Portugal estreia-se em casa na Liga Europeia
A Seleção Nacional de Seniores Masculinos, orientada por João José, prepara-se para se estrear em solo nacional na Liga Europeia de 2026. Entre os dias 12 e 14 de junho, a Nave Costa Pereira do Centro de Desportos e Congressos de Matosinhos será o palco do Torneio 15, onde Portugal procura capitalizar o apoio do público português para somar pontos cruciais na corrida às meias-finais.
Na bagagem, a comitiva lusa trouxe de Odense, na Dinamarca, o saldo de um arranque com duas faces: uma derrota por 0-3 frente aos dinamarqueses e uma vitória, também pela margem máxima, diante da Islândia. Este último triunfo poderá revelar-se determinante nas contas finais de uma prova onde apenas as quatro melhores das 27 equipas participantes avançam para a fase seguinte, garantindo simultaneamente o apuramento para o CEV EuroVolley de 2028.
Irá o fator casa conseguir prevalecer contra a consistência de Montenegro e o fulgor da Letónia?
O certo é que o fator casa será um aliado de peso para ultrapassar os exigentes compromissos que se avizinham em Matosinhos, com todos os encontros de Portugal a contarem com transmissão em direto na Sport TV. O primeiro teste está marcado para sexta-feira, às 21h00, frente ao Montenegro. A seleção montenegrina chega a Portugal depois de uma prestação intermédia na Áustria, onde começou por ceder diante da Finlândia (1-3), mas retificou a trajetória ao vencer os anfitriões austríacos por 3-1.
No domingo, às 16h30, Portugal terá pela frente a Letónia, que se assume atualmente como um dos líderes invictos da competição. Os letões entram nesta jornada moralizados por duas vitórias expressivas no seu reduto, tendo derrotado a Roménia e o Kosovo por 3-0. A Letónia integra o lote restrito de apenas três seleções – juntamente com os Países Baixos e a Estónia – que ainda não perderam um único set nesta edição da Liga Europeia. Pelo meio, no sábado, a Letónia e o Montenegro defrontam-se a partir das 17h00.
João José:
“O trabalho coletivo tem que
funcionar um bocadinho melhor”
Em declarações à Volei TV, o selecionador nacional, João José, analisou o momento da equipa após a viagem à Dinamarca e explicou o processo de renovação pelo qual o grupo está a passar:
“Foi um fim de semana com dois jogos distintos, ou seja, um primeiro jogo mais exigente e um segundo jogo onde queríamos procurar as dinâmicas da equipa e tentar consolidar algumas coisas relacionadas mais com o coletivo. É claro que no primeiro jogo as coisas não correram como nós gostaríamos, mas pronto, temos que tentar procurar retirar um bocadinho das coisas que foram correndo bem a espaços, especialmente no que diz respeito ao coletivo.”
O técnico destacou a necessidade de focar o grupo na coesão tática, desvalorizando o individualismo natural deste arranque:
“Existe aqui uma fase inicial, com eles muito preocupados com aquilo que é o individual, o que é perfeitamente normal, mas precisamos um bocadinho mais de ligação. O trabalho coletivo tem que funcionar melhor, o que apareceu de uma forma natural no segundo dia em que eles também se soltaram mais e conseguiram ir mais à procura disso. É isso que queremos trazer durante esta semana e para o próximo fim de semana. Esse coletivo, essa interação entre eles e essa ligação mais próxima daquilo que queremos. Esta equipa tem alguns jogadores que chegam agora pela primeira vez à Seleção Sénior; temos aqui uma equipa diferente.”
Questionado sobre o equilíbrio do plantel e a integração das novas peças, João José assumiu que o grupo está em plena fase de descoberta mútua:
“Eles estão nessa procura e percebem as necessidades, os pontos fortes, os pontos fracos e estamos todos um bocadinho nessa procura. O que pretendemos aqui é tentarmos sair daquilo que são as preocupações individuais – porque os problemas deles também devem ser resolvidos e eles querem jogar bem – e perceber que o coletivo é que também vai resolver uma série dessas questões. Temos que procurar apoiar-nos naquilo que são as organizações, as dinâmicas de equipa, para podermos depois conseguir defrontar o adversário, porque o adversário vai-nos provocar não só problemas individuais, mas igualmente problemas coletivos.”
