Num início de época emotivo e disputado até ao último ponto, a equipa de seniores femininos do Sporting Clube de Braga ergueu hoje a sua primeira Taça Ibérica ao superar e destronar o Futebol Clube do Porto por 3-2 (25-17, 25-19, 17-25, 7-25 e 15-9), no Pavilhão Municipal de Estremoz.
O duelo, marcado por grandes reviravoltas e enorme intensidade, consagrou a formação minhota perante o campeão nacional em título num espetáculo de alto nível.
A entrada em jogo do SC Braga foi demolidora. Com uma estratégia ofensiva bem delineada e um serviço agressivo, a equipa comandada por João Santos assumiu o controlo da partida e venceu de forma categórica os dois primeiros parciais. Contudo, a reativação das portistas não tardou. Sob a batuta de Miguel Coelho, o FC Porto afinou o bloco e a defesa baixa, adaptando-se às linhas de ataque bracarenses e levando a decisão para o parcial de todas as decisões ao igualar o encontro com vitórias no terceiro e quarto sets.
No decisivo quinto set, o SC Braga recuperou a lucidez e a energia do arranque da partida. Com um discernimento assinalável nos momentos sob maior pressão e uma eficácia superior nas transições ofensivas, as minhotas superiorizaram-se e fecharam a partida com uma exibição categórica na ponta final.
SC Braga x FC Porto, 3-2 (25-17, 25-19, 17-25, 7-25 e 15-9)
1.º Set
As jogadoras do SC Braga entraram como guerreiras no set inaugural (4-0), mas a resposta das campeãs nacionais fez-se sentir e a igualdade surgiu com um ataque de Sahinah Joseph (5-5). O equilíbrio durou até aos 10 pontos.
Com Azul Benitez no serviço e Emily Elliot no bloco, as bracarenses chegaram a uma vantagem de quatro pontos (13-9), que Gabriela Coelho tratou de dilatar pouco depois (15-10).
Um ataque de Emily Elliot (17-11) obrigou Miguel Coelho a reunir com as suas pupilas. A jogadora norte-americana limpou ainda mais o caminho para a vitória (21-13). A reação do FC Porto pecou por tardia e o SC Braga pôs a cereja no topo do bolo da sua exibição com um ataque de Anastasiia Maievska e um bloco de Katarina Rodic: 25-17.
2.º Set
As bracarenses voltaram a entrar em alta velocidade (5-1), com Gabriela Coelho a debitar pontos no ataque. As campeãs nacionais reagiram e um bloco de Shainah Joseph amenizou a diferença (5-3). Kelsey Veltman no ataque e Saska Durovic no serviço igualaram e, seguidamente, o FC Porto passou para a frente pela primeira vez (7-6).
As arsenalistas recuperaram a liderança com um ataque de Luba Becic (9-8), mas o jogo estava muito equilibrado e as igualdades eram constantes.
Katarina Rodic, com um bloco, deu uma vantagem por mais do que um ponto aos SC Braga e as vice-campeãs galvanizaram-se (16-11), com um serviço direto de Luna Becic.
As bracarenses mostravam-se superiores na rede (18-12), onde pontificava Anastasiia Maievska.
A vencer por 22-14, o SC Braga começou a ficar intranquilo e a sentir enormes dificuldades para ultrapassar o bloco portista (22-17).
Contudo, a margem folgada de que dispunham deu às bracarenses a tranquilidade que precisavam para fechar o set: 25-19.
3.º Set
Nova entrada de rompante da equipa orientada por João Santos (3-1), mas resposta pronta do FC Porto (6-4), com dois pontos de Victória Alves – a sua entrada alterou o cariz do jogo. Dois ataques desperdiçados pelas azuis e brancas deram a igualdade às bracarenses (7-7).
A formação minhota recuperaria a liderança com um amorti de Emily Elliot (10-9), mas o FC Porto voltou à carga por intermédio de Caylen Alexander (14-10).
