Uma verdadeira caixinha de surpresas, este segundo dia de competição da fase final do Campeonato da Europa de Sub-22 Masculinos, que Portugal acolhe em Albufeira, Cidade Europeia do Desporto 2026, onde estão os jogadores do futuro do voleibol. Ao fim do segundo dia de luta, Israel apurou-se pela primeira vez na sua história para as meias-finais do Europeu.
Quanto aos restantes apurados, tudo dependerá dos resultados dos jogos de amanhã. Até Portugal, que perdeu hoje com Israel tem hipóteses de se apurar, mas está dependente do seu eventual triunfo por 3-0 ou 3-1 sobre a Ucrânia e de uma derrota pesada da Polónia às mãos dos israelitas. No outro jogo do grupo, a Ucrânia conseguiu surpreender a Polónia após uma entrada em falso e reentrou na luta, em vez de comprar o bilhete de regresso a casa.
Na Pool II, a Chéquia enfrentou a vice-campeã sem receio e acabou por somar três pontos diante da Itália, que não mostrou argumentos quando os checos conseguiram congelar, no ataque, o poder de fogo de Diego Frascio e Manuel Zlatanov, e criaram com um serviço agressivo enormes dificuldades aos transalpinos. No jogo que antecedeu o cair do pano no segundo dia de competição deste movimentado Europeu, Bulgária e França começaram por repartir os dois primeiros sets. Depois, a maior consistência dos campeões europeus veio à tona e os gauleses acabaram por assinar o seu segundo triunfo nesta edição da competição e, ao mesmo tempo, mais uma mais que possível presença nas meias-finais.
Pool I
Israel x Portugal, 3-0 (25-23, 25-18 e 25-21)
1.º Set
Israel começou o jogo, com bons blocos (2-0), mas Portugal mostrou-se à altura dos acontecimentos e, depois de igualar, passou para a frente (7-6). As combinações de ataque do distribuidor Diogo Almeida finalizavam no ataque eficaz de Ricardo Pedrosa (8-7).
Israel passou para a liderança aos 10-9. Sob a batuta de Mark Rura e Shay Liberman, aumentou o pecúlio (17-15). Quando Portugal começou a apertar com o bloco, os israelitas responderam com ataques pelos centrais Nikita Maron e Lior Kopilevich, Dois ataques consecutivos de Shay Liberman afastaram ainda mais os israelitas (21-18).
Um serviço direto de Pedro Abecasis deu novo fôlego aos portugueses (21-20), mas nos momentos decisivos os israelitas decidiam melhor e mais rápido. A um ponto do fecho (24-21), Tomás Teixeira, com um bloco, ainda deu esperança ao público português, mas um ataque de Lior Kopilevich fixou o resultado favorável aos israelitas em 25-22.
2.º Set
O segundo set começou ao ritmo de Mark Rura. O oposto israelita somou pontos no ataque e serviço e afastou a sua equipa (4-1). mais dois pontos consecutivos (ataque e serviço) do central Nikita Masron e Israel a manter a distância (7-4). e os ataques de Mark Rura a aumentá-la (10-6). O serviço agressivo de Rura ou Omri Alon criava dificuldades na recepção portuguesa, condicionando o sideout (17-10).
Portugal começou a recuperar terreno (17-13) e Noam Katz tocou a reunir com os seus jogadores.
Os serviços potentes de Shay Liberman acabaram com a resistência dos portugueses (24-17) e Israel fechou com o resultado de 25-18 novo triunfo.
3.º Set
Portugal entrou melhor no terceiro parcial, mas o equilíbrio cedo começou a ser a nota dominante (6-6, 9-9). Um serviço direto de Mark Rura afastou Israel (11-9). Israel entrou na reta final do set completamente à frente (20-15). Portugal ainda tentou a aproximação, mas os israelitas não perderiam a excelente hipótese de se qualificarem para as meias-finais: 25-21.
Os israelitas Shay Liberman e Mark Rura, respetivamente com 16 e 15 pontos foram os melhores pontuadores do jogo, seguidos do português Ricardo Pedrosa, com 12. Ver estatística AQUI
Noam Katz, treinador de Israel, mostrou-se satisfeito com a vitória histórica para o seu país:
“Primeiramente, estamos felizes com as nossas duas vitórias. Asseguramos o nosso lugar na semifinal pela primeira vez na história da Israel. Estamos muito felizes com essa conquista. Agora vamos continuar, como disse após o primeiro jogo, a trabalhar para continuar a vencer e para melhorar a nossa equipa de jogo para jogo”.
