GUERREIRAS NA FINAL DA TAÇA IBÉRICA

SC Braga vence campeã espanhola e garante lugar na final da Taça Ibérica Feminina

O SC Braga assegurou a presença na grande final da Taça Ibérica feminina de 2026, após demonstrar clara superioridade e vencer as espanholas do CAV Esquimo Dos Hermanas por 3-0, com os parciais de 25-27, 16-25 e 14-25 no Pavilhão Municipal de Estremoz. A formação bracarense entrou com o pé direito na competição ao bater a atual campeã de Espanha num encontro em que a capacidade de reação, a resiliência e a agressividade no serviço foram determinantes. Às 18h00, o FC Porto mede forças com as vice-campeãs espanholas do CV CD Heidelberg.

O primeiro set começou com o CAV Esquimo Dos Hermanas na frente, adiantando-se com um parcial de 5-0 no serviço da ex-bracarense Maria Reis Lopes. A reação das minhotas começou após um ataque de Emely Elliot a travar a desvantagem. Apesar de as espanholas manterem o comando até ao 16-11, o SC Braga elevou a pressão no serviço, com Luna Becic a encurtar distâncias. Mais tarde, com pontos de Zinilda Matuca e Katarina Rodic, além de um erro da equipa adversária, a partida igualou nos 19-19. As comandadas de João Santos passaram para a liderança pela primeira vez aos 23-22. Após uma ponta final renhida, onde o CAV Esquimo ainda recuperou a vantagem (25-24), um bloco de Katarina Rodic e um ataque de Luna Becic premiaram a determinação das bracarenses, fechando o parcial em 27-25.

No segundo parcial, o SC Braga entrou bem mais confiante. Com um serviço forte de Luna Becic, um ataque de Gabriela Coelho e um bloco de Katarina Rodic, as minhotas adiantaram-se rapidamente para 5-2. A central Anastasiia Maievska esteve em destaque no ataque e no bloco, ampliando a margem para 12-6, enquanto um serviço direto de Gabriela Coelho expôs as dificuldades na receção espanhola. Com Luna Becic a faturar no ataque e no bloco (17-8), as campeãs espanholas perderam o rumo, cometendo erros no serviço e no ataque. Três pontos seguidos de Gabi Coelho e um remate final de Zinilda Matuca ditaram o triunfo bracarense por 25-16.

O terceiro e último set voltou a demonstrar a hegemonia da equipa portuguesa. Apesar do arranque favorável ao CAV Esquimo (4-2), Gabriela Coelho restabeleceu a igualdade. A partir daí, o SC Braga tomou conta dos acontecimentos: um bloco de Anastasiia Maievska, um amorti de Gabriela Coelho e dois serviços eficazes de Emily Elliot cavaram um fosso no marcador (11-4). Luna Becic colocou o resultado em 16-6, perante uma equipa espanhola visivelmente descrente e permissiva no erro. Sem dar hipóteses de recuperação ao adversário, o SC Braga selou a vitória, por Madalena Escudeiro, com um parcial esclarecedor de 25-14, carimbando assim a passagem ao jogo decisivo do torneio.

A oposta Emily Elliot e a central Luna Becic, respetivamente com 16 e 14 pontos, foram as melhores jogadoras do SC Braga e do jogo, enquanto Sophia Grace Meyers e Megan Wilson, ambas com 10, foram as espanholas mais concretizadoras. Ver estatística AQUI

A força anímica do SC Braga

No final da partida, o treinador do SC Braga, João Santos, expressou a sua satisfação, sublinhando que a vitória foi justa e merecida. Em declarações após o encontro, o técnico destacou a atitude da equipa, frisando a importância do espírito de luta transmitido no balneário: “É assim, estou contente, não só com o resultado e com a possibilidade de disputar mais uma final, que era o nosso objetivo aqui na competição, mas também pelo que falámos antes de começar o jogo. Eu não tinha pedido às atletas no balneário que ganhassem, tinha-lhes pedido que nunca parassem de lutar.”

João Santos admitiu que a equipa não começou bem a partida, mas elogiou a capacidade de recuperar no primeiro set, o que acabou por ser decisivo no plano psicológico. “Conseguimos estar sempre a lutar, ponto a ponto, mais um, mais um e isso depois no final eu acho que nos deu alguma força anímica e também a confiança necessária que nos estava a faltar no início, que também julgo que é normal nesta fase da época”, explicou o técnico.

Sobre a importância de alcançar mais uma final com um plantel renovado, João Santos reforçou o orgulho no projeto desportivo que tem vindo a ser desenvolvido nos últimos três anos, afirmando que o objetivo passa sempre por estar presente nas decisões e manifestando a ambição de erguer o troféu: “O orgulho está nisto tudo. Falta ganhar. Esperemos que seja amanhã.”