Coube a Katarina Rodic estancar a hemorragia pontual ((14-11), mas o FC Porto voltou a somar pontos pelas suas centrais. Um bloco de Anastasiia Maievska encurtou a distância (17-14). Mas o FC Porto lutava pela sobrevivência no jogo e Victória Alves estava imparável e conseguia contagiar a sua equipa ao somar pontos no ataque (20-14).
Dois ataques das centrais Kelsey Veltman e Saska Durovic fixaram o resultado em 25-17.
4.º Set
Início equilibrado, mas com o FC Porto a conseguir somar três pontos consecutivos (3-2). Dois blocos de Victória Alves afastaram o FC Porto (7-3). Um serviço de Saska Durovic pôs a nu o desnorte do SC Braga (11-4). O desequilíbrio dos números começava a pesar e a equipa minhota não conseguia contrariar o bom momento do clube portuense (15-5), com Victória Alves a somar pontos atrás de pontos no ataque e Kelsey Veltman no bloco (21-5).
A vitória do FC Porto fixou-se nos 25-7, com dois serviços de Natasa Cikiriz e um de Kelsey Veltman.
5.º Set
O set decisivo começou com um bloco de Katarina Rodic e outro de Saska Durovic (1-1). A experiência de Gabi Coelho catapultou o SC Braga e obrigou Miguel Coelho a reunir com as jogadoras azuis e brancas (6-3).
Emily Elliot aumentou a distância (8-4). Um bloco de Gabriela Coelho e um serviço de Emily Elliot galvanizaram as hostes arsenalistas (10-4).
Luna Becic tornou o triunfo mais próximo (12-6), um triunfo por 15-9 e conseguido com um ponto espetacular da distribuidora Azul Benitez, a MVP do jogo.
Kelsey Veltman, com 19 pontos, foi a melhor pontuadora do jogo, seguida de Emily Elliot e Gabriela Coelho, ambas com 16, e de Victória Alves, com 15. Ver estatística AQUI
No final do encontro, os intervenientes deixaram a sua leitura sobre uma partida memorável.
Gabriela Coelho, zona 4 do SC Braga e uma das figuras da partida, destacou a postura do coletivo para alcançar o troféu. «Entrámos muito bem no jogo, fomos extremamente competentes nos dois primeiros sets. O Porto adaptou-se e dificultou o nosso jogo, mas o mais importante foi entrarmos no quinto set com a mesma raça, vontade de ganhar e energia que demonstrámos no início», afirmou a jogadora, sublinhando que o objetivo da equipa passa por «lutar por todos os títulos que há para ganhar».
Na mesma linha, o técnico bracarense, João Santos, enalteceu a resiliência das suas atletas após a recuperação do adversário. «Foi um jogo de voleibol completo, com muitos altos e baixos. Fomos pedindo calma e lucidez, e acabámos por fazer um quinto set fabuloso», salientou o treinador, recordando que a equipa continua a assimilar ideias após uma pré-época curta e intensa, mas que este triunfo vem premiar a qualidade do grupo montado para esta temporada.
Do lado do FC Porto, o sentimento foi de desilusão pelo resultado, mas de convicção na margem de evolução da equipa. O treinador Miguel Coelho reconheceu que a sua formação demorou a encontrar o equilíbrio necessário no encontro. «Começámos mal a partida. Não conseguimos encontrar o equilíbrio certo nos dois primeiros sets, o que só alcançámos no terceiro e no quarto», explicou, lembrando o contexto de preparação e as ausências no plantel. «Olhámos para esta competição para o desenvolvimento da equipa, mas saímos daqui a saber que daqui a duas semanas queremos jogar melhor e ganhar a Supertaça», projetou.
Já a distribuidora portista Eliana Durão assumiu que alguma ansiedade de início de época acabou por ter peso no desenrolar do marcador. «Entrámos um bocadinho ansiosas por querer ganhar, por ser a primeira competição do ano. Resta dar os parabéns ao Braga e continuar a trabalhar», referiu a internacional portuguesa, reforçando que a ambição do FC Porto permanece intacta para o resto da época e que o objetivo passa por «revalidar o título e entrar em todas as competições para vencer».