João Franco, treinador da equipa da casa, salientou:
“Provavelmente, Israel é a melhor equipa do grupo. Pelo menos tem as melhores individualidades. Foi um jogo complicado, mas muito por nós não sermos consistentes na ação de serviço.
E neste tipo de jogo mais rápido, ainda é mais importante a ação de serviço. E isso condicionou muito a nossa ação de bloco. Quem conhece o voleibol e conhece as individualidades sabia que era muito difícil fazer muito melhor nos dois jogos e eu estou supercontente com os meus jogadores“.”
Ucrânia x Polónia, 3-2 (15-25, 25-20, 21-25, 25-14 e15-13)
1.º Set
A Ucrânia precisava de ganhar, mas entrou sem determinação. Dois serviços diretos (2-0 e 6-2) davam ainda mais determinação e confiança à superioridade da Polónia. Com o bloco a funcionar com eficácia (9-3), os polacos foram-se distanciando dos ucranianos, que tardavam em acertar a sua defesa/ataque, apesar dos esforços de Maksym Tonkonoh, que era, com 4 pontos, o segundo melhor pontuador no set, apenas atrás do polaco Wojciech Gajek, com 7. A agressividade do serviço polaco continuava a destroçar a recepção ucraniana (12-5) e era quase sempre complementada pela eficácia no ataque (15-5). A força anímica dos ucranianos tardavam em subir de nível e o resultado, muito desnivelado, refletiu isso mesmo; 25-15.
2.º Set
O segundo set foi bem diferente. A Ucrânia entrou com uma atitude bem mais positiva e ambiciosa (7-3, 14-6). Parecia uma cópia do primeiro parcial, só que com as equipas a inverterem os papéis. Agora eram os polacos que não conseguiam pôr a bola no chão. A reação da equipa treinada por Piotr Graban permitiu-lhe recuperar terreno (15-10), mas foi sol de pouca dura (19-11). Dois blocos de Wojciech Dudzik ainda fizeram os polacos sonhar (21-17), mas era já tarde demais e os ucranianos fixaram o resultado em 25-20.
3.º Set
O terceiro set foi totalmente diferente dos anteriores. Começou equilibrado (6-6) e só mais ou menos a meio é que começou a mostrar um ligeiro ascendente dos polacos (14-9). A Ucrânia reagiu e um bloco do oposto Maksym Tonkonoh aproximou os dois contendores (17-15), mas a Polónia era uma equipa mais esclarecida e eficaz e de pouco valiam os poucos pontos que os ucranianos iam somando através do seu oposto (23-20). O resultado de 25-21, recompensou a atitude mais agressiva dos polacos.
4.º Set
A Ucrânia não perdeu tempo neste set decisivo. Após um pequeno braço-de-ferro nos momentos iniciais, construiu uma pequena vantagem (10-7) e procurou geri-la e até aumentá-la (17-11) com a ajuda do seu artilheiro de serviço, Maksym Tonkonoh (20-13). A Polónia baixou um pouco os braços e a Ucrânia não perdoou (25-14), levando a decisão para a «negra».
5,º Set
No derradeiro set, assistiu-se a uma montanha russa de emoções. A Ucrânia «julgou» estar a vencer por 3-1, mas o Video Check retificou para 2-2. A Polónia aproveitou e fez 6-4, com a Ucrânia a apressar-se a igualar (6-6). A Polónia conseguiu distanciar-se um pouco (12-9) e procurou agarrar a vantagem com unhas e dentes, mas a resilência dos ucranianos fez-se sentir e eles voltaram a aproximar-se e igualaram com um bloco de Maksym Tonkonoh (12-12), deixando tudo em aberto. Um bloco de Andrii Chelenyak selou o 15-13 e o primeiro e precioso triunfo da Ucrânia,
O incontornável oposto ucraniano Maksym Tonkonoh, com 34 pontos, foi o melhor pontuador do jogo, seguido do oposto polaco, Wojciech Gajek, com 22. Ver estatística AQUI
No final, o treinador ucraniano, Kostiantyn Riabukha, reconheceu:
“Este resultado é ótimo para nós, era um jogo importante e que precisávamos vencer e agora sentimos que estamos dentro da luta. E se perdermos hoje, nós teríamos de comprar um bilhete de regresso a casa.
