A estreia da Seleção Nacional de Seniores Masculinos no EuroVolley 2026 – a decorrer até 29 de setembro, distribuído por Bulgária, Finlândia, Itália e Roménia – acontece com o adversário mais duro da Pool B: a Polónia, atual campeã europeia, líder do ranking mundial e vencedora da Liga das Nações.
A estreia está agendada para amanhã (14h00/RTP 2/RTP Play). No dia seguinte, a 11 de setembro (17h00), Portugal mede forças com a Bulgária, vice-campeã mundial e anfitriã.
A fase de grupos completa-se com os confrontos frente a Israel (13 de setembro, 14h00), Ucrânia (14 de setembro, 14h00) e Macedónia do Norte (15 de setembro, 14h00). Se carimbar o apuramento para os oitavos de final, a comitiva nacional cruza com uma seleção oriunda da Pool D, constituída por Roménia, Letónia, França, Alemanha, Turquia e Suíça.
Apesar da exigência do grupo, o Selecionador Nacional João José mantém a fasquia alta. A ambição passa por superar a prestação anterior (oitavos) e tentar alcançar os quartos de final, garantindo um grupo capaz de responder ao presente e preparado para o futuro. Ver equipas detalhadas: Portugal e da Polónia.
João José reconhece que os polacos (a par da Bulgária) estão num patamar superior, mas reforça que a equipa quer “ter o prazer de poder jogar com os melhores“. O objetivo passa por discutir o jogo com coragem, mantendo a ambição de pontuar e lutar pela passagem aos oitavos de final.
A Seleção Portuguesa atravessa uma transição estrutural em relação ao ciclo de 2023, apostando na integração de jovens que demonstram perfil e capacidade para se afirmarem no panorama internacional. Contudo, esta entrada de novos rostos exige retomar etapas de trabalho e automatismos que já estavam consolidados no grupo anterior, o que obrigou a um processo de preparação mais paciente e minucioso por parte da equipa técnica.
Esta estratégia começou a ser desenhada logo na Liga Europeia (e nos jogos particulares com a Austrália), onde a rotação de atletas serviu um duplo propósito: gerir o risco de lesões e dar rodagem competitiva aos mais novos, dotando o plantel de uma maior profundidade tática e de soluções de jogo mais variadas.
Neste contexto de mudança, a experiência dos veteranos assume um papel fulcral dentro do balneário. Cabe aos internacionais mais rodados transmitir a cultura da equipa, exemplificar a exigência do dia a dia e facilitar a adaptação da nova geração. Em suma, o objetivo desta renovação passa por elevar o teto competitivo da Seleção Nacional sem, com isso, abdicar dos princípios, da resiliência e dos padrões de exigência que definem o voleibol português.
A arbitragem portuguesa está representada no EuroVolley 2026 por Vítor Gonçalves (AV Porto), que vai arbitrar hoje o Roménia x Letónia, da Pool D.
O nosso adversário visto à lupa
A seleção polaca, orientada pelo carismático treinador Nikola Grbic – antigo distribuidor de topo da seleção sérvia –, combina uma envergadura física impressionante com uma técnica apurada, consolidando-se como uma das maiores potências mundiais da modalidade. O sucesso e a consistência do conjunto assentam na qualidade individual dos atletas que constituem a sua estrutura base, repartidos de forma harmoniosa pelas diferentes posições em campo.
Na zona de ataque e receção, como zonas 4/pontas, destacam-se três nomes de classe mundial. Wilfredo León (n.º 9), de 2,01 metros, nascido em Cuba e naturalizado polaco, é amplamente considerado um dos melhores jogadores do planeta, sobressaindo pelo seu serviço avassalador a mais de 130 km/h e por uma capacidade de salto vertical impressionante. A seu lado surge Tomasz Fornal (n.º 21), com 2,00 metros, recentemente eleito o MVP da VNL 2026, que garante o equilíbrio perfeito do seis base graças à sua mestria na receção, segurança defensiva e inteligência no momento de finalizar. A este setor junta-se ainda o capitão Aleksander Sliwka (n.º 11), de 1,98 metros, o autêntico cérebro da equipa, que compensa a vertente física com uma evolução técnica ímpar e a capacidade de assumir as rédeas táticas em momentos decisivos.
Na posição de oposto, Bartlomiej Bolądz (n.º 30), com os seus 2,04 metros, afirma-se atualmente como um dos jogadores em melhor forma física no panorama nacional, tendo conquistado a titularidade em diversos momentos da temporada graças à potência devastadora do seu braço esquerdo.
A meio da rede, a imponência física ganha outra dimensão através dos centrais (middle blockers). Bartłomiej Lemanski (n.º 7), com colossais 2,17 metros, e Szymon Jakubiszak (n.º 34), de 2,10 metros, formam uma autêntica muralha humana na rede polaca. Lemanski, consagrado como o melhor blocador da final da VNL 2026, teve ao lado de Jakubiszak um papel absolutamente crucial na revalidação do título da Liga das Nações numa final eletrizante frente aos Estados Unidos.
