EFANOR: UM COLÉGIO QUE FORMA ALUNOS E ATLETAS
EDUCAÇÃO E DESPORTO DE MÃOS DADAS

O Colégio Efanor, reconhecido pelo seu sucesso académico, investe no desporto, em particular no Voleibol, como parte integrante da formação dos seus alunos. O projeto visa criar um ambiente onde o desporto e a educação andam de mãos dadas, proporcionando uma formação completa aos jovens atletas. A importância de ter modelos de referência e uma cultura desportiva sólida é enfatizada como ponto de partida para o desenvolvimento de atletas de sucesso. O Voleibol no Colégio Efanor, localizado na Senhora da Hora, é caracterizado por um forte envolvimento da comunidade escolar e familiar, criando um ambiente de apoio e camaradagem.
Mário Martins lidera a equipa de seniores femininos do clube.
Treinador com créditos firmados no Voleibol, onde já amealhou vários títulos e troféus ao seu currículo, o Coordenador do projeto do PV/Colégio Efanor partilha a aposta do colégio no desporto como complemento à formação académica, o impacto positivo na formação de jovens atletas e a importância de eventos como a Efanor Elite Cup.
O professor destaca ainda o crescimento exponencial do Voleibol feminino, impulsionado pelo aumento do investimento e melhorias no calendário competitivo.
O que levou um colégio conhecido pelo sucesso do seu sistema de ensino a criar um projeto tão ambicioso no desporto, neste caso no Voleibol?
MÁRIO MARTINS: “Basicamente, é a ideia do projeto educativo, em que quem lidera o colégio [Diretor João Trigo] percebe que o desporto e a formação académica podem e devem andar de mãos dadas e a formação dos alunos é muito mais do que a sala de aula. E então essa liderança vê que, através do desporto e, neste caso, do Voleibol, que também é uma paixão de quem lidera o colégio, que seria uma mais-valia.
Queremos que estes jovens cresçam numa formação mais completa, mais versátil, mais humana e daí aproveitar-se, e não só dentro do colégio, o Voleibol, como outras modalidades, sendo que o Voleibol é claramente a aposta mais forte”.
Pessoalmente, e sendo um treinador com o nome ligado ao Leixões SC durante décadas, onde conquistou vários títulos nacionais, o que o levou a abraçar o Projecto do PV/Colégio Efanor?
MM: “Vim para cá numa altura em que eu já tinha saído de Leixões há dois anos e estava num projeto diferente e desportivamente menos ambicioso. Quando apareceu o convite do Colégio Efanor, voltou a surgir a vontade e a capacidade de podermos estar a jogar por lugares cimeiros e essa capacidade desportiva e competitiva aliciou-me e voltou a trazer-me para um patamar mais alto.
Apesar de eu estar muito bem na casa anterior onde estava, a vontade de lutar por objetivos maiores foi o que me trouxe para aqui, num projeto que, e também percebi isso desde o início, estava bem organizado e que tinha ambição e foi mais um desafio. Nós, na carreira, também não podemos estar sempre parados no mesmo desafio e, quando eles aparecem, temos que os agarrar”.
Na época passada estiveram muito perto de conseguir o título, isso aumentou a responsabilidade para esta época?
MM: “Nós estivemos muito perto de conseguir os dois títulos, a taça e o campeonato. Não sendo favoritos à partida, o processo levou-nos a acreditar que poderíamos conseguir os troféus.
A expectativa para este ano, para nós, não aumentou a responsabilidade; manteve a responsabilidade de termos uma boa capacidade de trabalho e de continuarmos a ir à procura de ser melhores, mas claramente que à nossa volta sentimos que quase que havia uma obrigação de mantermos o nível e o registo do ano passado, sabendo nós que com o investimento que tem havido noutros clubes e nós mantendo-nos mais ou menos no mesmo registo, que isso seria algo difícil. Eu acho que a nossa responsabilidade é de treinar bem, é de prepararmos bem o dia-a-dia, prepararmos bem os jogos, de sermos o melhor possível em tudo o que fazemos, percebemos o que há à nossa volta. É bom sinal que a expectativa se tenha mantido muito alta, mas acho que já todos perceberam que o campeonato está muito duro e mais difícil”.
“O crescimento de ano para ano
do Voleibol tem sido incrível”
Como é que vê o crescimento do Voleibol feminino?
