Sempre a fazer História! Portugal supera Roménia e avança para os oitavos do Europeu
A Seleção Nacional de Seniores Femininos continua a escrever as páginas mais brilhantes do voleibol português. Depois da conquista da European Silver League em 2024 – o catalisador que abriu caminho para uma nova era de exigência e sucesso -, a equipa das quinas alcançou uma proeza inédita na sua segunda participação numa fase final de um Campeonato da Europa (após a estreia em 2019): o apuramento para os oitavos de final.
A qualificação ficou selada com uma vitória monumental e arrancada a ferros sobre a Roménia por 3-2 (15-25, 26-24, 20-25, 27-25 e 15-13), na última jornada da Pool C, disputada na National Gymnastics Arena, em Baku.
O arranque do encontro testou os nervos da equipa portuguesa. Algo apáticas no bloco, desconcentradas na defesa baixa e perdulárias no ataque, as lusas viram a Roménia disparar no marcador para 10-3, impulsionada pela oposta Ioana Maria Baciu. A seleção orientada por Guillermo Naranjo fechou confortavelmente o primeiro set por 25-15.
Contudo, a resposta nacional no segundo parcial foi um hino à determinação. Portugal recompôs-se e equilibrou a discussão. Apesar de a Roménia ter conquistado dois set points a 24-22, a reação lusa foi irrepreensível: com Júlia Kavalenka no serviço, altura em que Portugal conseguiu quatro pontos consecutivos, e um bloco decisivo de Amanda Cavalcanti, a Seleção igualou o jogo com um 26-24.
A história repetiu-se no terceiro parcial, com igualdades sucessivas até aos 17-16, momento em que a Roménia conquistou quatro blocos seguidos e fechou o parcial em 25-20.
Contra a parede e numa situação de “vida ou morte” na competição, Portugal sacou de toda a sua frieza no quarto set. Num final dramático, após anular um match point romeno a 23-24, a central Joana Garcez garantiu o 27-25 com um ás soberbo.
A raça no tie-break e o destino em Istambul
A decisão foi arrastada para a «negra, onde a entrega portuguesa roçou o épico. A equipa combateu por cada bola – defendendo com unhas, dentes e até com os pés -, contando com a inspiração de Amanda Cavalcanti no bloco e o poder de fogo de Margarida Maia e Júlia Kavalenka no ataque. O ponto final, num 15-13 frenético, resultou de um erro de passe desesperado do ataque romeno, desencadeando a festa lusa em Baku.
No capítulo individual, Ana Rui Monteiro e a romena Ioana Maria Baciu dividiram o estatuto de melhores pontuadoras do encontro, com 20 pontos cada. Júlia Kavalenka e Margarida Maia somaram 15 pontos cada uma, enquanto Amanda Cavalcanti rubricou 10 pontos (quatro no bloco). Ver estatística AQUI
No final, Hugo Silva, Selecionador Nacional, reconheceu:
“Eu já tive várias qualificações para os oitavos de final com os masculinos. E sem dúvida que esta é a mais marcante.
Eu acho que a feminino deixou aqui uma pegada muito importante para aquilo que é o crescimento que tanto queremos que o voleibol feminino venha a ter e, definitivamente, perceber que estas atletas têm qualidade.
O percurso que fizemos nesta preparação já ia dando indicações de que a equipa estava a praticar um bom voleibol. E que éramos capazes de lutar com estas seleções, apesar de serem melhores ranqueadas do que nós. Nós sabíamos que era possível. Sabíamos também que o lado emocional ia pesar muito e parecíamos uma equipa madura. Frente à Roménia, e ao contrário da idade que estas atletas têm, parecíamos nós a equipa madura, contra uma equipa imatura do outro lado… e era precisamente o contrário.
Eu acho que foi o prémio merecido para elas. Elas merecem bem estes festejos e esta passagem aos oitavos. E o Voleibol feminino em Portugal está de parabéns.
O jogo com a Roménia acabou por não fugir àquilo que estávamos à espera. Todas estudaram bem o adversário, sabiam o que é que tinham que fazer. Obviamente, o lado emocional, tal como disse, pesou muito. Foi necessário utilizar quase todas a jogadoras que tínhamos no banco. Elas foram muito importantes, todas elas, como vão continuar a ser sempre. E, portanto, o ajuste foi mais nesse sentido. Entrar outras, tentar resolver aquilo que não estava a ser possível resolver, mas que sabíamos como resolver. Desde o início disse que esta seleção vale pelo coletivo, nunca cai para o lado individual. E foi vitória do coletivo.”
