Portugal aguarda pelo resultado do Israel x Macedónia (amanhã/14h00/RTP Play)
A Seleção Nacional, orientada por João José, alcançou hoje um triunfo expressivo (3-0: 25-13, 25-20 e 25-20) sobre a Macedónia do Norte, na Arena de Sófia, no jogo que encerrou a sua participação na Pool B do Campeonato da Europa. A participação aos oitavos de final continua dependente de terceiros, mais concretamente de uma vitória dos macedónios, por qualquer resultado, frente aos israelitas, em encontro agendado para amanhã (14h00/RTP Play).
Hoje, frente aos macedónios, o capitão Alexandre Ferreira exibiu-se em grande plano e assumiu o protagonismo no ataque, cotando-se como o melhor pontuador da partida ao assinar 17 pontos. Kelton Tavares e Lourenço Martins também tiveram uma contribuição determinante para o desfecho positivo, terminando ambos com 10 pontos.
1.º Set
A equipa portuguesa entrou com grande autoridade no primeiro set. Apoiada num bloco irrepreensível e nos remates certeiros de Lourenço Martins e Alexandre Ferreira, abriu desde logo uma vantagem inicial de 3-0.
A Macedónia do Norte ainda respondeu por Aleksandar Ljaftov, mas um bom serviço de Alexandre Ferreira permitiu a Portugal recuperar e consolidar a liderança para 10-6. A partir daí, a seleção lusa dominou por completo as ações de jogo, somando pontos quer no ataque quer na rede – onde conquistou 7, do total de 11 blocos no jogo, só neste parcial. A margem atingiu os 22-12 com um ponto de bloco de Bruno Dias e coube a Manuel Figueiredo, a estrear-se no seis base titular no começo de um jogo, fechar o set em 25-13 ao cabo de apenas 20 minutos.
2.º Set
O segundo set trouxe uma reação macedónia. Liderada pela experiência do capitão Gjorgi Gjorgiev, a seleção adversária passou pela primeira vez para a frente do marcador e chegou a ter dois pontos à maior (10-8) após rubricar três blocos consecutivos. No entanto, a equipa das quinas restabeleceu a igualdade e deu a volta com dois ataques seguidos de Manuel Figueiredo (11-10). Depois de uma fase de parada e resposta, Portugal descolou no marcador impulsionado por três pontos de Lourenço Martins (19-16). Alexandre Ferreira selou o triunfo no parcial por 25-20 com dois ataques vitoriosos, fixando nessa altura o seu 13.º ponto individual.
3.º Set
No último set, a Macedónia do Norte voltou a entrar mais forte (4-1) com dois ataques de Stojan Iliev. Portugal reagiu com calma e restabeleceu o equilíbrio (8-8) através de um bloco de Kelton Tavares. A reviravolta concretizou-se com um ataque de Manuel Figueiredo (10-9) e a vantagem lusa ganhou conforto graças a um serviço direto do mesmo jogador, combinado com um ataque de Alexandre Ferreira (15-13) e dois blocos decisivos de Filip Cveticanin (18-14). A fechar o encontro, a Seleção Nacional manteve o controlo e garantiu a vitória por 25-20 beneficiando de dois erros dos macedónios.
No cômputo geral das estatísticas, Portugal revelou uma clara superioridade sobre o adversário, registando 51% de eficácia no ataque contra 35% da Macedónia e dominando a rede com 11 blocos vitoriosos contra 7 da formação opositora. Além dos 17 pontos de Alexandre Ferreira e dos 10 de Kelton Tavares e Lourenço Martins, sobressaíram ainda as contribuições de Manuel Figueiredo (9 pontos) e Filip Cveticanin (8 pontos). Na seleção macedónia, Aleksandar Ljaftov e Stojan Iliev foram os elementos mais concretizadores, somando 8 pontos cada. Ver estatística AQUI
Aguardar de cabeça erguida
A Seleção Nacional concluiu a sua participação na fase de grupos com um triunfo incontestável frente à Macedónia do Norte. Apesar da vitória expressiva no fecho desta etapa, o apuramento para os oitavos de final permanece incerto e dependente de terceiros.
Em balanço após a partida, o Selecionador Nacional, João José, destacou a boa prestação da equipa:
“Trabalhámos bem e conseguimos ganhar”, afirmou, reconhecendo, contudo, a dificuldade do cenário que se segue:
“Sabemos que é difícil a Macedónia conseguir ganhar a Israel, mas o desporto é mesmo assim, nunca se sabe. Agora é aguardar.”
Apesar do desfecho pendente, o Selecionador valorizou a atitude do grupo em terminar a prova a vencer, frisando que “acabar esta fase de grupos com uma vitória e mostrar que a equipa consegue jogar bem até ao final e ganhar é sempre importante”.