MM: “Num crescimento tal que nunca se pensou. Há meia dúzia de anos, ganhei três campeonatos com um orçamento inferior em relação ao atual, mas o Voleibol feminino cresceu de uma forma exponencial que nunca pensei que em tão pouco tempo desse um salto tão grande. Há um investimento muito grande, não só nas melhores equipas, porque por ali abaixo o investimento tem sido grande, as condições estão a ser melhores, a visibilidade está a ser maior. Este ano, mais uma vez, isto deu um salto gigante a acrescentar ao facto do próprio calendário competitivo ser diferente para melhor, acabaram-se as jornadas duplas, o que trouxe jogos muito mais equilibrados, maior capacidade de prepararmos melhor os jogos e do nível do jogo ser melhor. Esta parte do calendário ajudou muito, portanto eu vejo o Voleibol feminino a crescer e eu não sei onde é que isto vai parar porque de facto o crescimento de ano para ano tem sido incrível”.
O nível competitivo aumentou; os objetivos da equipa sénior mantêm-se?
MM: “Sim, porque o primeiro objetivo deste ano era entrar nos oito primeiros para irmos aos play-offs, no ano anterior o objetivo era entrar nos quatro primeiros para estarmos nos play-offs das meias-finais. Este ano mantém-se, já conseguimos estar a apurar-nos para os play-offs, portanto a partir daqui o objetivo é play-off a play-off tentarmos ir o mais longe possível à procura do melhor sucesso que conseguirmos”.
A aposta também está a ser feita na formação, o que é que é preciso para ter uma atleta ganhadora?
MM: “Algo que nós no ano passado conseguimos trazer e que o colégio consegue fazer: ter uma equipa sénior com bons exemplos, com bons modelos. Acresce a isso o facto de nós termos atletas seniores que são treinadoras da formação, como é o caso da Bruna [Gianlorenço], como é o caso da Evelyn [Delogú], como é o caso da Inês [Pereira] e que fazem com que estas crianças queiram vir ver os jogos, que percebam como é que elas treinam, que percebam como é que trabalham, que percebam a sua ética desportiva e que depois queiram imitá-las e queiram ser como elas. Esta componente que o projeto traz é uma grande mais-valia para a formação dessas jovens atletas. A partir do momento em que elas adquirem esta cultura desportiva e neste caso em concreto uma cultura de Voleibol, acho que este é o grande ponto de partida para que elas possam vir a ser grandes atletas. Depois, a partir daí vai ser a questão física, a questão emocional, vai ser o nível do treino, vai ser a capacidade atlética e técnica da própria atleta, mas eu acho que esta parte de elas terem referências e as acompanharem durante anos e verem os jogos e os treinos é muito importante. Também temos essa sorte, principalmente nos treinos da manhã, temos os alunos que vêm aqui ver os treinos”.
Qual a importância de um torneio como a Efanor Elite Cup para o projeto de Voleibol do Colégio Efanor?
MM: “É muito importante para a formação do atleta e nós temos essa mais-valia. O formato do torneio e o meio onde nós estamos é muito favorável a que ele tenha sucesso. Primeiro porque temos um grupo reduzido de equipas e que nós tentamos sejam equipas com um bom nível dentro desses escalões, o que desde logo dá um bom nível ao torneio. Raramente há jogos sem qualidade e isso é importante.
Para além disso, realiza-se em momentos importantes da época em que as equipas estão a crescer. Depois o próprio contexto em que nós temos os atletas a dormir, a fazer as refeições e a jogar no colégio, tudo aqui concentrado, facilita a logística, facilita o descanso das equipas, facilita a preparação para cada um dos jogos. Esse torneio tem muito destas mais-valias que fazem com que seja um torneio diferente dos outros. Não é melhor nem é pior, é diferente e tem essa mais-valia de ter qualidade e termos tudo junto e é muito mais fácil cada treinador gerir a sua equipa e nós próprios de gerirmos a organização”.
E sente que os adeptos acarinham o Voleibol? Há uma envolvência dos familiares e da própria comunidade estudantil?
MM: “Sim, até porque isto acaba por ser um torneio familiar porque estamos cá todos, passamos cá todos o dia, reunimos os treinadores para trocarmos ideias, fazemos um mini-colóquio entre nós, os pais acompanham-nos a semana toda, penso que é um torneio familiar, com qualidade e que reúne uma logística muito interessante e favorável ao sucesso”.