Com este feito inédito, o SC Braga abre a temporada com a conquista de um troféu internacional e lança o mote para uma época que promete ser fortemente competitiva no voleibol feminino português.
A medalha de bronze foi para as insulares do CV CD Heidelberg, que venceram o CAV Esquimo, campeão espanhol em título, por 3-2 (28-26, 20-25, 25-23, 21-25 e 15-12).
Entregaram os prémios às equipas José Sádio, Presidente da Câmara Municipal de Estremoz, José Santos, Presidente Turismo do Alentejo e Ribatejo, e Álvaro Lopes, Vice-Presidente da Federação Portuguesa de Voleibol (FPV), Arnaldo Rocha, Diretor da FPV, e Teodemiro Carvalho, Secretário-Geral da FPV.
CAV Esquimo x CV CD Heidelberg, 2-3 (26-28, 25-20, 23-25, 25-21 e 12-15)
1.º Set
Início equilibrado, mas com alguns erros no ataque por parte das insulares do Heidelberg a permitirem a fuga das andaluzes do CAV Esquimo/Cajasol (7-3), com a internacional lusa Maria Reis Lopes no serviço. Um serviço direto de Sophia Meyers aumentou a contagem (9-4). Três pontos no ataque de Morena Benotmane aproximaram as equipas (9-8).
Novas falhas no ataque e o CAV Esquimo a voltar a adiantar-se (13-9). Um bloco de Louise Elle equilibrou outra vez o marcador (13-11).
Um bloco de Maria Reis Lopes foi festejado efusivamente (15-11), mas um ataque ao primeiro toque de Louise Elle e um erro no ataque do CAV Esquimo voltou a igualar as forças (16-16).
A equipa da Andaluzia recuperou a liderança com um serviço de Maria Reis Lopes e adiantou-se com um ataque e um bloco da central Megan Wilson (21-18).
Uma má recepção castigada com um ataque ao primeiro toque de Louise Elle atrasou o CAV Esquimo, com o Heidelberg a igualar logo de seguida (23-23).
Numa final de grande suspense, a vitória acabou por cair para a equipa insular por 28-26, com um ataque de Winderlys Chacoa.
2.º Set
Bom começo do Heidelberg (3-1), mas resposta à altura do CAV Esquimo (3-3), com um bloco de Zayna Meyer. Um amorti de Maria Reis Lopes manteve o braço de ferro (7-7). Um erro no ataque das insulares permitiu que o CAV Esquimo passasse para a frente pela primeira vez (9-8) e começasse a alargar a vantagem (13-8), com um serviço de Sophia Meyers.
Um serviço desperdiçado pelas insulares colocou as andaluzes em fuga acelerada (18-11, 20-13), rubricados por Zayna Meyer no ataque.
Com o bloco de Alessandra Martinez a funcionar em pleno, o Heidelberg ainda acreditou na reviravolta (23-19), mas o CAV Esquimo selou, com um ataque, o resultado em 25-20,
3.º Set
O CAV Esquimo voltou a entrar melhor e as campeãs espanholas adiantaram-se (8-3) criando alguma desorientação nas hostes contrárias. Recompondo-se, o Heidelberg aproximou-se (10-9), com um amorti de Sulian Linares. Novo amorti, este de Dayana Elles igualou a contenda.
As campeãs espanholas acusaram o golpe e começaram a cometer erros ((11-13).
Dois pontos de Winderlys Chacoa mantiveram a diferença (16-14), mas dois blocos de Megan Wilson igualaram (20-20) à entrada para a reta final e tudo mudou… Dois pontos no ataque de Winderlys Chacoa fixaram o resultado: 25-23.
4.º Set
As campeãs espanholas voltaram a entrar melhor (3-1), mas o Heidelberg igualou pouco depois com um serviço direto de Dayana Elles (5-5). E foi com um serviço, este de Winderlys Chacoa , que passou para a liderança (7-6).