Estamos a sentir como é realmente um Campeonato da Europa. Amanhã, tenho apenas uma certeza: não será um jogo fácil. É a equipa da casa nós temos que descansar a nível mental e físico para estarmos preparados para mais uma batalha”.
Com a classificação da Pool I a desenhar-se após o segundo dia, Israel lidera confortavelmente com 6 pontos e um bilhete garantido para as meias-finais. A Polónia segue-se com 3 pontos, a Ucrânia passa a somar 2 pontos e Portugal fecha com 1 ponto. Os últimos jogos da fase de grupos, agendados para amanhã, vão ditar quem será o segundo semifinalista, com a Polónia a defrontar Israel e a Ucrânia a medir forças com Portugal num cenário de vitória obrigatória para ambas as equipas.
Pool 2
Itália x Chéquia, 1-3 (18-25, 21-25, 25-20, 16-25)
1.º Set
A Chéquia entrou muito bem no jogo, com Antonin Klimes a fazer, no bloco, o 4-1. A Itália pagou-lhes na mesma moeda, conseguindo a igualdade, pela primeira vez, aos 7 pontos através de um bloco triplo. Nova fuga dos checos, a jogarem com desenvoltura e boas combinações de ataque (14-11), com um ataque do capitão Matej Pastrnak.
Os checos estavam a conseguir anular, com bons blocos, o poderio italiano, que normalmente tem o epicentro em Diego Frascio e em Manuel Zlatanov (16-12, 21-16). Vitória natural dos checos por 25-18, com um ataque de Stepan Svoboda.
2.º Set
Início equilibrado, com a Itália a conseguir distanciar-se com um ataque e um bloco de Pardo Mati (5-3). Malgrado o ascendente checo nas jogadas junto à rede, os italianos conseguiram manter a magra vantagem até aos 10-8, altura em que um bloco e um ataque da Chéquia a catapultaram para a igualdade. Nova pressão dos italianos e nova vantagem por dois pontos, a prolongar-se no tempo (16-14). A equipa do leste europeu passou para a liderança com duas «bombas» no serviço desferidas por Vaclav Seidl (18-16).
Em vez de crescerem, os italianos começaram a cometer erros no ataque e serviço (23-19) e os checos aproveitaram para rubricar novo triunfo: 25-21.
3.º Set
A Itália entrou com instintos de predador no terceiro parcial, dominando as ações na rede, que no bloco (6-3) quer no ataque (8-4).
Os seus serviços em potência também começavam a provocar brechas na recepção checa, mas era sobretudo no ataque que a Itália começava agora a brilhar (16-11, 20-14), por intermédio de Germak Khotsevitch e Pardo Mati.
A Chéquia não se deixou impressionar e aproximou-se (22-20) com um serviço direto, mas Pardo Mati, com dois blocos consecutivos, fixou o resultado em 25-20.
4.º Set
Noutro dos sets de tudo ou nada, a Itália entrou com tudo novamente, mas desta vez deparou-se com uma Chéquia transfigurada, para melhor, poderosa no serviço e bem mais sólida na defesa alta (5-2, 11-8). A vencer por 18-13, a Chéquia continuou a apostar em serviços agressivos que causavam mossas nos jogadores transalpinos, sobretudo a nível psicológico, pois começavam a sentir que não conseguiam contrariar a firme determinação dos seus opositores. Resultado: vitória justa da Chéquia por 3-1, com 25-16 no quarto set.
O checo Václav Seidl, com 21 pontos, e o italiano Pardo Mati, com 16, foram os melhores pontuadores do jogo. Ver estatística AQUI
O treinador checo, Michal Nekola, estava naturalmente satisfeito:
“Foi um jogo fantástico, no qual o serviço teve uma grande importância. Nos primeiros dois sets, especialmente no primeiro, fomos melhores no serviço e na defesa. O segundo foi quase, quase igual.
No terceiro set, a Itália melhorou no serviço, mas no quarto set, nós servimos como loucos, e decidimos o jogo. Agora que conseguimos os três pontos, já estamos focados no próximo jogo contra a Bulgária. Queremos vencer a Bulgária e passar às meias-finais. Esse é o nosso grande objetivo.”
Bulgária x França, 1-3 (25-19, 16-25,15-25 e 18-25 )
No jogo que encerrou o dia, a Bulgária entrou melhor, vencendo o primeiro set por 25-19, com o ponto da vitória a ser rubricado pelos próprios franceses, após um serviço desperdiçado.