Equipa com atletas diferentes,
mas um coração que bate em uníssono
No panorama emergente do Voleibol feminino português, a equipa sénior do Colégio Efanor destaca-se como uma espécie de farol de paixão, dedicação e procura da excelência desportiva. Cada atleta carrega consigo uma história de amor pela modalidade, impulsionada pelo desejo de representar o clube com orgulho e alcançar grandes feitos. A «Manchete» mergulhou no universo das atletas, explorando os desafios que enfrentam e a forte ligação que as une dentro e fora do campo.
Estás habituada a lutar por títulos. O é que te cativou neste projeto?
ANA COUTO: “Acredito que foi a envolvência de todos os miúdos, a envolvência com o professor Mário, sem dúvida, e as atletas que ele trouxe também, mas acima de tudo, a luta que eu sabia que íamos ter. Sabíamos que íamos ser uma equipa competitiva e a parte boa de andar no Voleibol é mesmo essa, é competir. Acho que fomos mesmo uma equipa surpresa do campeonato no ano passado, por aquilo que fizemos, com a competitividade que havia e os clubes grandes que existem no nosso campeonato. O que a gente fez no ano passado foi realmente muito bom e é de louvar, mas é passado”.
A equipa sofreu alterações em relação à época passada. Tu acompanhaste todo o desenvolvimento do clube PV/Colégio Efanor. Como é que foi feita essa adaptação?
MARIANA MAIA: “Este ano o grupo acabou por mudar um bocadinho, mas nós mantivemos uma base que nos torna um bocadinho mais fortes. Ou seja, acho que é importante esta passagem de testemunho, pois o grupo acabou por sofrer algumas mudanças, mas acho que foi muito positivo e nós estamos a lidar com isso. É sempre diferente construir novos grupos, mas uma das nossas mais-valias, consideraria como a mais-valia da nossa equipa, será precisamente as pessoas e a forma como nós nos relacionamos umas com as outras. É sempre bom terminar o dia e encontrarmo-nos todas aqui e acaba por ser mais do que só vir treinar e mais do que só vir jogar Voleibol e de ganhar ao fim de semana ou perder ao fim de semana, é também a relação que estabelecemos umas com as outras”.
Paralelamente à mudança na equipa, também houve mudanças no próprio campeonato…
AC: “Sim, sem dúvida alguma, acho que eu nunca joguei Voleibol para um investimento tão grande no campeonato. Mas isso é só uma mais-valia tanto para o campeonato, tanto para nós, porque vem bastante gente de fora enriquecer o nosso campeonato, torna-o mais competitivo, mais difícil e a parte boa é essa”.
Isso também trouxe mais visibilidade ao Voleibol?
MM: “Claro que sim. Não só aqui no colégio, onde todos os pais e todos os alunos também mostraram sempre um grande apoio para com a nossa equipa, mas também mesmo fora, pois agora as pessoas veem na televisão, os jogos passam mais vezes, acho que também a nível mesmo publicitário, nas redes sociais e tudo, e mesmo com estas iniciativas de fazer reportagens, acabou por trazer muito maior visibilidade, a entrada dos clubes grandes também ajudou nos últimos anos e acho que isso vai ser ótimo para o Voleibol do futuro, digamos assim. Acho que estamos a crescer ano após ano, cada vez mais, e sendo um desporto tão praticado, isso só traz coisas positivas. Por outro lado, o Colégio Efanor investiu sempre muito na formação e isso reflete-se também na forma como os mais pequeninos vêm felizes para o treino”.
Na envolvência que têm com as atletas, revêem-se nalgumas e pensam que se calhar vai dar, por exemplo, uma Ana Couto ou uma Mariana Maia?
AC: “Sim e é engraçado. Às vezes, nós até conseguimos ver os treinos, eu falo por mim, pois no ano passado estava um pouquinho mais envolvida na parte da formação, e é giro ver como os miúdos que hoje em dia vêm para os treinos e muitas das vezes até elogiando-nos, porque nos viram a jogar no fim-de-semana, muitas das vezes a dizer, “gostava de ser como tu” ou “gostava de fazer as coisas que tu fazes”… Ter essa envolvência com os miúdos acho que é uma mais-valia, porque acho que eles vêm felizes para o treino, como a Mariana falou. Essa parte da felicidade, logo a partir da base, dos minis, no caso, acho que é muito bom para uma questão de divulgação da modalidade em si”.