Dois blocos consecutivos, seguidos de um ataque de Maria Reis Lopes, colocaram o CAV Esquimo novamente na liderança isolada (11-8).
Dois ataques de Maria Reis Lopes colocaram as campeãs espanholas à tona (14-9).
Um bloco de Marissa Stockman (23-19) mostrou o caminho da vitória: 25-21.
5.º Set
Ao contrário do que tinha acontecido nos sets anteriores e do seu próprio adversário, o CAV Esquimo entrou mal no set decisivo (1-5).
Com Winderlys Chacoa e Karal Sampere eficazes no ataque, as vice-campeãs espanholas foram consolidando uma vantagem (6-1) importante num set disputado até aos 15 pontos.
O CAV Esquimo reagiu e Sophia Meyers aproximou a sua equipa (6-4), mas o Heidelberg nunca abriu mão da vantagem e logrou vencer o set e o jogo com por 15-12. com um ataque de Winderlys Chacoa.
Megan Wilson e Marissa Stockman, com 19 pontos, e Maria Reis Lopes, com 18, foram as melhores pontuadoras do jogo. Ver estatística AQUI
No final, Gabriel Navarro Chinea, treinador do Heidelberg, vice-campeão espanhol, reconheceu:
“Estou muito contente. Pudemos utilizar muitas jogadoras, as menos habituais, que cumpriram muito bem contra uma grande equipa que é o Cajasol (CAV Esquimo), que está a preparar-se para jogar a Liga dos Campeões, tal como o Porto. E estamos muito contentes com o resultado e muito contentes com o trabalho da equipa.
Quanto à Liga espanhola, tentamos sempre lutar para estar no ponto mais alto da tabela, As equipas reforçaram-se muito, vamos ter seis equipas no topo a lutar por tudo, mas creio que temos argumentos suficientes para estar na final da Liga.”
Pavilhão Municipal de Estremoz
(19 e 20 de setembro 2026)
19.09.2026
15h00 – CAV Esquimo x SC Braga, 0-3
18h00 – FC Porto x CV CD Heidelberg, 3-0
20.09.2026
15h00 – Atribuição dos 3.º e 4.º lugares:
CAV Esquimo x CV CD Heidelberg, 2-3
18h00 – Final: SC Braga x FC Porto, 3-2
Todos os jogos são transmitidos na Sport TV
O voleibol peninsular regressou ao topo da agenda desportiva nacional e com lugar reservado no Alentejo. Depois de ter acolhido com sucesso a Supertaça feminina no ano passado, a cidade de Estremoz transformou o Pavilhão Municipal no palco da prestigiada Taça Ibérica feminina.
A Taça Ibérica feminina teve a sua edição inaugural em 2023 e foi disputada no Centro Cultural de Viana do Castelo. Na final, as espanholas do CV Hidramar Gran Canaria (Club Voleibol Olimpico) sagraram-se campeãs ao vencerem o Sporting CP por 3-2 (com parciais de 31-29, 19-25, 17-25, 25-18 e 15-12). No jogo de atribuição do 3.º e 4.º lugar, a equipa espanhola do CV Tenerife Libby’s La Laguna conquistou a terceira posição ao derrotar o Leixões SC por 3-2 (20-25, 25-17, 25-27, 25-17 e 15-13).
A segunda edição realizou-se em 2024 no Centro Insular de Deportes, em Las Palmas (Gran Canária, Espanha). Nesta ocasião, o troféu foi conquistado pelo FC Porto, que venceu o SL Benfica por 3-1 (22-25, 25-18, 25-21 e 25-19) na final. O 3.º lugar foi disputado entre duas formações espanholas, tendo o campeão em título, Hidramar Gran Canaria, vencido o Avarca de Menorca por 3-1 (25-19, 23-25, 25-14 e 25-22).
No ano de 2025, a competição não se realizou.
Equipa de arbitragem
Maria Ferreira, Nuno Maia, Ricardo Ferreira (POR) e Juan António Erce (ESP).
Delegado – Paulo Félix.
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