CAMPEÃ EUROPEIA «PUXOU DOS GALÕES»

Portugal defronta amanhã (17h00/RTP 2/RTP Play) a Bulgária, vice-campeã mundial.

A Seleção Nacional de Seniores Masculinos iniciou a sua caminhada no CEV EuroVolley 2026 com uma derrota natural, por 0-3 (12-25, 18-25 e 20-25), frente à Polónia, campeã europeia em título.
Perante um crónico candidato a todo os cetros mundiais e europeus, a equipa orientada por João José protagonizou bons momentos de jogo, mas acabou por ceder diante da superioridade física e tática do conjunto polaco.

O parcial inaugural ficou marcado por um arranque equilibrado até aos 7-10, altura em que a equipa que ergueu o troféu de vencedora da Liga das Nações 2026 acelerou o ritmo das suas ações ofensivas. Sob a distribuição de Marcin Komenda e com a imposição física do central Bartlomiej Lemanski (2,17 metros) na rede, os campeões em título fecharam o primeiro set em 20 minutos (12-25). Neste parcial, a Polónia construiu a vantagem com três blocos e aproveitou os erros no serviço cometidos pela equipa lusa.

No segundo set, e ao contrário daquilo que tinha acontecido no parcial anterior, os portugueses entraram sem complexos e adiantaram-se no marcador (5-3), mantendo a discussão do resultado até à fase intermédia (9-9 e 12-13).
Lourenço Martins destacou-se no ataque com ações eficazes e decisivas, mas a ponta final voltou a sorrir à Polónia. Com o oposto Bartlomiej Bolądz e o zona 4 Wilfredo León, um cubano naturalizado polaco, considerado um dos melhores jogadores do mundo, em evidência na finalização, a equipa de Nikola Grbic selou o 18-25 com um ataque falhado pelos lusitanos.

A entrada no terceiro parcial não foi favorável a Portugal (1-4), mas a reação surgiu logo de seguida (7-8), impulsionada por um ataque do central Guilherme Menezes. Num set em que ambos os selecionadores aproveitaram para rodar as opções do banco, a partida manteve-se disputada até à reta final. No entanto, a maior eficácia dos polacos acabou por fechar o parcial em 20-25 e o encontro em 69 minutos de jogo.

Ao nível estatístico, a Polónia demonstrou a sua eficácia no capítulo ofensivo, somando 4 serviços diretos e 37 pontos de ataque (55% de eficácia) contra 27 de Portugal (38%). O bloco também se revelou determinante para os polacos, com 7 pontos somados contra 5 da Seleção Nacional.
Lourenço Martins destacou-se como o melhor pontuador da equipa portuguesa e do jogo, com 13 pontos (12 no ataque e 1 no bloco), enquanto do lado polaco o oposto Bartlomiej Boladz registou 9 pontos (7 no ataque, 1 no bloco e 1 no serviço). Ver estatística AQUI

João José: “Não esperamos
facilidades de nenhum adversário
“.

O Selecionador Nacional João José começou por destacar a capacidade de reação da equipa após um primeiro set menos conseguido:
A Polónia foi superior, como seria de esperar. Podíamos ter entrado melhor no primeiro set, mas corrigimos aspetos decisivos no segundo e no terceiro parciais, o que nos permitiu equilibrar o marcador em vários momentos, embora não tenha sido suficiente. Mantivemo-nos organizados durante parte do tempo, mas a Polónia acabou por nos desorganizar com a agressividade do seu serviço e do seu ataque. Na transição de jogo, faltou-nos aproveitar melhor as oportunidades criadas para fechar os sets a nosso favor. Agora, o foco está em amanhã: um novo dia, com o mesmo objetivo.”