O trabalho que vocês faziam quando eram crianças e o que é feito agora na formação é diferente?
AC: “É parecido, mas tem algumas diferenças. Por exemplo, hoje em dia os miúdos não têm tanta habilidade como nós antigamente tínhamos. Antigamente, brincávamos mais na rua, fazíamos mais brincadeiras na rua com colegas; hoje em dia os miúdos já não fazem isso devido a todas as circunstâncias que o País também às vezes tem.
Mas em questão de Voleibol há bastantes exercícios que é engraçado ver e que eu fazia há alguns anos e que hoje em dia eles ainda gostam de fazer. E é giro de ver o crescimento deles”.
E em relação à vossa equipa, agora que se entrou numa fase decisiva?
MM: “O mais importante para nós nesta fase era garantirmos os oito primeiros lugares; agora é tentar ficarmos o melhor classificadas possível. O campeonato nunca esteve tão competitivo como este ano, ou seja, as equipas vão perdendo jogos contra equipas que se calhar não se estaria à espera, e ao contrário também acontece, nada pode ser tomado por garantido. Acho que todas as equipas estão a sentir isso neste momento, por isso nós estamos aqui, vamos dar sempre o nosso melhor”.
Já representaram outros clubes, o que é que é diferente aqui?
MM: “Sou um bocadinho suspeita, porque eu estive quase desde a origem, depois acabei por estar fora durante apenas dois anos. Acho que no fundo é a proximidade que nós sentimos e quase aquele sentimento de que somos uma família que nos ajuda muito; é estar englobados neste ambiente. Depois também sentimos tanto carinho deles para connosco, e que eles efetivamente nos veem a nós como um modelo a seguir, ou o que eles querem fazer, e gostam de estar aqui no treino, e de ver o treino, e de nos ajudar a apanhar bolas. Isso é muito engraçado para nós e também para eles, acredito que ganhamos os dois com isso”.
Por falar em «família», o público também já foi conquistado?
AC: “Sim, e em relação ao público creio é tudo uma conquista nossa, porque os nossos adeptos são os pais dos nossos atletas, e acho que tudo o que a gente consegue ao fim de semana é fruto do nosso trabalho, é fruto da envolvência que nós conseguimos com os resultados do campeonato, com o chegar do campeonato que nós fizemos no ano passado, toda a nossa plateia eram os pais dos nossos atletas, ou seja, é mesmo fruto do nosso trabalho”.
Arquiteto das
tricampeãs nacionais
Eduardo Jamal, o treinador por detrás dos três títulos consecutivos de campeãs nacionais, partilha a sua paixão pela formação, as características que admira nas suas atletas e a constante busca pela evolução no Voleibol português.
Já trabalha há muito tempo com escalões de formação e com resultados reconhecidos. Que satisfação tira do seu trabalho?
EDUARDO JAMAL: “Um prazer enorme. Eu adoro trabalhar com formação. Acho que como se começa na base a criar-se estrutura e começa-se a desenvolver atletas, para mim é uma satisfação enorme ver atletas que chegam sem saber os fundamentos e saem como atletas capazes de alcançar objetivos como títulos nacionais, ou seleções”.
Que características vê nas meninas que podem contribuir para um futuro promissor?
EJ: “As características que nós admiramos são a resiliência, o trabalho, a procura constante do conhecimento, o compromisso que têm com o processo, o acreditar. E isso são fatores fundamentais para que o atleta ou a atleta se desenvolva”.
O Voleibol foi mudando ao longo dos anos, a forma de jogar e próprios jogadores. É mais difícil trabalhar agora ou é mais fácil?
EJ: “Eu acho que é igual. O Voleibol foi mudando e ainda bem, pois foi para melhor.
Os atletas estão cada vez mais capazes e com uma estrutura física cada vez superior. Tem sido um prazer enorme acompanhar esta evolução do Voleibol e dos atletas que estão a acompanhar o ritmo e o nível que o Voleibol está a atingir”.
Venceu os últimos três títulos nos Juniores, isso não lhe eleva a fasquia?
EJ: “Muito, muito. Conquistámos os três últimos títulos e realmente procuramos sempre mais. Não ficámos satisfeitos, não estamos satisfeitos ainda. Ainda queremos sempre ultrapassar mais um obstáculo, mais um desafio.