No segundo set, foi a França a distanciar-se mas muito por causa dos erros dos búlgaros, tanto no serviço como no ataque. Com o central Joris Seddik a faturar, os franceses comandaram sempre o marcador (16-11, 19-13) até aos 25-16, selado com um serviço de Arthur Leynjans.
O terceiro set começou equilibrado (5-5), passou por uma fase de liderança dos búlgaros, mas depressa o prato da balança ameaçou pender decisivamente para o lado gaulês (13-10, 18-11). Os últimos pontos foram uma vez mais obra do serviço de Arthur Leynjan.
O quarto set foi o da confirmação do triunfo dos atuais campeões europeus em título e finalistas vencidos na primeira edição. Começou novamente com equilíbrio (8-8), mas depressa a França construiu uma pequena margem pontual que lhe permitiu comandar as operações até aos 25-18 finais, fixados com um bloco de Haukea Mare.
Zhasmin Velichkov, com 15 pontos, e Noa Duflos-Rossi, com 10, foram os melhores pontuadores. Ver estatística AQUI
No final, o treinador francês, Slimane Belmadi, salientou:
“No primeiro set, eu quis dar um pouco de tempo de jogo a jogadores que não jogaram muito ontem, ou que não foram muito bons ontem, para que eles recuperassem a confiança. Não tivemos eficiência no ataque. Tivemos muitas oportunidades, mas não conseguimos transformar, fazer os pontos. Depois fomos colocados um pouco em dificuldade com o seu serviço, eles serviram muito bem. Os búlgaros são muito fortes quando estão na frente do marcador, mas sabemos que eles fazem muito mais erros e estão muito mais em situação de estresse quando estão atrás…
A nossa falta de eficiência fez com que eles estivessem na frente, e depois foi um pouco difícil para nós, como não conseguimos estabilizar a recepção, então perdemos o primeiro set. Depois fizemos as mudanças, que fizeram com que os entraram fossem mais eficazes, estabilizamos um pouco a recepção também. Finalmente conseguimos jogar um pouco mais pelo centro, que é um ponto forte para nós.
Tivemos um pouco de dúvida sobre o primeiro, hoje tivemos a tendência de ir um pouco mais para as pipes, e esquecendo os centros, então deveríamos ter primeiro ficado no centro e depois jogado as pipes e o exterior. Ainda não estamos apurados porque houve um resultado surpreendente hoje, com a Itália, que perdeu, e então isso relançou o grupo, e podemos encontrar 3 equipas com 2 vitórias. Então, por enquanto, nada é certo. Amanhã vai ser o equivalente a uns oitavos-de-final, na verdade.
Para nós, vai ser necessário que os jogadores abordem o jogo como se fossem uns oitavos de final, que devemos absolutamente ganhar, para se possível terminarmos em primeiro. Então, haverá dois desafios amanhã no jogo contra a Itália, e a Itália é uma equipa muito forte, é sempre difícil jogar com a Itália, e ainda mais difícil derrotá-la”.
Com a França a liderar atualmente a Pool II com 5 pontos, a Chéquia no encalço com 4 pontos, a Itália com 3 pontos e a Bulgária já eliminada com 0 pontos, o dia de amanhã trará a atmosfera de uma autêntica eliminatória. A Chéquia procurará carimbar a sua caminhada de sonho diante da Bulgária, enquanto Itália e França se preparam para um duelo épico onde cada set contará para carimbar o passaporte rumo ao top 4.
Toda a informação em fpvoleibol.pt/eurovolley2026-sub22/
Albufeira, Cidade Europeia do Desporto 2026, está transformada no epicentro do voleibol jovem continental. Até ao dia 4 de julho, as oito melhores seleções da Europa discutem a terceira edição do EuroVolleyU22M.
Os jogos de Portugal serão transmitidos em direto na RTP2, com a Volei TV a transmitir os restantes jogos até às meias-finais, altura em que poderão ser seguidos nos meios multimédia da CEV,
Estrutura da competição e o caminho das medalhas
Portugal integra o Grupo I, juntamente com a Polónia, Israel e a forte seleção da Ucrânia. No Grupo II, competem a França (atual campeã em título), Itália, Bulgária e Chéquia.
O modelo de competição não dá margem para erros: as seleções jogam entre si na fase de grupos (sistema de round-robin), avançando apenas as duas melhores de cada agrupamento para as meias-finais cruzadas. Os vencedores disputarão a Medalha de Ouro, enquanto os vencidos lutarão pelo Bronze.