pontos com 53% de eficácia). Ver estatística AQUI
A prestação lusa deixa notas de grande evolução técnica e mental: frente a uma das maiores potências em ascensão do voleibol mundial, Portugal demonstrou organização e enorme capacidade de resposta, terminando o torneio de cabeça erguida.

Selecionador e capitã exaltam prestação histórica:
“Temos de ficar todos orgulhosos destas guerreiras”

A eliminação perante a Polónia nos oitavos de final do EuroVolley 2026 deixou um sentimento claro no seio da Seleção Nacional feminina: o orgulho pelo caminho percorrido supera o amargor da derrota. Em Istambul, tanto o selecionador Hugo Silva como a capitã Ana Figueiras sublinharam a dimensão histórica da campanha lusa e a evolução demonstrada frente a uma das maiores potências mundiais da modalidade.

O selecionador nacional destacou a transformação radical da equipa num curto espaço de tempo. “Não podemos esquecer o que é que era esta seleção há três meses e como a viam na Imprensa”, começou por recordar Hugo Silva. “A verdade é que nos batemos muito bem. Batemo-nos com uma das melhores seleções do mundo, tivemos fases brilhantes de jogo, do melhor que há na Europa. Falta um bocadinho de consistência e passar muitas vezes por estas situações para que estes momentos finais de set não aconteçam”, analisou.

Apesar do amargo de boca por ter deixado fugir vantagens parciais no marcador, o técnico preferiu focar-se no impacto global da prestação portuguesa: “Como treinador, olhando para o resultado de 6-0 e perder essa vantagem, nunca se fica contente. Mas temos de saber quem está do outro lado. Faço um balanço brilhante. Acho que mexeu com o nosso país: Portugal parou para ver estas guerreiras a competir entre os melhores, algo inédito no voleibol feminino. Chegar cá pela primeira vez, jogar olhos nos olhos e discutir um lugar com elas é para ficarmos todos orgulhosos”.

Visão idêntica foi partilhada por Ana Figueiras. A distribuidora e capitã da Seleção Nacional admitiu as dificuldades em entrar na partida, mas vincou o cumprimento dos objetivos traçados.
“Custou-nos muito entrar no ritmo do jogo e demorámos tempo a estar soltas. Nesses momentos falta-nos a experiência de nos conseguirmos aguentar na vantagem. Tivemos muitos momentos de três ou quatro erros seguidos que nos tiraram a margem que tínhamos adquirido”, explicou a jogadora.

Contudo, ao fazer a retrospectiva da competição, Ana Figueiras destacou a importância do trajeto:
“O balanço é bastante positivo. Vínhamos com o objetivo de ganhar dois jogos, algo que nunca tinha sido feito, e conseguimo-lo. Lutámos de igual para igual contra uma equipa como a Polónia e só nos pode encher de orgulho. Todo o processo que se iniciou desde de maio, fez sentido”.

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