Até porque atletas que estão comigo há três anos, conquistaram os três anos, não podemos cair na monotonia e na rotina. Temos sempre que inovar, e isso é válido até para mim, como treinador. Quero sempre mais, quero evoluir ainda mais como treinador.
E não podemos estagnar. Temos sempre que procurar formações e procurar melhorar o ritmo, o processo e o método de treino. A evolução de Portugal, aliás, é muito importante”.
O que é que contribui para isso, por exemplo, um torneio como a Efanor Elite Cup?
EJ: “O torneio é claramente uma amostra do nosso trabalho e a procura de melhorar a qualidade do Voleibol em termos nacionais. Procuramos que o Elite Cup seja um torneio em que as equipas venham desenvolver o seu trabalho e venham apresentar o seu trabalho. E os familiares, como disse, também colaboraram bastante porque temos sempre a casa cheia, temos sempre esta plateia presente a ver Voleibol, a ver bom Voleibol, a ver qualidade nos atletas e isso é uma satisfação enorme”.
Diz-se que um pai não distingue os filhos, mas vê alguma atleta que pudesse dar como exemplo?
EJ: “Não, porque eu tenho a sorte de ter um grupo de trabalho muito forte que todas elas podiam ser o exemplo, porque não falham no treino. O compromisso é sério, super-sério. Querem muito atingir objetivos pessoais e coletivos.
Queremos muito renovar o título nacional. Eu destaco a qualidade do grupo, para mim é o mais importante, é o grupo. E isso é o que eu destaco”.
Elas já vêm modelos nas atletas de escalões mais altos?
EJ: “Sem dúvida, nós aqui no clube temos um processo estruturado de escalões de formação em que claramente queremos que todos os escalões estejam ao máximo, irem às finais, irem às fases finais. E temos como referência a nossa equipa sénior. E isso é uma motivação enorme para qualquer jovem atleta com talento.
Querer atingir a equipa sénior é fantástico e nós temos a sorte de ter a equipa de seniores disponível para essas atletas. Inclusive, temos atletas de idade de juvenis que estão nas juniores que fazem treinos com as seniores também. Portanto, isto é um processo, uma progressão estruturada em que procuramos desenvolver ao máximo o talento dos atletas”.
Há algum sonho por concretizar?
EJ: “Há sempre sonhos por concretizar. Nós nunca estamos satisfeitos com o nosso trabalho. Queremos sempre mais um bocadinho.
Procurar que as atletas vivam experiências muito boas e positivas. E estar presente nas fases finais e estar presente nas finais e ganhar o título são sempre experiências fantásticas.
Não é igual de ano para ano. É sempre satisfatório todos os anos. E ver a felicidade dos atletas e a felicidade do projeto e do grupo é fantástico”.
O que é que o atraiu mais no projeto?
EJ: “As condições de trabalho, que são fantásticas. Nós aqui temos tudo para dar certo. Temos condições fantásticas de treino.
E isso para nós, enquanto treinadores, é fantástico”.
União e resiliência
formam futuras estrelas
No Colégio Efanor, o Voleibol é mais do que um desporto; é uma comunidade onde a união, a resiliência e a paixão se aprendem, acabando por moldar o futuro de jovens atletas que sonham alto.
No pavilhão desportivo do estabelecimento de ensino ecoa o som das bolas de Voleibol, que se mistura e confunde com as vozes entusiasmadas das jovens atletas.
A júnior Lara Lobo (18 anos) e a juvenil Maria Miranda (16 anos), duas promessas do Voleibol de formação do Colégio Efanor, partilharam a sua paixão pelo desporto e a forte ligação que as une à sua equipa.
Lara Lobo, que já se aventura nos treinos com as seniores, destaca a união como a força motriz da equipa.
“Sinto que a nossa equipa é mais forte, não tanto em termos de dinheiro e de instalações, mas sim na união. Aqui, toda a gente se ajuda, tenta dar o seu melhor e ajudar uma pessoa que não esteja tão bem. E acho que é mesmo isso que nos define, amizade. E somos muito interligadas entre todas nós,” afirma.
Maria Miranda, aluna e jogadora de longa data no Efanor, sublinha a facilidade com que a equipa acolhe novas integrantes.
