GAULESES TRAVAM PORTUGAL NO EUROPEU 2026

Portugal despede-se do Europeu de Voleibol de cabeça erguida

A seleção nacional de voleibol encerrou este domingo a sua participação no Campeonato da Europa ao ser eliminada nos oitavos de final frente à França, atual bicampeã olímpica e campeã europeia em 2015, com uma derrota por 3-0 (parciais de 25-21, 25-22 e 25-21) em Sófia. Apesar do desfecho, a equipa das quinas consolida o seu estatuto de relevo no panorama continental ao garantir, pela terceira vez consecutiva, a presença entre as 16 melhores equipas da Europa — um patamar histórico apenas superado em 1948, quando Portugal alcançou o quarto lugar na edição inaugural do torneio.

A partida em Sófia revelou uma seleção portuguesa combativa, capaz de responder ao favoritismo e ao poderio ofensivo francês comandado por Trévor Clévenot e Mathis Henno, sob a orientação de Andrea Giani. No entanto, os 28 erros não forçados cometidos por Portugal ao longo do encontro acabaram por ditar o rumo dos acontecimentos, anulando as tentativas de recuperação nacional nos momentos decisivos.

No primeiro set, a França adiantou-se cedo com um bloco para o 4-2, beneficiando de três erros de serviço consecutivos da seleção nacional. Os gauleses dilataram a vantagem para 9-6 e 12-7, exibindo uma eficácia de ataque superior (71% contra 45%). Portugal respondeu na fase final com um ace de Alexandre Ferreira a reduzir para 23-19 e com Lourenço Martins a assinar o 21-24. Apesar da superioridade portuguesa no bloco (3-0) e na receção positiva (67%), a França segurou a vantagem e fechou o parcial em 25-21.

O segundo parcial manteve-se taco a taco até ao 3-3, momento em que o ataque francês assumiu as rédeas para colocar o marcador em 5-4 e distanciar-se para 8-5 após dois ralis intensos. A rentabilização dos centrais gauleses permitiu construir margens de 12-8 e 16-12. Portugal voltou a reagir, com Alex Ferreira e Lourenço Martins a encostarem o resultado a 20-22. Um remate de Clévenot fez o 23-20, mas um erro não forçado francês deu esperanças a Portugal ao aproximar o marcador para 22-23. Contudo, foi François Huetz a carimbar o 25-22 para a França.

No terceiro set, Portugal entrou melhor e adiantou-se por 4-2. A resposta francesa restabeleceu a igualdade a 7-7 e consumou a reviravolta para 8-7. Um bloco marcante de Alexandre Ferreira devolveu a liderança aos portugueses (10-9), mas um amorti inteligente de Clévenot devolveu o comando à França com o 13-11. A equipa nacional manteve a pressão – Lourenço Martins encurtou para 12-14 e Kelton Tavares assinou um ás na linha de fundo para o 19-21 –, mas a serenidade gaulesa nas jogadas finais garantiu o 25-21 e o fecho do encontro em 3-0.

No somatório das estatísticas, Alexandre Ferreira e Lourenço Martins lideraram a pontuação portuguesa com 13 pontos cada um, enquanto Mathis Henno e Trévor Clévenot somaram 12 pontos cada do lado francês. A França dominou no ataque (57% contra 46% de eficácia), enquanto Portugal levou a melhor nos blocos vitoriosos (6 contra 2) e na receção positiva (60% contra 57%), terminando ambas as equipas empatadas com dois ases. Ver estatística AQUI

A formação orientada por João José conclui assim a sua caminhada no EuroVolley, na qual somou uma vitória esclarecedora frente à Macedónia do Norte (3-0) na fase de grupos, tendo sido vencida pelas seleções da Polónia, Bulgária, Israel e Ucrânia, culminando com esta prestação meritória frente à campeã olímpica em título.