João José não escondeu o “amargo” relativo ao desaire anterior frente a Israel, admitindo que nos momentos decisivos Portugal devia ter decidido “um bocadinho melhor”, mas sublinhou a importância de “aprender com isto e andar para a frente”.
No plano desportivo, o técnico lembrou que o grande objetivo era a passagem à fase seguinte. Paralelamente, enalteceu a evolução do grupo de trabalho e a forma como os jogadores assumiram novas responsabilidades perante percalços como a lesão de Nuno Marques. Segundo João José, o futuro exige continuidade:
“É preciso tempo, é preciso trabalho, é preciso meses, anos, para que eles se desenvolvam e consigam encontrar também o seu espaço dentro deste tipo de competições.”
Entre os jogadores portugueses, o sentimento geral é de dever cumprido e de orgulho pela entrega demonstrada.
O zona 4 Manuel Figueiredo recordou a importância de manter os “pés assentes na terra” diante de um adversário de exigência diferente, mas não escondeu a satisfação por ajudar hoje a equipa numa posição (oposto) a que não está tão habituado.
Sobre a qualificação, admitiu ser “difícil a Macedónia conseguir bater Israel”, mas ressalvou que “não há impossíveis”.
O central Filipe Cveticanin frisou a superioridade lusa no encontro e assumiu sair “orgulhoso com a equipa e comigo próprio”.
Cveticanin lamentou a falta de gestão no duelo com Israel, mas destacou a atitude coletiva:
“Toda a gente deu o máximo e deixou tudo em campo. Se passarmos, perfeito; senão, tentar nos próximos anos manter ou melhorar ainda mais o nosso nível.”
O central Kelton Tavares destacou a eficácia no serviço e no bloco para contornar a resposta macedónia no segundo parcial.
Apesar do “amargo de boca” quanto ao jogo com Israel, Kelton reforçou que a equipa fez tudo o que estava ao seu alcance:
“Conseguimos dar e fazer de tudo o que estava ao nosso alcance. É sair com a cabeça erguida independentemente do que aconteça.”
Um trio bem Europeu
Alexandre Ferreira, Lourenço Martins e Filip Cveticanin alcançaram um marco histórico ao registarem a sua quarta presença conjunta no Campeonato da Europa (2019, 2021, 2023 e 2026), um feito que consolida o trio como o núcleo veterano do voleibol nacional. O percurso iniciado com o regresso de Portugal à fase final do EuroVolley em 2019 estabeleceu uma nova exigência competitiva, transformando a qualificação continental num padrão de continuidade para a seleção.
Com percursos consolidados em grandes ligas europeias, os três atletas assumem o papel de espinha dorsal da equipa. Ferreira aporta a serenidade tática e a capacidade de decisão como capitão; Martins garante a agressividade ofensiva no ataque e no serviço; e Cveticanin assegura o equilíbrio defensivo no bloco. Em conjunto, oferecem a bagagem e a estabilidade necessárias em momentos de alta pressão num torneio exigente.
Esta longevidade lado a lado serve também como ponte geracional numa fase de transição para o voleibol português. Ao transmitirem a sua bagagem tática e a vivência ao mais alto nível aos jovens talentos que se estreiam na competição, os três veteranos atuam simultaneamente como suporte motivacional e como a principal referência de liderança da seleção.
Ver reportagem da CEV aqui
Comitiva
Chefe de Delegação – Mário Oliveira
Treinador Principal – João José
Treinador Adjunto – Manuel Silva
Treinador Adjunto – Mário Martins
Scouter – Gonçalo Arezes
Médico – Ricardo Aido
Fisioterapeuta – Hélder Vasco
Preparador Físico – Miguel Vieira
Media – Murilo Augusto
Atletas convocados*
1 – Diogo Fevereiro (SL Benfica) – Distribuidor
2 – Kelton Tavares (Sporting CP) – Central
4 – Filip Cveticanin (SCM Zalau/Roménia) – Central
5 – Gonçalo Gomes (Vitória SC) – Libero
6 – Alexandre Ferreira (Tokyo Great Bears/Japão) – Zona 4/Oposto
7 – Guilherme Menezes (SC Espinho) – Central
8 – Manuel Figueiredo (Volley Nafaels/Suíça) – Zona 4
10 – Gonçalo Sousa (Sporting CP) – Libero
12 – Lourenço Martins (Sporting CP) – Zona 4
14 – Rodrigo Costa (Castêlo da Maia GC)
16 – Tomás Teixeira (SL Benfica) – Zona 4
17 – Bruno Dias (Tourcoing VB/França) – Distribuidor
21 – André Pereira (Martigues VB/França) – Zona 4
22 – Nuno Teixeira (Vitória SC) – Central
*Clube em 2025/2026
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