O estudo do adversário e o «ADN Guerreiro»

Também a líbero do SC Braga, Matilde Calado (Rodrigues), destacou a relevância de levar o clube a mais uma final. A atleta explicou que o rigor tático e o estudo prévio da formação espanhola foram fundamentais para alcançar o triunfo no terreno de jogo: “O nosso foco foi muito estudar o que esta equipa, a atual campeã de Espanha, faz, o plano de jogo e aquilo que nós teríamos de fazer para disputar o jogo. E penso que conseguimos exatamente fazer isso.”

Olhando para a nova época e para o grupo de trabalho, a líbero salientou o compromisso do plantel em manter a identidade do clube, assegurando que todas as jogadoras estão empenhadas em dar o seu máximo. Matilde Calado lembrou que a equipa tem de manter aquilo a que chamam o “ADN guerreiro”, trabalhando diariamente para evoluir, consciente de que os resultados surgirão desse esforço contínuo e de que não podem dar nada por garantido.

A superioridade bracarense vista do lado espanhol

Do lado do CAV Esquimo Dos Hermanas, o treinador Ricardo Torronteras reconheceu a superioridade da formação portuguesa, apontando a eficácia no serviço do SC Braga e o plano físico/tático como fatores chave do resultado. O técnico espanhol explicou que a sua equipa ainda se encontra num processo de adaptação, tendo entrado em campo com menor rodagem competitiva: “O SC Braga impôs um nível muito alto de serviço em determinado momento. A nós falta-nos muita rodagem, temos muitas peças novas dentro da equipa e creio que estamos num processo longo e chegámos aqui muito menos rodados do que o nosso adversário.”

Torronteras elogiou o desempenho do SC Braga e destacou a exibição da oposta bracarense, considerando-a a melhor jogadora em campo. O treinador admitiu que, quando não se consegue igualar a agressividade de serviço do adversário, o jogo torna-se extremamente difícil, lamentando não ter conseguido equilibrar o marcador no primeiro parcial. Por fim, felicitou o SC Braga pela vitória e remeteu o foco da sua equipa para o encontro de apuramento dos lugares seguintes, focado em continuar a evolução do grupo.

No domingo, 20 de setembro, disputam-se os jogos decisivos: o encontro de atribuição do 3.º e 4.º lugar está agendado para as 15h00, enquanto a grande final se realiza às 18h00. Todos os jogos contam com transmissão televisiva em direto na Sport TV. Para os adeptos que pretendam assistir ao vivo, os bilhetes têm o custo unitário de 5€.

Por seu lado, a vertente masculina da Taça Ibérica 2026 disputar-se-á nos dias 10 e 11 de outubro no Gran Canaria Arena, em Las Palmas (Espanha). O torneio masculino contará com os espanhóis do CV Guaguas e CV Melilla e com os representantes portugueses Sporting CP (campeão nacional) e SL Benfica (vice-campeão e finalista da Taça de Portugal), com o sorteio das meias-finais a ditar os confrontos entre CV Melilla x Sporting CP e CV Guaguas x SL Benfica.

Pavilhão Municipal de Estremoz
(19 e 20 de setembro 2026)

19.09.2026

15h00 – CAV Esquimo x SC Braga, 0-3

18h00 – FC Porto x CV CD Heidelberg

20.09.2026

15h00 – Atribuição dos 3.º e 4.º lugares

18h00 – Final

Todos os jogos serão transmitidos na Sport TV

O voleibol peninsular está de volta ao topo da agenda desportiva nacional e com lugar reservado no Alentejo. Depois de ter acolhido com sucesso a Supertaça feminina no ano passado, a cidade de Estremoz prepara-se para transformar o Pavilhão Municipal no palco da prestigiada Taça Ibérica feminina, agendada para os dias 19 e 20 de setembro.

A Taça Ibérica feminina teve a sua edição inaugural em 2023 e foi disputada no Centro Cultural de Viana do Castelo. Na final, as espanholas do CV Hidramar Gran Canaria (Club Voleibol Olimpico) sagraram-se campeãs ao vencerem o Sporting CP por 3-2 (com parciais de 31-29, 19-25, 17-25, 25-18 e 15-12). No jogo de atribuição do 3.º e 4.º lugar, a equipa espanhola do CV Tenerife Libby’s La Laguna conquistou a terceira posição ao derrotar o Leixões SC por 3-2 (20-25, 25-17, 25-27, 25-17 e 15-13).

A segunda edição realizou-se em 2024 no Centro Insular de Deportes, em Las Palmas (Gran Canária, Espanha). Nesta ocasião, o troféu foi conquistado pelo FC Porto, que venceu o SL Benfica por 3-1 (22-25, 25-18, 25-21 e 25-19) na final. O 3.º lugar foi disputado entre duas formações espanholas, tendo o campeão em título, Hidramar Gran Canaria, vencido o Avarca de Menorca por 3-1 (25-19, 23-25, 25-14 e 25-22).

No ano de 2025, a competição não se realizou.

Equipa de arbitragem

Maria Ferreira, Nuno Maia, Ricardo Ferreira (POR) e Juan António Erce (ESP).

Delegado – Paulo Félix.

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