“Quando vêm jogadoras novas, a nossa equipa consegue acolher muito bem. Acho que é muito fácil para nós, pois todas jogamos Voleibol e torna-se muito fácil incluir as pessoas novas quando todos temos os mesmos objetivos. E acho que nos tornamos uma equipa muito unida em pouco tempo,” justifica.
Já a treinar com as seniores, Lara reflete sobre o seu percurso e a sua evolução como jogadora, desdramatizando o facto de o futuro estar já a bater-lhe à porta.
“Acho que sou uma pessoa ainda muito nova e ainda tenho muito para aprender. Sinto-me muito lisonjeada por estar com pessoas mais velhas com as quais posso aprender a cada dia. E eu sou uma pessoa que aprende muito rápido, capta tudo o melhor que pode. Como jogadora, tenho de evoluir mais na mentalidade e também nalguns aspetos técnicos. Mas acho que a mentalidade é o mais importante. Sou uma pessoa muito resiliente e quero sempre melhorar. Nunca estou satisfeita com o mínimo. E acho que isso me caracteriza um bocado como atleta,” confessa Lara.
Para Maria, a reflexão pós-jogo e pós-treino é crucial.
“Eu acho que depois de cada treino e cada jogo há coisas importantes para fazer. Eu, por exemplo, gosto sempre de refletir um bocado sobre como é que me correu, o que é que posso melhorar, o que é que não posso melhorar. E acho que é muito importante porque vai nos ajudar sempre. Como a Lara disse, nunca nos sentimos satisfeitas com o patamar em que estamos. E devemos achar que podemos sempre melhorar porque eu acho que ainda posso melhorar muito. Isso contribuiu para o nosso crescimento como atletas. Mesmo quando um jogo nos corre mal, acho que a única coisa que devemos fazer não é deixar-nos levar pelo negativo, mas sim pensar o que é que podemos melhorar. Fiz isto mal, o que é que posso fazer agora? E tentar sempre conseguir o melhor de nós,” explica Maria.
Os momentos decisivos e a união da equipa são as memórias mais vívidas das fases finais para ambas as jogadoras. “Os momentos decisivos de jogo em que me pediram para entrar e eu fiz sempre o melhor que pude e tentei ajudar a minha equipa dentro das minhas capacidades. E acho que fiz um bom trabalho. Conseguimos muitas vezes ganhar alguns sets naquelas fases decisivas e acho que foi isso o mais importante,” recorda Lara.
Maria acrescenta: “O que eu me lembro mais da nossa fase final do ano passado são mesmo os momentos em que nós passámos em equipa no «antes», porque nos ajudou a ser uma equipa mais unida e, como eram mais velhas do que eu, acho que me ajudou a aprender mais com elas, a estar mais calma e não estar tão stressada e conseguir aproveitar o máximo da experiência em vez de estar a pensar o que é que pode estar mal.”
Questionadas sobre as qualidades que definem uma boa jogadora, Lara destaca a calma, a capacidade de ouvir e a resiliência, enquanto Maria enfatiza o compromisso e a vontade de aprender. Ambas concordam que as seniores do Efanor são um exemplo a seguir, com o seu profissionalismo e espírito de equipa.
Com o olhar no futuro, Lara aspira a ser titular numa equipa sénior de alto nível, enquanto Maria convida as amigas a juntarem-se à família Efanor, onde se sentem acolhidas e motivadas.
“É muito fácil sentir-nos bem aqui, pois sentimos que as pessoas gostam de nós. Toda a gente é muito simpática, toda a gente nos acolhe muito bem. Eu acho que isso é o mais importante, sentir-nos bem e vamos sempre conseguir dar mais do que achamos que conseguimos”, justifica.
Ambas elogiam os seus treinadores, que as desafiam e apoiam no seu crescimento.
“O meu é meu treinador há muito tempo e eu acho que ele é um treinador muito bom. Por exemplo, sempre que eu sinto que algo está pior ou que não estou a conseguir fazer alguma coisa, acho que ele é muito aberto. Sempre que eu vou falar com ele dá-me o feedback que eu preciso e ajuda-me, consegue ajudar-me sempre”, salienta Maria Miranda.
“Gosto imenso de todos eles, acho que nos ajudam em tudo. São bastante críticos e não têm medo de enfrentar as coisas, está mal, está mal; está bem, também és recompensada por isso”, conclui Lara Lobo.
