Macedónia do Norte surpreende (3-0) Israel
Diz a voz popular que «quem espera sempre alcança» e o famoso provérbio nunca foi tão verdadeiro nesta edição do Campeonato da Europa de Seniores Masculinos.
Após a derrota pela margem mínima com Israel e a vitória averbada ontem pela margem máxima diante da Macedónia do Norte, a Seleção Nacional aguardava hoje, com expectativa e alguma dose de esperança, que os macedónios cometessem a proeza de bater, por qualquer resultado, os israelitas. Quem ninguém conseguia prever é que isso acontecesse mesmo e de forma implacável, logo pela diferença maior, 3-0, e com parciais de 25-21, 25-23 e 25-22, sem apelo nem agravo.
Este resultado precioso para os macedónios, que selaram a sua participação no EuroVolley com um triunfo e de cabeça erguida, calando quem os via como «bombos da festa», é ainda mais recompensador para os portugueses, que voltam a apurar-se para os oitavos de final de um Europeu.
A apadrinhá-los na entrada, agendada para domingo, para o grupo restrito das 16 melhores seleções europeias, Portugal terá a França, uma das maiores potências do voleibol da atualidade. O jogo está agendado para as 17h00 de domingo, na Arena de Sófia,
Defrontar os irredutíveis gauleses será o prémio merecido para uma Seleção Nacional que mostrou resiliência pura perante as contrariedades – como as baixas (lesão ou ausência) forçadas na equipa –, e um estoicismo de ferro ao bater-se de igual para igual contra gigantes como a Polónia e a Bulgária.
“Recuperar o foco” para o que se segue…
Após o apuramento da Seleção Nacional para a fase seguinte da competição, o Selecionador Nacional João José fez o balanço dos momentos de incerteza e da caminhada exigente da equipa, projetando já o próximo desafio.
Reconhecendo a tensão vivida nas últimas horas enquanto dependiam de terceiros, João José admitiu que “quando se está dependente dos outros, fica sempre um pouco assim”. No entanto, destacou a essência do desporto, afirmando que “se fosse de outra forma, seria outra coisa qualquer e não movimentava as multidões que consegue movimentar”.
Durante o jogo decisivo, o técnico optou por acompanhar o encontro a partir dos bastidores com a equipa técnica, mantendo as suas rotinas habituais e superstições, sem se envolver em demasia no imediato. Sobre a celebração dos atletas, ressalvou que este feito é relevante tanto a nível emocional como ao nível da experiência, sublinhando que a equipa conseguiu atingir um objetivo que “parecia estar longe e afinal sempre conseguimos alcançar”. Segundo o selecionador, importa agora “trazer para nós as coisas boas que aconteceram” e “recuperar o foco” para o que se segue.
Numa análise ao percurso da equipa, o treinador lembrou que Portugal enfrentou um calendário bastante exigente. A seleção começou por defrontar a Polónia e a Bulgária, adversários extremamente fortes, seguindo-se o embate com Israel num curto espaço de tempo. Apesar do desgaste físico e dos desaires, João José realçou a capacidade de resposta do grupo, que manteve a confiança e a identidade de jogo. Essa postura permitiu assinar uma exibição equilibrada frente à Ucrânia e chegar ao duelo decisivo com a Macedónia do Norte com a ambição necessária para garantir a qualificação.
“Trabalhámos até ao final, até ao último dia, até ao último momento, de forma a conseguirmos atingir esse objetivo”, sublinhou o técnico.
De olhos postos no próximo compromisso, agendado para domingo – onde Portugal, 4.º classificado da Pool B, irá cruzar-se com a França, 1.º classificada da Pool D –, João José perspetivou um encontro exigente contra uma das potências europeias. O selecionador defende que o caminho passa por manter o nível de jogo durante períodos mais prolongados:
“O que temos de conseguir fazer é aquilo que fazemos melhor durante mais tempo, com adversários que nos vão colocar maiores problemas também durante mais tempo”.
O técnico explicou que, diante de equipas do patamar da Polónia, Bulgária ou Ucrânia, a seleção conseguiu impor a sua identidade, acabando por ceder apenas devido à superioridade dos oponentes na fase final dos encontros. Contudo, mostra-se convicto de que é possível prolongar esse rendimento competitivo e assegura que é com esse propósito que a equipa vai trabalhar nos dias de preparação que antecedem a partida.
… Um adversário poderoso
Orientada atualmente pelo italiano Andrea Giani, ao longo dos últimos anos a França tem vindo a construir um percurso notável, consolidando-se como uma das maiores potências do torneio anual de elite da modalidade. Na extinta Liga Mundial, os franceses conquistaram os seus primeiros grandes títulos globais em 2015 e 2017, além de terem garantido uma medalha de prata em 2006 e uma de bronze em 2016.
Com a transição para o formato da Liga das Nações (VNL), o sucesso continuou evidente. A França sagrou-se campeã da VNL em 2022 e repetiu o feito em 2024, ano em que o título serviu de rampa de lançamento para o ouro olímpico em Paris. O palmarés francês na VNL conta ainda com uma medalha de prata conquistada na edição inaugural de 2018 e uma medalha de bronze alcançada em 2021.
No cenário continental, o historial da França no Campeonato da Europa (EuroVolley) é longo e marcado por uma presença regular nos pódios desde as primeiras edições da prova. O ponto alto da história francesa no torneio aconteceu em 2015, quando a icónica geração conquistou a primeira e única medalha de ouro do país ao vencer a Eslovénia na final por três sets a zero. Antes dessa glória, os franceses já tinham batido na trave várias vezes, acumulando quatro medalhas de prata em 1948, 1987, 2003 e 2009.
A seleção gaulesa também subiu ao terceiro degrau do pódio europeu em duas ocasiões, arrecadando as medalhas de bronze nos anos de 1951 e 1985, o que demonstra uma regularidade competitiva que atravessa várias décadas e diferentes gerações de atletas.
O EuroVolley 2026 está a decorrer, até 29 de setembro, na Bulgária, Finlândia, Itália e Roménia. A arbitragem portuguesa está representada no EuroVolley 2026 por Vítor Gonçalves (AV Porto).
Comitiva
Chefe de Delegação – Mário Oliveira
Treinador Principal – João José
Treinador Adjunto – Manuel Silva
Treinador Adjunto – Mário Martins
Scouter – Gonçalo Arezes
Médico – Ricardo Aido
Fisioterapeuta – Hélder Vasco
Preparador Físico – Miguel Vieira
Media – Murilo Augusto
Atletas convocados*
1 – Diogo Fevereiro (SL Benfica) – Distribuidor
2 – Kelton Tavares (Sporting CP) – Central
4 – Filip Cveticanin (SCM Zalau/Roménia) – Central
5 – Gonçalo Gomes (Vitória SC) – Libero
6 – Alexandre Ferreira (Tokyo Great Bears/Japão) – Zona 4/Oposto
7 – Guilherme Menezes (SC Espinho) – Central
8 – Manuel Figueiredo (Volley Nafaels/Suíça) – Zona 4
10 – Gonçalo Sousa (Sporting CP) – Libero
12 – Lourenço Martins (Sporting CP) – Zona 4
14 – Rodrigo Costa (Castêlo da Maia GC)
16 – Tomás Teixeira (SL Benfica) – Zona 4
17 – Bruno Dias (Tourcoing VB/França) – Distribuidor
21 – André Pereira (Martigues VB/França) – Zona 4
22 – Nuno Teixeira (Vitória SC) – Central
*Clube em 2025/2026
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