Sobre o novo formato competitivo, que extinguiu a Golden e a Silver League, o timoneiro nacional reconheceu o acréscimo de exigência:
“De repente, a pressão aumenta. Eles retiraram as pools de qualificação, onde o risco em cada jogo era menor. Agora é por ranking, o que significa que em cada jogo cresce um pouco de pressão para aquilo que são os nossos objetivos. Nesta fase em que nós precisamos de colocar aqui algumas caras novas e dar já algum espaço, é claro que pode comprometer um pouco, mas não estamos muito preocupados com isso. Estamos a tentar resolver os problemas, mas da mesma forma que todas as gerações anteriores precisaram do seu tempo, esta aqui também vai precisar do seu tempo para conseguir ir resolvendo esses problemas e alcançar os objetivos que nós queremos.”
Alex Ferreira:
“Dá uma lufada de ar fresco
e eles vêm motivados”
O capitão de equipa, Alex Ferreira, não escondeu o elevado grau de dificuldade que o novo modelo do torneio impõe à formação lusa, mas elogiou o espírito do grupo:
“É difícil, não vou negar. É um estilo de competição diferente este ano. Ou seja, temos aqui uma margem de pouco erro, neste caso de derrotas. Podemos até ganhar os jogos todos e mesmo assim não chegar a uma final. Ou seja, é um bocado difícil. O nosso principal objetivo é tentar conciliar essa margem, essa margem curta. E depois acresce o facto de termos uma equipa completamente mudada e tentarmos manter o nível. Porque a ideia é mantermo-nos o mais alto possível no ranking. Esses são os nossos principais objetivos.”
Relativamente à inclusão de jovens promessas no balneário, o experiente jogador mostrou-se entusiasmado com a energia renovada:
“O espírito está bom, eu acho que quanto mais novo melhor. Ou seja, dá aqui uma lufada de ar fresco e eles vêm motivados e com vontade para trabalhar. Portanto, eu acho que até mesmo para mim faz-me sentir um bocado… faz-me sentir jovem e dá-me vontade de competir com eles. Portanto, nesse aspeto está excelente e estamos bem.”
Diogo Fevereiro:
A surpresa positiva da estreia
e a vantagem de jogar em casa
O distribuidor Diogo Fevereiro, que se estreia nos convocados da seleção sénior, partilhou o orgulho pela chamada e a forma como foi integrado pelos companheiros:
“Fiquei muito contente, como é óbvio, pois eu nunca tinha vindo à Seleção Sénior e fui apanhado um bocado de surpresa, mas de uma forma positiva. Relativamente aos primeiros dias, eu já tinha estado com alguns destes jogadores nas seleções jovens, já conhecia alguns, o que foi bom. O pessoal acolheu-me bem, claro, como mais novo, mas isso acontece a todos e sinto que foi muito positivo.”
A jogar perante o público português, o jovem atleta acredita que o apoio vindo das bancadas de Matosinhos será um tónico fundamental:
“Naturalmente, a equipa que joga em casa tem sempre uma vantagem e ao conseguirmos ir para Matosinhos mais cedo, fazer a nossa preparação, ambientar-nos bem, isso é uma clara vantagem para nós.”
O caminho até às decisões
e a rota do EuroVolley
Após o fecho do torneio em Matosinhos, a fase regular da Liga Europeia terminará para Portugal no Azerbaijão, de 19 a 21 de junho, onde medirá forças com a seleção local e com a Hungria.
Caso Portugal consiga terminar no top 4 da classificação geral, as meias-finais vão disputar-se entre 27 de junho e 1 de julho, ficando a grande final a duas mãos agendada para o período de 8 a 12 de julho.
Para além da luta pelos títulos, esta competição servirá de barómetro e preparação crucial para o Campeonato da Europa de 2026, que terá lugar de 15 de setembro a 15 de outubro na Itália, Bulgária, Finlândia e Roménia. No EuroVolley, a comitiva nacional ficará sediada na Bulgária, onde enfrentará adversários de enorme peso internacional como a Polónia, a Bulgária, Israel, a Macedónia e a Ucrânia.
Jogos em directo na Sport TV
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