Portugal faz história frente a Espanha e renova o sonho dos oitavos de final no EuroVolley 2026
A Seleção Nacional de Seniores Femininos entrou para a história da modalidade ao celebrar hoje a sua primeira vitória em fases finais do Campeonato da Europa, após vencer a Espanha por 3-1 (24-26, 25-23, 25-19 e 25-20), em jogo a contar para a Pool C do CEV Trendyol EuroVolley 2026, disputado na National Gymnastics Arena, em Baku.
Com este resultado, a equipa orientada por Hugo Silva mantém-se em plena discussão pelo quarto lugar – que garante a passagem aos oitavos de final –, dependendo apenas de si própria no duelo decisivo de amanhã (15h30) frente à Roménia. Por seu lado, embora continue sem somar qualquer triunfo, a Espanha mantém ainda ténues hipóteses matemáticas de apuramento.
Apesar de uma entrada hesitante no encontro, a seleção lusa demonstrou enorme resiliência emocional e superioridade nos momentos-chave da partida. No primeiro set, a Espanha assumiu a iniciativa e construiu uma vantagem confortável de 8-3, ampliando-a até aos 17-11. Portugal encetou então uma grande recuperação, anulando desvantagens sucessivas (10-15, 19-22 e 21-23) até igualar a 23-23 e, mais tarde, a 24-24, salvando o primeiro set point espanhol e forçando as vantagens. Contudo, um ataque para fora no segundo ponto decisivo entregou a vitória no parcial à Espanha por 24-26, desfecho que acabou por não premiar os 17 pontos de ataque (46% de eficácia) registados pelas portuguesas.
O segundo set funcionou quase como uma imagem espelhada do anterior. Portugal subiu significativamente o rendimento no serviço e no bloco, dominando o marcador (8-4, 16-8, 20-12 e 21-15) e fixando uma distância máxima de oito pontos. Na reta final, a seleção espanhola tentou uma réplica que ficou muito perto de ter sucesso, anulando dois dos três set points que Portugal dispunha aos 24-21. No entanto, valeu a firmeza lusa nos pontos decisivos e um novo ataque espanhol para fora permitiu fechar o parcial em 25-23, impulsionado por 3 blocos diretos e 2 ases.
A reviravolta no marcador confirmou-se no terceiro set. Após um equilíbrio inicial até ao 13-11 favorável à Espanha, a seleção portuguesa reduziu drasticamente os erros não forçados – registando zero falhas na receção e mantendo 41% de eficácia no ataque – e disparou com um parcial avassalador de 8-1 (passando por 16-14 e 21-16). A zona 4 Ana Monteiro, que entrou para o seis base a partir do segundo set, assumiu o protagonismo e guiou a equipa a um fecho convincente por 25-19, assinado pela própria num ataque decisivo.
No quarto e último set, a supremacia portuguesa na rede fez toda a diferença. Com Ana Monteiro a liderar as ações ofensivas e o bloco luso em grande destaque – somando 6 pontos neste fundamento, três dos quais pela central Amanda Cavalcanti –, Portugal controlou as operações desde cedo (8-5, 16-13 e 21-19). A Espanha ainda ensaiou uma resposta ao empatar momentaneamente a 16-16, mas não travou o discernimento português. Ana Monteiro garantiu o match point no 24-19 com um ataque certeiro e Cavalcanti carimbou a vitória final por 25-20 num ataque rápido pelo centro.
Na análise estatística global, Portugal superiorizou-se ao totalizar 78 pontos diretos contra 65 da Espanha. A seleção lusa destacou-se no capítulo ofensivo (61 pontos de ataque com 42% de eficácia contra 58 pontos a 37% do adversário) e, sobretudo, no bloco, estabelecendo uma clara vantagem de 13 blocos diretos contra apenas 5 das espanholas. No serviço, Portugal registou 4 ases contra 2 da Espanha.
Em termos individuais, a oposta Júlia Kavalenka (53% de eficácia ofensiva) e a zona 4 Ana Monteiro (18 pontos no ataque) dividiram o estatuto de melhores pontuadoras da Seleção Nacional, com 19 pontos cada. Alice Clemente contribuiu com 13 pontos, enquanto Amanda Cavalcanti e Joana Garcez desempenharam papéis fulcrais na rede, somando 4 e 2 blocos diretos, respetivamente.
Do lado espanhol, a zona 4 Ana Escamilla cotou-se como a melhor pontuadora do encontro, com 22 pontos, secundada pela oposta Julia De Paula Viana (15 pontos) e por Maria Priscilla Schlegel Mosegui (12 pontos). Ver estatística AQUI
No final, Hugo Silva, Selecionador Nacional, salientou:
“O resultado histórico vale o que vale; acima de tudo, acho que é um dia muito importante porque a equipa já merecia este prémio, por aquilo que tem feito, pela resiliência que tem demonstrado e por ter continuado a acreditar que é possível melhorar e é possível atingir aquilo que era o nosso desiderato. Esta é uma vitória importante na caminhada a que nos propusemos, mesmo sendo muito ambiciosa, e agora estamos a um jogo de conseguir algo de facto e que, sim, pode ser marcante para todos.