A regulação de todo este volume ofensivo está a cargo de Marcin Komenda (n.º 4), com 1,98 metros, o principal maestro da distribuição polaca neste Campeonato da Europa. A sua elevada estatura revela-se uma grande vantagem no apoio ao bloco, complementando a precisão e velocidade com que distribui o jogo para as pontas. A fechar a estrutura surge o pilar defensivo Jakub Popiwczak (n.º 3), o líbero de 1,80 metros. Dotado de reflexos felinos, Popiwczak assume a liderança da linha de receção, garantindo a estabilidade necessária para permitir as transições e ataques rápidos que caracterizam o jogo polaco.
Historial de ouro
. Jogos Olímpicos: 1 Medalha de ouro (1976) e 1 Medalha de prata (Paris 2024).
. Campeonatos do Mundo: 3 Títulos mundiais (1974, 2014 e 2018).
. Campeonatos da Europa: 2 Títulos europeus (2009 e 2023). A Polónia entra no EuroVolley 2026 com a missão de defender o título conquistado na última edição.
. Liga das Nações (VNL): 3 Títulos (2023, 2025 e o mais recente em agosto de 2026).
Portugal com caminho sólido e consistente
A Seleção Nacional de Seniores Masculinos atravessa uma das etapas mais sólidas e consistentes da sua história, destacando-se de forma muito especial no contexto continental. O grande marco desta era recente é a sua quarta participação consecutiva na fase final do Campeonato da Europa, um feito inédito que consolida Portugal no grupo das seleções habituais da elite europeia.
O percurso no EuroVolley começou muito cedo, ainda no século passado, com presenças por convite que resultaram num 4.º lugar em 1948 e num 7.º lugar em 1951. Já na era moderna, após apuramentos pontuais em 2005 (10.º lugar) e 2011 (14.º lugar), a seleção encetou a sua atual e memorável sequência de presenças consecutivas. Esta fase de afirmação iniciou-se em 2019 com o regresso às fases finais (20.º lugar) e prosseguiu em 2021, ano em que Portugal garantiu a qualificação no 1.º lugar da sua pool apenas com vitórias, terminando no 15.º posto na fase final. A evolução manteve-se ascendente em 2023, ano em que a equipa das quinas alcançou um excelente 10.º lugar na prova dividida por Itália, Macedónia do Norte, Bulgária e Israel. O ciclo culmina com o apuramento direto para a fase final de 2026, a ser disputada na Roménia, Bulgária, Finlândia e Itália, carimbando em definitivo a quarta presença consecutiva na grande festa do voleibol europeu.
Paralelamente ao sucesso europeu, o historial português conta com momentos de elevado gabarito a nível mundial. Em Campeonatos do Mundo, Portugal soma três presenças: a estreia em 1956 com um 15.º lugar, a inesquecível campanha de 2002 na Argentina com a conquista de um histórico 8.º lugar – o melhor registo de sempre –, e mais recentemente a participação em 2025 nas Filipinas, onde terminou no 16.º posto.
Nas grandes ligas globais de seleções, a representação nacional também deixou forte marca. A seleção registou catorze participações na fase intercontinental da antiga Liga Mundial, destacando-se os brilhantes 5.ºs lugares alcançados em 2005 e em 2014 (no Grupo 2). Este trajeto culminou na presença na elite mundial da Volleyball Nations League (VNL) em 2019, onde alcançou o 15.º lugar, vaga essa conquistada após a vitória na Volleyball Challenger Cup em 2018.
Por fim, o percurso na Liga Europeia e European Golden League reflete a regularidade competitiva da equipa no verão internacional. Além das participações recentes entre 2021 e 2025 (com destaque para dois 5.ºs lugares em 2022 e 2023 e um 7.º em 2025) e do 12.º lugar na Liga Europeia em 2026, a história da competição guarda momentos de glória para Portugal, incluindo a conquista do título em 2010 em Guadalajara, o 2.º lugar em 2007 e o 3.º lugar em 2009, ambos alcançados em Portimão.
Comitiva
Chefe de Delegação – Mário Oliveira
Treinador Principal – João José
Treinador Adjunto – Manuel Silva
Treinador Adjunto – Mário Martins
Scouter – Gonçalo Arezes
Médico – Ricardo Aido
Fisioterapeuta – Hélder Vasco
Preparador Físico – Miguel Vieira
Media – Murilo Augusto
Atletas convocados*
1 – Diogo Fevereiro (SL Benfica) – Distribuidor
2 – Kelton Tavares (Sporting CP) – Central
4 – Filip Cveticanin (SCM Zalau/Roménia) – Central
5 – Gonçalo Gomes (Vitória SC) – Libero
6 – Alexandre Ferreira (Tokyo Great Bears/Japão) – Zona 4/Oposto
7 – Guilherme Menezes (SC Espinho) – Central
8 – Manuel Figueiredo (Volley Nafaels/Suíça) – Zona 4
10 – Gonçalo Sousa (Sporting CP) – Libero
12 – Lourenço Martins (Sporting CP) – Zona 4
14 – Rodrigo Costa (Castêlo da Maia GC)
16 – Tomás Teixeira (SL Benfica) – Zona 4
17 – Bruno Dias (Tourcoing VB/França) – Distribuidor
21 – André Pereira (Martigues VB/França) – Zona 4
22 – Nuno Teixeira (Vitória SC) – Central
*Clube em 2025/2026
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