A análise ao percurso português foi encabeçada por Vicente Araújo, Presidente da Federação Portuguesa de Voleibol, que sublinhou o mérito do grupo e o orgulho no desempenho atingido: “O balanço da nossa participação é positivo. Viu-se neste jogo que não foi a França que ganhou, fomos nós que perdemos. Estivemos bem na receção e no side out, mas falhámos muito no serviço. Tivemos 19 serviços falhados no total, é muito. Tínhamos equipa para ganhar à França, mas teríamos mais equipa ainda se toda a gente tivesse vindo para a seleção. De qualquer maneira, parabéns aos que estiveram cá. Neste jogo com a França mostraram que sabiam jogar. Quem viu o jogo deve ter percebido que temos gente e que sabemos jogar voleibol. Alcançar os oitavos de final no Campeonato da Europa é muito bom. Estamos entre as 16 primeiras seleções e podíamos ter ido mais além, mas faltou uma pontinha de sorte também. Os jogadores fizeram tudo o que podiam. Houve empenho e vontade. Faltou, se calhar, alguns jogadores acreditarem que podem fazer mais.”

No plano tático, o selecionador nacional João José destacou a eficácia num dos momentos do jogo, mas lamentou os erros decisivos na transição: “Há um sentimento agridoce, ou seja, em termos desportivos conseguimos o principal objetivo, que era chegar aos oitavos de final. Hoje com a França perdemos uma oportunidade, porque estivemos bem na fase de side out, muito acima daquilo que normalmente fazemos. A equipa teve um excelente desempenho nesse aspeto. Depois na fase de transição é que cometemos demasiados erros não forçados no serviço. Não sei se fomos demasiado táticos para o jogo. Isso trouxe muito erro não forçado e foi difícil entrar no jogo e, se a transição é a fase em que podemos ganhar, e se não nos conseguimos dar um número de oportunidades suficiente para conseguir ganhar, depois fica um pouco difícil, o que foi o que acabou por acontecer. O que levamos daqui como positivo é este alargar de atletas disponíveis para representar a nossa seleção e ajudar nos objetivos presentes e, de uma forma geral, estiveram bem e conseguiram consolidar o seu jogo.”

Por sua vez, o central português Filip Cveticanin contextualizou a exibição e perspetivou o futuro da modalidade: “Para ser sincero, a nossa exibição foi uma autêntica montanha-russa, com muitos altos e baixos, mas o desporto é mesmo assim. No final, fomos felizes ao ponto de alcançar o nosso objetivo e, no geral, estou satisfeito com o que a equipa produziu. Estamos num período de transição –– os jogadores mais jovens estão a afirmar-se à medida que o núcleo veterano dá um passo atrás. Estão a somar experiência valiosa neste patamar e não tenho dúvidas de que vão evoluir e subir o nosso nível global nos próximos anos.”

O EuroVolley 2026 está a decorrer, até 29 de setembro, na Bulgária, Finlândia, Itália e Roménia. A arbitragem portuguesa está representada no EuroVolley 2026 por Vítor Gonçalves (AV Porto).

Comitiva

Chefe de Delegação – Mário Oliveira
Treinador Principal – João José
Treinador Adjunto – Manuel Silva
Treinador Adjunto – Mário Martins
Scouter – Gonçalo Arezes
Médico – Ricardo Aido
Fisioterapeuta – Hélder Vasco
Preparador Físico – Miguel Vieira
Media – Murilo Augusto

Atletas convocados*

1 – Diogo Fevereiro (SL Benfica) – Distribuidor
2 – Kelton Tavares (Sporting CP) – Central
4 – Filip Cveticanin  (SCM Zalau/Roménia) – Central
5 – Gonçalo Gomes (Vitória SC) – Libero
6 – Alexandre Ferreira (Tokyo Great Bears/Japão) – Zona 4/Oposto
7 – Guilherme Menezes (SC Espinho) – Central
8 – Manuel Figueiredo (Volley Nafaels/Suíça) – Zona 4
10 – Gonçalo Sousa (Sporting CP) – Libero
12 – Lourenço Martins (Sporting CP) – Zona 4
14 – Rodrigo Costa (Castêlo da Maia GC)
16 – Tomás Teixeira (SL Benfica) – Zona 4
17 – Bruno Dias (Tourcoing VB/França) – Distribuidor
21 – André Pereira (Martigues VB/França) – Zona 4
22 – Nuno Teixeira (Vitória SC) – Central
*Clube em 2025/2026

Mais informações AQUI

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