Cartão Branco volta a brilhar nos escalões de formação
Ao últimos fins de semana ficaram marcados por diversos gestos de desportivismo e honestidade nos pavilhões de voleibol portugueses, reafirmando a modalidade como um baluarte da ética desportiva. Através da amostragem do Cartão Branco, árbitros e intervenientes demonstraram que os valores humanos continuam a sobrepor-se à simples procura pelo resultado.
Um dos momentos de maior destaque ocorreu no Campeonato Nacional de Juniores Masculinos B1, no embate entre a AA S. Mamede e o Esmoriz GC. O árbitro Paulo Gavina (AV Porto) utilizou o cartão de fair-play em duas ocasiões distintas para premiar a honestidade dos atletas. No terceiro set, com o marcador em 11:14, o jogador n.º 14 do Esmoriz GC, Gonçalo Ferreira, assumiu um toque no bloco que tinha passado despercebido à equipa de arbitragem, levando à reversão da decisão inicial. O cenário repetiu-se no quarto set, aos 2:7, desta vez com Francisco Ferraz, n.º 16 da AA S. Mamede (na foto), a admitir um toque semelhante, sendo igualmente distinguido pela sua integridade.
A integridade também se fez sentir nos escalões de base femininos. Num encontro entre o GDU Ericeirense e o PelAmora SC (Iniciados Femininos), a jovem Emília Santos (GDUE) protagonizou um dos momentos mais marcantes da jornada. Após um serviço da equipa adversária, a bola saiu pela linha de fundo, parecendo um ponto claro para a equipa da casa. Contudo, enquanto todos celebravam, Emília chamou a atenção do árbitro Hugo Rebordão (AV Lisboa), sinalizando que a bola lhe tinha tocado no braço antes de sair. Pela sua coragem e honestidade, Emília foi distinguida com o Cartão Branco, recebendo uma ovação de pé de todos os presentes no pavilhão da escola EB Carvoeira.
No escalão de Juniores Femininos, no jogo entre o Castêlo da Maia GC e o SC Braga, a ética partiu do banco de suplentes. Perante uma dúvida do árbitro Hélder Lainho (AV Porto) sobre uma bola no fundo do campo do SC Braga, que resultaria num ponto nulo por falta de visibilidade, a treinadora bracarense Beatriz Barros interveio de imediato. A técnica indicou que a bola tinha sido dentro, abdicando do benefício da dúvida em prol da verdade desportiva, um gesto prontamente assinalado com o Cartão Branco.
Ainda no mesmo dia, 3 de maio, durante a Fase Final de Juniores Masculinos, o treinador Jorge Coelho, do Clube Nacional de Ginástica (CNG), foi também distinguido com o Cartão Branco pelo árbitro Luís Meireles (AV Porto) no encontro frente ao CV Oeiras, reforçando a postura exemplar que tem sido comum entre os técnicos da formação nacional.
Recorde-se que a Federação Portuguesa de Voleibol (FPV) foi, em 2025, uma vez mais, agraciada com o Prémio Cartão Branco – Entidades pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), no âmbito do Plano Nacional de Ética no Desporto. A distinção reconheceu as organizações que mais se destacaram na promoção do Cartão Branco e dos valores éticos no desporto durante a época 2024/2025.
Este é um reconhecimento repetido para a FPV, que já havia sido premiada na categoria de Entidades na época 2022/2023, cimentando o seu compromisso contínuo com o fair-play e as boas práticas.
O Cartão Branco é, portanto, mais do que uma simples cartolina; é uma ferramenta poderosa que fortalece a cultura desportiva, incentivando a ética, o respeito e a solidariedade em todas as suas formas. Ao premiar estas atitudes, a FPV e o IPDJ estão a construir um futuro para o Voleibol e para o Desporto português, onde os valores humanos são tão importantes como a performance em campo.
O Cartão Branco é um recurso pedagógico pioneiro em Portugal implementado pelo IPDJ,
no âmbito da intervenção e prossecução dos objectivos do Plano Nacional de Ética no Desporto.
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