Atrair e Cativar:
A Fórmula do Sucesso da Formação
No coração do Colégio Efanor, o Mini-Voleibol é mais do que um desporto; é uma paixão que une crianças, treinadores e famílias. Catarina Gaspar e Adriana Almeida, as coordenadoras do escalão, partilham a sua visão sobre o sucesso do projeto, os valores que transmitem aos jovens atletas e o impacto que o Voleibol tem nas suas vidas. A sua paixão pelo ensino do Voleibol e dos valores em que se alicerça a modalidade é bem visível quer nas suas palavras quer no seu trabalho.
“Acho que aqui no colégio nós sempre privámos pela boa disposição no Mini-Voleibol, que foi o que nos permitiu sempre aumentar o projeto e ter cada vez mais e mais”, revela Catarina Gaspar.
A atmosfera positiva e acolhedora é, sem dúvida, um dos pilares do sucesso do programa. “Para além disso, as instalações aqui sempre foram uma mais-valia. Havia sempre muita gente que nos procurava pelo pavilhão, pelos treinadores que aqui se envolviam, porque sempre tivemos também a ajuda da equipa sénior.”
As seniores do PV/Colégio Efanor desempenham um papel fundamental na inspiração dos mais jovens.
“O facto da equipa sénior ter estado nos últimos anos sempre a lutar pelos melhores lugares, ajudou que a massa associativa do colégio, enquanto alunos, procurassem o Voleibol como a sua modalidade”, explica Catarina, justificando:
“Por isso é que nós vemos tantos meninos internos e também externos, porque as seniores também passam um bocadinho para fora do colégio, que nos procuram aqui para praticar a modalidade.”
Adriana Almeida complementa, destacando a importância dos valores transmitidos aos jovens atletas. “Acho que, acima de tudo, o mais importante é saber que eles saem daqui mais do que meninos que jogam Voleibol, saem bons meninos, com bons valores, com uma cultura de desporto que prima pelos valores, pelo respeito e pela entreajuda.”
O objetivo do projeto vai além da formação de atletas de Voleibol.
“Independentemente da questão voleibolística que nós lhes possamos ensinar, saírem daqui para escalões de formação, até chegarem a escalões seniores, vai ser sem dúvida o maior privilégio que nós podemos ter enquanto treinadoras de formação”, afirma, peremptória, Adriana.
A formação de valores é uma prioridade no trabalho do Mini-Voleibol no Colégio Efanor.
“Principalmente aqui no colégio, a transmissão de valores é algo que está muito intrínseco à parte da escola. Eles quando chegam aqui já vêm com os princípios do que é ser uma menina responsável, um menino que cumpre com aquilo a que se propõe”, explica Catarina.
O objetivo é incutir nos jovens atletas o espírito competitivo, sem perder de vista a alegria e o prazer de jogar Voleibol.
“Nós aqui o que tentamos é que eles procurem ser felizes na modalidade, mas também criar aquele bichinho competitivo, que muitas vezes aqui vêm-nos procurar para passar aqui um bocadinho de tempo e nós tentamos que, aliando o Voleibol à competição, eles deixem de ser só meninos que praticam Voleibol para serem meninos que mais tarde possam dar atletas da modalidade. Acho que aqui é a nossa grande luta aqui no colégio. Sim, sem dúvida”, afirma Catarina.
A equipa sénior do Colégio Efanor serve de modelo para os jovens atletas, que aspiram a seguir os seus passos.
“Acima de tudo, eles quando chegam aqui depois começam a ficar com rotinas muito bem pré-estabelecidas e que, por exemplo, nos minis passam de nível para nível e essas rotinas vão ficando cada vez mais definidas e vão sendo levadas a sério”, explica Adriana.
O contacto com a equipa sénior é um momento especial para os jovens atletas, que começam a idealizar o seu futuro no Voleibol.
“Então, quando conseguimos estabelecer o contato com a equipa sénior acho que é uma mais-valia porque eles começam a idealizar aquilo que querem ser e aquilo que procuram no Voleibol e é o dar significado a tudo isso que eles andam aqui a fazer”, afirma Adriana.
A infância revisitada
ou uma paixão que se renova
Trabalhar com crianças permite às coordenadoras reviver a sua própria paixão pelo Voleibol. “Comecei em minis a jogar Voleibol e é engraçado que nós encontramos meninos que já em minis têm consciência que ‘eu quero chegar à equipa sénior’ e são capazes de vir ver os jogos das seniores e dizer ‘um dia gostava muito de estar ali e ser como a Bruna [Gianlorenço] ou a Ana Couto'”, partilha Catarina.
