Projeto tem o apoio do Fundo de Solidariedade da CEV
Partiu do Alto Minho e está a transformar-se num autêntico fenómeno de inclusão no desporto nacional. Desde que Viana do Castelo acolheu, em dezembro de 2025, o histórico I Encontro Nacional no Centro Cultural da cidade, o InVolei não tem parado de somar terreno, multiplicar vontades e, acima de tudo, devolver a alegria do jogo a quem se julgava afastado das redes.
Este impacto valeu-lhe mesmo o reconhecimento internacional: o projeto português foi um dos 17 selecionados (entre 194 candidaturas europeias) para receber o financiamento do Fundo de Solidariedade da CEV (Confederação Europeia de Voleibol), uma iniciativa lançada sob a liderança de Roko Sikirić para alavancar o crescimento sustentável da modalidade.
O crescimento do projeto federativo é avassalador. Às nove instituições pioneiras já protocoladas – APPACDM Viana do Castelo, APPACDM da Trofa, Associação Somos Nós, CACI-APCVC, CRIAL, ACIP, Centro Ensino e Recuperação Entroncamento, Instituto das Irmãs Hospitaleiras e CERCITOP –, que abrangem 13 núcleos ativos (com a estrutura vianense a desdobrar-se pelas unidades de Areosa, Cabedelo, Valença, Darque e Viana), preparam-se para se juntar dezenas de novos parceiros. Mais de 30 entidades já manifestaram intenção formal de implementar a variante.
A vaga de adesão reflete o impacto social de uma modalidade que vai além dos pontos no marcador. Ações de demonstração recentes comprovam o dinamismo do projeto no terreno. Em setembro de 2026, a 24.ª edição do CERCIAG em Movimento, em Águeda, juntou mais de 1600 pessoas e colocou o InVolei em plano de destaque, numa parceria entre FPV, CERCIAG e APPACDM de Gaia. Já em outubro de 2026, no Parque Urbano do Rio Diz, a Associação de Voleibol da Guarda reuniu duas centenas de participantes e 16 instituições nas II Olimpíadas da Saúde Mental da Casa de Saúde Bento Menni, confirmando a excelente recetividade de atletas e dirigentes.
Massificar sem a «obsessão» do alto rendimento
No horizonte da Federação Portuguesa de Voleibol (FPV), a meta está bem definida: desconstruir a ideia de que o desporto (adaptado ou não) serve apenas para competir.
Leonel Salgueiro, Director Técnico Nacional, encara os próximos passos com pragmatismo e sensibilidade humana: “O InVolei está numa fase inicial, focado na sua expansão e divulgação. A grande prioridade é alcançar o maior número possível de pessoas, abrindo portas a quem tem deficiência intelectual. Ver estes atletas a jogar e a divertirem-se é o grande ganho, até porque o Voleibol vai muito além da vertente competitiva.”
Na implantação deste projeto, o responsável adverte ainda para a urgência de uma mudança paradigmática no país: “Em Portugal, o desporto adaptado tende a focar-se em demasia na vertente paralímpica e na alta competição, deixando frequentemente à margem todos os que não se enquadram nesses parâmetros mais exigentes.”
Nesse sentido, a prioridade passa por solidificar o InVolei como atividade regular e competitiva, agilizando a ponte entre as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), Organizações Não-Governamentais (ONGPD) e a própria federação, que irá estruturar a vertente competitiva através de encontros locais e regionais.
As regras (simples) do jogo
A modalidade joga-se num campo de 12m x 6m, com equipas de até 6 elementos e 4 jogadores em campo. Todos os praticantes têm de ser portadores de deficiência intelectual (devidamente comprovada por declaração médica), disputando-se os jogos à melhor de 3 ou 5 sets, consoante o modelo do torneio.
A porta está aberta a todo o país. Autarquias, escolas, IPSS, ONGPD, estruturas culturais ou qualquer organização com estatuto jurídico podem candidatar-se e abraçar o projeto. As inscrições e pedidos de informação são efetuados diretamente com a Federação Portuguesa de Voleibol através do email paravolei@federacaoportuguesavoleibol.pt.
O serviço ao voleibol inclusivo está feito; agora, a bola está do lado das instituições.
Mais informações sobre o InVolei em paravolei.fpvoleibol.pt