A capitã de Portugal, Ana Figueiras, revelou o estado de alma da equipa das quinas e não se coibiu de enviar alguns recados:
“É um sentimento que ainda não dá para acreditar que nós ganhamos e conseguimos passar e fazer história mais uma vez. O grupo está muito feliz. Eu acho que este Europeu veio trazer uma união e uma energia diferente ao grupo. Toda a gente acrescenta, toda a gente sabe o seu papel e se hoje não for uma, amanhã é outra. E acho que isso se nota que estamos cada vez mais Equipa na verdadeira aceção da palavra.
Passamos muito tempo juntas e neste momento estamos a viver uma altura muito boa e estamos muito felizes com o que conquistámos.
Nós já sabíamos que a partida era um grupo difícil e que se calhar os primeiros três jogos seriam os mais difíceis. E independentemente de como começávamos a competição, que depois tínhamos de ganhar os dois últimos, se não vencêssemos o primeiro. E é preciso esta mentalidade, nós também fomos muito portugueses, que costumam deixar tudo para a última, deixar todas as decisões para o último jogo.
Mas também é bom que as pessoas em Portugal apoiem e acreditem em nós, porque vimos muitas manchetes a dizer cada vez mais longe das vitórias e nós provámos que estamos bem perto e que estamos entre as 16 melhores seleções da Europa.”
“Foi um jogo muito difícil para nós. Como equipa, todas trabalhámos juntas para vencer este jogo. A nossa relação bloco-defesa esteve bem e, especialmente, a mentalidade e o foco. Tentámos não dar nenhuma bola por perdida“, destacou a zona 4 Margarida Maia no rescaldo da partida.
Com o passaporte carimbado para os oitavos de final, a comitiva portuguesa viaja agora para a Turquia. Os jogos da próxima fase realizam-se a 31 de agosto e 1 de setembro no complexo Sinan Erdem Sports Hall, em Istambul, onde Portugal irá cruzar-se com o primeiro classificado da Pool A (potencialmente a equipa da casa, a Turquia). Independentemente do resultado do jogo de amanhã entre a Roménia e a Espanha, a história já está feita … e esta Seleção promete não ficar por aqui.
A fase final do EuroVolley decorre até ao dia 6 de setembro e divide-se por quatro países: Turquia (Pool A), Chéquia (Pool B), Azerbaijão (Pool C) e Suécia (Pool D). A seleção portuguesa, que garantiu a sua segunda presença da história na competição como uma das melhores segundas classificadas da fase de qualificação, integrou um Grupo C bastante exigente em Baku, onde mediu forças com os Países Baixos (bronze europeu e 6.ª do ranking mundial), Bélgica (11.ª do ranking mundial), Roménia, Espanha e o anfitrião Azerbaijão.
A arbitragem portuguesa tem estado em destaque desde a jornada inaugural do Campeonato da Europa. Raquel Portela dirigiu, como 1.º árbitro, o jogo de abertura oficial da competição, realizado em Gotemburgo, na Suécia.
A representação da arbitragem nacional no EuroVolley 2026 completa-se com a presença de Avelino Azevedo, Presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Voleibol, que desempenha funções no torneio como Delegado de Arbitragem da Confederação Europeia de Voleibol (CEV).
Os jogos da seleção nacional contam com transmissão em direto na RTP2 e na plataforma RTP Play.
As 14 escolhidas
𝗖𝗲𝗻𝘁𝗿𝗮𝗶𝘀
Amanda Cavalcanti
Joana Garcez
Raissa Cassamá
𝗟𝗶́𝗯𝗲𝗿𝗼𝘀
Matilde Calado
Rita Campos
𝗢𝗽𝗼𝘀𝘁𝗮𝘀
Júlia Kavalenka
Maria Reis Lopes
𝗗𝗶𝘀𝘁𝗿𝗶𝗯𝘂𝗶𝗱𝗼𝗿𝗮𝘀
Ana Figueiras
Mariana Garcez
𝗭𝗼𝗻𝗮𝘀 𝟰
Ana Rui Monteiro
Alice Clemente
Inês Campos
Margarida Maia
Joana Milho
Lista alargada da comitiva e com detalhes das atletas AQUI