Abordando a perspectiva de defrontar a equipa da casa sob um ambiente adverso no Arena de Sófia (Arena 8888), o treinador desvalorizou a pressão e apontou à superação:
Jogar num pavilhão cheio tem de ser uma motivação. Treinamos e jogamos para viver estes ambientes. Claro que preferíamos jogar em nossa casa, mas defrontar uma equipa no seu próprio pavilhão dá-nos um gosto especial. Amanhã será um jogo igualmente exigente, tal como os que se vão seguir até ao fim do grupo. Não esperamos facilidades de nenhum adversário.”

O treinador luso fez ainda um balanço dos aspetos táticos mais positivos que a equipa deve reter para as próximas partidas:
“O grande ganho deste jogo esteve nos momentos em que nos mantivemos organizados perante uma seleção com este poderio físico. Em situação de side-out e ataque organizado fomos, ainda que por momentos, superiores à Polónia e conseguimos fechar os pontos. Onde ainda oscilamos é no ataque de transição, quando o jogo fica mais desorganizado. Tendo em conta a disparidade física, aí ficamos em desvantagem, mas provámos que temos capacidade para construir melhor e continuar a evoluir nessa fase de jogo.”

Lourenço Martins, zona 4 da Seleção Nacional e maior pontuador da partida, começou por analisar o arranque de Portugal perante a eficácia polaca:
Entrar logo a jogar contra uma equipa tão forte como a Polónia traz naturalmente alguma passividade inicial. No entanto, fomos crescendo ao longo do jogo e é exatamente essa evolução que precisamos de transportar para o encontro de amanhã com a Bulgária. Queremos chegar aos últimos três jogos da fase de grupos – onde se decide o nosso campeonato – mais bem preparados e confiantes.”

Com quatro Campeonatos da Europa no currículo, o atleta sublinhou a relevância do palco europeu para os atletas mais jovens do grupo:
Para todos os jogadores, mas em especial para os mais jovens, esta competição é uma enorme montra internacional. Todos acompanham estes jogos, por isso é a oportunidade ideal para marcarem a sua posição e mostrarem o seu valor. Hoje tivemos essa oportunidade e, de certa forma, soubemos aproveitá-la.”

Sobre o embate que se segue com a anfitriã Bulgária – estima-se que perante cerca de 12 mil espectadores –, Lourenço Martins antevê um teste exigente, mas motivador:
Amanhã teremos um desafio ainda mais interessante. A Bulgária é uma seleção em claro crescimento no panorama mundial; foram finalistas do último Campeonato do Mundo e já nos defrontámos nos oitavos de final dessa prova. Resta-nos aproveitar para evoluir, continuar a encará-los olhos nos olhos e crescer, até porque não há melhor contexto para evoluir do que jogar contra as melhores equipas do mundo.”

O EuroVolley 2026 está a decorrer, até 29 de setembro, na Bulgária, Finlândia, Itália e Roménia.
A estreia de Portugal aconteceu frente ao adversário mais duro da Pool B: a Polónia, atual campeã europeia, líder do ranking mundial e vencedora da Liga das Nações.

Amanhã, o embate será (17h00/RTP 2/RTP Play) com a Bulgária, vice-campeã mundial e anfitriã.
A fase de grupos completa-se com os confrontos frente a Israel (13 de setembro, 14h00), Ucrânia (14 de setembro, 14h00) e Macedónia do Norte (15 de setembro, 14h00). Se carimbar o apuramento para os oitavos de final, a comitiva nacional cruza com uma seleção oriunda da Pool D, constituída por Roménia, Letónia, França, Alemanha, Turquia e Suíça. Todos os jogos de Portugal podem ser seguidos em direto através da RTP 2 e ou RTP Play.

A arbitragem portuguesa está representada no EuroVolley 2026 por Vítor Gonçalves (AV Porto).

Portugal com caminho sólido e consistente

A Seleção Nacional de Seniores Masculinos atravessa uma das etapas mais sólidas e consistentes da sua história, destacando-se de forma muito especial no contexto continental. O grande marco desta era recente é a sua quarta participação consecutiva na fase final do Campeonato da Europa, um feito inédito que consolida Portugal no grupo das seleções habituais da elite europeia.