Vamos ver… a concentração no nosso objetivo tem que ser ainda mais importante do que foi para este jogo; as coisas que falhámos hoje não podemos falhar amanhã.
A Roménia é, acima de tudo, uma equipa mais experiente, mais rotinada nestes momentos importantes, em que é preciso gerir melhor as emoções, e portanto é um pouco esse jogo que nós temos de tentar também fazer: gerir bem as emoções e colocar a qualidade do jogo que temos vindo a colocar até aqui.
Até agora, discutimos os jogos com todas as seleções, mas o jogo inaugural pesou mais, pois era um jogo em que tínhamos condições, e mesmo obrigação, perante aquilo que foi o desenrolar do jogo, de ganhar. Nos jogos seguintes, com seleções muito fortes, lutámos pelos sets, discutimos alguns sets e falhámos nos momentos onde a maturidade de facto pode fazer a diferença, mas essa maturidade e experiência só se conseguem passando por estes momentos”.
Ana Rui Monteiro, zona 4 de Portugal, que rubricou 19 pontos:
“Estou muito contente, por mim e por toda a equipa, por todo o esforço e empenho que nós temos tido durante este mês de preparação do Europeu.
Entrámos a perder, mas nos últimos jogos já tínhamos estado nessa posição, já tínhamos conseguido dar a volta, mas continuava a faltar-nos manter essa consistência e hoje conseguimos fazê-lo. Hoje fomos atrás, conseguimos recuperar e desde aí não tirámos o pé do acelerador e conseguimos aqui uma vitória histórica. Estamos muito contentes.
Amanhã, enfrentamos a Roménia e claro que não queremos parar por aqui. Amanhã é uma final e finais nós já sabemos como é que se jogam. Temos experiência com a Silver League, a equipa está preparada, estamos todas muito focadas, muito confiantes que amanhã isto vai dar para nós.”
A oposta Júlia Kavalenka, também contribuiu com 19 pontos para a vitória histórica:
“Acho que é um dia muito importante porque demonstra que o Voleibol em Portugal está a crescer cada vez mais e acho que esta vitória serve para continuamos a acreditar em nós, continuamos a acreditar que temos capacidades para jogar de igual para igual com equipas que podem estar acima de nós no ranking ou disputam competições acima das nossas.
Principalmente para aquelas pessoas que duvidaram de nós, acho que foi uma boa vitória para demonstrar que temos capacidade para nos batermos contra quem quisermos. Foi uma boa vitória, fizemos história, mas não acabou, amanhã há mais. Continuamos na luta e temos de continuar com os pés bem assentes na terra, pois amanhã vai ser outro jogo decisivo.”.
A fase final do EuroVolley decorre até ao dia 6 de setembro e divide-se por quatro países: Turquia (Pool A), Chéquia (Pool B), Azerbaijão (Pool C) e Suécia (Pool D). A seleção portuguesa, que garantiu a sua segunda presença da história na competição como uma das melhores segundas classificadas da fase de qualificação, integra um Grupo C bastante exigente em Baku, onde medirá forças com os Países Baixos (bronze europeu e 6.ª do ranking mundial), Bélgica (11.ª do ranking mundial), Roménia, Espanha e o anfitrião Azerbaijão.
Como curiosidade da competitividade neste EuroVolley, a oposta sueca Isabelle Haak fixou (para já) o recorde de pontos do Europeu nuns incríveis 52 pontos, quebrando o seu próprio máximo por dez pontos. no mesmo jogo, a croata Samanta Fabris rubricou 33 pontos.
Este jogo, que contou com a arbitragem da portuguesa Raquel Portela, teve duas horas e 11 minutos de duração e o resultado de Suécia x Croácia, 3–2 (16–25, 22–25, 25–19, 25–16 e 23–21).
A arbitragem portuguesa tem estado em destaque desde a jornada inaugural do Campeonato da Europa. Raquel Portela dirigiu, como 1.º árbitro, o jogo de abertura oficial da competição, realizado em Gotemburgo, na Suécia.
A representação da arbitragem nacional no EuroVolley 2026 completa-se com a presença de Avelino Azevedo, Presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Voleibol, que desempenha funções no torneio como Delegado de Arbitragem da Confederação Europeia de Voleibol (CEV).
Os jogos da seleção nacional contam com transmissão em direto na RTP2 e na plataforma RTP Play.
As 14 escolhidas
𝗖𝗲𝗻𝘁𝗿𝗮𝗶𝘀
Amanda Cavalcanti
Joana Garcez
Raissa Cassamá
𝗟𝗶́𝗯𝗲𝗿𝗼𝘀
Matilde Calado
Rita Campos
𝗢𝗽𝗼𝘀𝘁𝗮𝘀
Júlia Kavalenka
Maria Reis Lopes
𝗗𝗶𝘀𝘁𝗿𝗶𝗯𝘂𝗶𝗱𝗼𝗿𝗮𝘀
Ana Figueiras
Mariana Garcez
𝗭𝗼𝗻𝗮𝘀 𝟰
Ana Rui Monteiro
Alice Clemente
Inês Campos
Margarida Maia
Joana Milho
Lista alargada da comitiva e com detalhes das atletas AQUI