Portugal inicia Liga Europeia em Vila do Conde
A Seleção Nacional de Seniores Femininos deu hoje o primeiro passo rumo a uma temporada de 2026 que promete ser histórica. Com a reformulação profunda das competições continentais decidida pela CEV, as antigas Golden e Silver League – esta última conquistada pelas portuguesas em 2024 – dão lugar a uma Liga Europeia unificada e mais exigente. Este novo figurino assume-se agora como a principal via de qualificação para o EuroVolley 2028, colocando quatro vagas diretas em jogo.
O trajeto destas verdadeiras guerreiras começa em solo nacional. Vila do Conde será o palco do primeiro grande teste, entre os dias 5 e 7 de junho, onde Portugal terá a responsabilidade de organizar o Torneio 5 da Fase de Grupos, defrontando as seleções da Macedónia e da Hungria.
Os trabalhos terão início no dia 18 de maio no Pavilhão Desportivo Municipal de Santo Tirso.
Uma convocatória com sangue novo
Para enfrentar este desafio, o selecionador Hugo Silva anunciou uma lista de 15 atletas que combina a experiência de figuras nucleares com a irreverência de estreantes. O destaque vai para a primeira chamada de três jovens talentos à seleção sénior: a líbero Rita Campos (Leixões SC), Joana Milho, que atua nos EUA pela Central Methodist University, ambas com 22 anos, e a zona 4 Inês Campos (Castêlo da Maia GC), de apenas 18 anos.
A lista completa inclui as centrais Amanda Cavalcanti, Joana Garcez, Marlene Pereira e Raissa Cassamá; as distribuidoras Ana Figueiras e Mariana Garcez; as opostas Júlia Kavalenka e Maria Reis Lopes; as zona 4 Ana Rui Monteiro, Alice Clemente e Margarida Maia; e a libero Matilde Calado, além das já referidas estreantes.
Hugo Silva: “O desafio mais difícil de sempre“
O Selecionador Nacional não esconde a magnitude da tarefa que a equipa tem pela frente. Hugo Silva antevê um ano de exigência máxima, onde a capacidade de superação será a chave para o sucesso.
“Será um ano onde o caminho vai ser difícil, mas que poderá expor as verdadeiras campeãs que há em cada uma das atletas que serão selecionadas“, afirma o técnico. Hugo Silva sublinha que o grupo terá testes de fogo contra seleções como a Hungria, Roménia e Grécia, mas encara essa dificuldade como uma oportunidade: “É precisamente este nível de oposição que o voleibol feminino português precisa para crescer. Para alcançarmos o nosso melhor registo, será imperativo dar o máximo e, acima de tudo, reinventarmo-nos.”
Apesar da pressão, o selecionador nota que o grupo está “impaciente para começar” e mostrar a evolução da modalidade em Portugal.
Ambição e a força de Vila do Conde
Uma das vozes mais experientes do balneário, Júlia Kavalenka, reforça o sentimento de confiança. A oposta, que atua em Itália, garante que a equipa encara o aumento de competitividade com ambição.
“Sabemos que o nível vai subir, mas é precisamente esse tipo de desafio que nos faz crescer. Vamos encarar cada jogo com seriedade, conscientes de que cada detalhe pode fazer a diferença“, refere Kavalenka.
Sobre o arranque em Vila do Conde, a jogadora aponta o público como o «sétimo elemento»: “É fundamental. Jogar em casa dá-nos uma energia extra e o apoio dos adeptos será decisivo para começarmos fortes nesta nova competição.”
Após o torneio inaugural em Portugal, a Seleção Nacional viajará para a Grécia e, posteriormente, para o terreno do vencedor da Ronda Preliminar. O objetivo final é terminar entre as seis melhores classificadas da Fase de Grupos para garantir a presença na Final 6, que decorrerá de 1 a 5 de julho, onde serão carimbados os primeiros passaportes para o próximo Campeonato da Europa.
Convocatória da Seleção Nacional Seniores Femininas para a Liga Europeia 2026:
Centrais
Amanda Cavalcanti (Sporting CP)
Joana Garcez (SL Benfica)
Marlene Pereira (CD Fiães)
Raissa Cassamá (Vitória SC)
Liberos
Matilde Calado (SC Braga)
Rita Campos (Leixões SC)
Opostas
Júlia Kavalenka (Volley Millenium Brescia / Itália)
Maria Reis Lopes (SC Braga)
Distribuidoras
Ana Figueiras (SC Braga)
Mariana Garcez (SL Benfica)
Zonas 4
Ana Rui Monteiro (FC Porto)
Alice Clemente (SL Benfica)
Inês Campos (Castêlo da Maia GC)
Margarida Maia (SC Braga)
Joana Milho (Central Methodist University, EUA
O percurso da equipa das quinas
A jornada de Portugal arranca com a Fase de Grupos, sendo o primeiro anfitrião, em Vila do Conde, de um dos 24 torneios:
Ronda Preliminar (29 a 31 de Maio de 2026)
Torneio com Dinamarca, Luxemburgo, Albânia e Lituânia. O vencedor desta fase garante a entrada na Fase de Grupos.
Fase de Grupos (League Round)
1.º Torneio 5 (5 a 7 de Junho de 2026): PORTUGAL (org.), Macedónia e Hungria.
2.º Torneio 15 (12 a 14 de Junho de 2026): Grécia (org.), PORTUGAL e Kosovo.
3.º Torneio 17 (19 a 21 de Junho de 2026): Vencedor da Ronda Preliminar (org.), Roménia e PORTUGAL.
Fase Final
Final a 6: 1 a 5 de Julho de 2026 (anulada)*.
*Cancelamento da Final 6
Devido à ausência de candidaturas para organizar o torneio num local fixo, não haverá uma Final Six (tanto em masculinos como em femininos).
Novo formato: Eliminatórias «casa» e «fora»
A fase final será disputada no sistema de casa e fora, com a equipa melhor classificada na fase de grupos a ter a vantagem de jogar a segunda mão em casa.
- Meias-finais: Participam os 4 primeiros classificados (1.º vs 4.º e 2.º vs 3.º).
- 1.ª mão: 27 ou 28 de junho de 2026.
- 2.ª mão: 1 de julho de 2026.
- Finais:
- 1.ª mão: 8 de julho de 2026.
- 2.ª mão: 11 ou 12 de julho de 2026.
Notas importantes:
- Sem jogo de medalha de bronze: Como não há um torneio centralizado, não se realizará o jogo de atribuição do 3.º e 4.º lugares.
- Classificação final: Os derrotados das meias finais serão ordenados em 3.º e 4.º lugar com base exclusivamente nos seus resultados nessa eliminatória.