A ambição dos jovens atletas em seguir os passos das suas referências é um sinal do sucesso do projeto. “Eu acho que é essa cultura que gostamos de ver nos atletas mais jovens e eu revejo-me porque quando era pequenina também tinha ídolos e ideais na equipa sénior e sempre corria atrás deles. Portanto, quanto mais novos os ouvimos a dizer olha, eu quero ser como X significa que só estamos a fazer um bom trabalho e que aquele atleta está no bom caminho certamente”, afirma Catarina.
O investimento do Colégio Efanor na formação e nas equipas de Voleibol tem um impacto positivo nas famílias dos atletas, que apoiam e incentivam os seus filhos e acabam por constituir um pilar fundamental no clube.
“É uma cultura que se vai trabalhando, adquirindo e que vamos construindo porque o projeto de Voleibol, principalmente a academia, é recente, é um projeto que foi feito há relativamente pouco tempo e estamos a trabalhar e a competir contra clubes que já têm muita história e que já vivem a modalidade há muitos anos”, explica Adriana.
O espírito de equipa e a união entre os escalões de formação são marcas distintivas do projeto. “E na nossa opinião o que nós temos tentado fazer é impulsionar cada vez mais este projeto e alimentar o espírito de equipa e a entreajuda entre escalões de formação e acho que o facto de termos meninos que procuram por livre vontade vir ver o jogo das seniores e seguir essa aprendizagem é sem dúvida o maior reflexo que nós podemos ter do trabalho que é feito”, afirma Adriana.
Mais do que treinadoras
Catarina Gaspar e Adriana Almeida são reconhecidas pela sua abordagem humana e dedicada, que vai além do treino de Voleibol. “Eu acho que o que nos difere aqui um bocadinho, e é o que nos dizem grande parte das vezes, é que nós somos muito humanas, damos valor ao carinho damos valor a sermos um bocadinho mais do que treinadoras”, explica Catarina.
As coordenadoras acompanham a vida dos seus atletas dentro e fora do pavilhão, preocupando-se com o seu bem-estar e desempenho escolar.
“Tentamos saber como é que eles andam na escola se têm problemas, se não têm as notas que deviam. Quando estão doentes, saber o que aconteceu e saber o porquê de não virem aos treinos ou se estão em condições de virem ao treino e eu acho que o facto de nós nos preocuparmos tanto com essa vertente extra-Voleibol faz com que cada um que venha jogar se sinta um bocadinho em casa porque nós somos aqui, como alguns dizem, uma segunda mãe, que é, nós cobramos em tudo seja no voleibol ou na vida escolar e acho que essa é a nossa grande diferença. Temos aqui uma ligação entre meninos e entre colegas de trabalho que só traz coisas boas para a parte do Voleibol depois…”, afirma Catarina.
Adriana complementa, destacando a importância do afeto no desenvolvimento dos jovens atletas. “… E sobretudo nós não nos podemos esquecer que eles são crianças, independentemente de serem Minis A, Minis B ou o que seja. E sendo crianças não pode ser só exigida a parte da competição, do Voleibol, eles precisam de ser ouvidos. Às vezes, há dias em que as coisas não lhes estão a correr bem eles vêm para aqui e este é o escape deles. Portanto, nós acreditamos e trabalhamos vivamente que a parte afetiva e a parte emocional têm de estar bem para o resto acontecer e é um bocadinho nesse equilíbrio que tentamos gerir os treinos e perceber que temos 20 crianças à nossa frente completamente diferentes e que precisam de nós mais do que como treinadoras de Voleibol.”
A integração dos atletas externos é vista como um marco de união e espírito de equipa.
“A parte afetiva aqui é fundamental não só para quem é do colégio mas também para quem é externo, que muitas vezes tem alguma dificuldade em identificar quem é que anda cá e quem é que não anda. Por isso, para quem está de fora não conseguir identificar essa divisão, que acaba por existir, acho que é sem dúvida um marco de união e de espírito de equipa”, reforça Adriana Almeida.
“Acho que nós estamos cada vez melhores e temos aqui sem dúvida uma massa de atletas que certamente vão dar futuro à academia e ao projeto de voleibol do Colégio Efanor”, conclui Catarina Gaspar.
REPORTAGEM EM VÍDEO