O percurso no EuroVolley começou muito cedo, ainda no século passado, com presenças por convite que resultaram num 4.º lugar em 1948 e num 7.º lugar em 1951. Já na era moderna, após apuramentos pontuais em 2005 (10.º lugar) e 2011 (14.º lugar), a seleção encetou a sua atual e memorável sequência de presenças consecutivas. Esta fase de afirmação iniciou-se em 2019 com o regresso às fases finais (20.º lugar) e prosseguiu em 2021, ano em que Portugal garantiu a qualificação no 1.º lugar da sua pool apenas com vitórias, terminando no 15.º posto na fase final. A evolução manteve-se ascendente em 2023, ano em que a equipa das quinas alcançou um excelente 10.º lugar na prova dividida por Itália, Macedónia do Norte, Bulgária e Israel. O ciclo culmina com o apuramento direto para a fase final de 2026, a ser disputada na Roménia, Bulgária, Finlândia e Itália, carimbando em definitivo a quarta presença consecutiva na grande festa do voleibol europeu.

Paralelamente ao sucesso europeu, o historial português conta com momentos de elevado gabarito a nível mundial. Em Campeonatos do Mundo, Portugal soma três presenças: a estreia em 1956 com um 15.º lugar, a inesquecível campanha de 2002 na Argentina com a conquista de um histórico 8.º lugar – o melhor registo de sempre –, e mais recentemente a participação em 2025 nas Filipinas, onde terminou no 16.º posto.

Nas grandes ligas globais de seleções, a representação nacional também deixou forte marca. A seleção registou catorze participações na fase intercontinental da antiga Liga Mundial, destacando-se os brilhantes 5.ºs lugares alcançados em 2005 e em 2014 (no Grupo 2). Este trajeto culminou na presença na elite mundial da Volleyball Nations League (VNL) em 2019, onde alcançou o 15.º lugar, vaga essa conquistada após a vitória na Volleyball Challenger Cup em 2018.

Por fim, o percurso na Liga Europeia e European Golden League reflete a regularidade competitiva da equipa no verão internacional. Além das participações recentes entre 2021 e 2025 (com destaque para dois 5.ºs lugares em 2022 e 2023 e um 7.º em 2025) e do 12.º lugar na Liga Europeia em 2026, a história da competição guarda momentos de glória para Portugal, incluindo a conquista do título em 2010 em Guadalajara, o 2.º lugar em 2007 e o 3.º lugar em 2009, ambos alcançados em Portimão.

Comitiva

Chefe de Delegação – Mário Oliveira
Treinador Principal – João José
Treinador Adjunto – Manuel Silva
Treinador Adjunto – Mário Martins
Scouter – Gonçalo Arezes
Médico – Ricardo Aido
Fisioterapeuta – Hélder Vasco
Preparador Físico – Miguel Vieira
Media – Murilo Augusto

Atletas convocados*

1 – Diogo Fevereiro (SL Benfica) – Distribuidor
2 – Kelton Tavares (Sporting CP) – Central
4 – Filip Cveticanin  (SCM Zalau/Roménia) – Central
5 – Gonçalo Gomes (Vitória SC) – Libero
6 – Alexandre Ferreira (Tokyo Great Bears/Japão) – Zona 4/Oposto
7 – Guilherme Menezes (SC Espinho) – Central
8 – Manuel Figueiredo (Volley Nafaels/Suíça) – Zona 4
10 – Gonçalo Sousa (Sporting CP) – Libero
12 – Lourenço Martins (Sporting CP) – Zona 4
14 – Rodrigo Costa (Castêlo da Maia GC)
16 – Tomás Teixeira (SL Benfica) – Zona 4
17 – Bruno Dias (Tourcoing VB/França) – Distribuidor
21 – André Pereira (Martigues VB/França) – Zona 4
22 – Nuno Teixeira (Vitória SC) – Central
*Clube em 2025/2026

Mais informações AQUI

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