O Voleibol continua a afirmar-se como um verdadeiro baluarte de ética e desportivismo em Portugal, protagonizando episódios que transcendem a competição e enaltecem os valores humanos. Em janeiro de 2026, os pavilhões nacionais foram palco de gestos nobres que resultaram na exibição de múltiplos cartões brancos, confirmando a justeza do recente reconhecimento atribuído à Federação Portuguesa de Voleibol.
Um dos momentos de maior destaque ocorreu no passado dia 24 de janeiro, no Pavilhão 2 do Estádio da Luz, durante o encontro entre o SL Benfica e o SC Braga, a contar para o Campeonato Nacional de Juniores B1 Femininos. Numa partida intensa e renhida, que terminou com a vitória das encarnadas por 3-1, o resultado desportivo acabou por ficar em segundo plano perante uma demonstração de solidariedade no quarto set. Com o marcador em 16-12 para a equipa da casa, a líbero do SL Benfica chocou violentamente com uma colega, lesionando-se numa perna. Perante os gritos de dor da adversária, a fisioterapeuta do SC Braga não hesitou: atravessou prontamente o campo para prestar auxílio imediato, aplicando gelo, despistando lesões graves e ajudando a atleta a sair do terreno de jogo. O árbitro Pedro Matos (AVL), sensibilizado pela atitude, exibiu o cartão branco à profissional de saúde bracarense, sublinhando a beleza do gesto num momento de alta tensão competitiva.
Semanas antes, a 11 de janeiro, o duelo entre o Associação dos Moradores de Santo António dos Cavaleiros (AMSAC) e o ADF Loulé, referente à 1.ª Fase (Série Sul B) do Campeonato Nacional de Sub-21 Masculinos, transformou-se numa autêntica ode à honestidade. No Pavilhão da Escola Secundária José Cardoso Pires, o árbitro Paulo César de Oliveira Veras teve a rara oportunidade de exibir três cartões brancos no mesmo jogo, que terminou com a vitória dos algarvios por 3-0. Ainda no primeiro set, e em desvantagem no marcador, a treinadora do AMSAC alertou o árbitro para uma infração da sua própria equipa — um jogador que pisou a linha dos 3 metros e estava encoberto —, permitindo a reversão do ponto a favor do adversário. A atitude exemplar repetiu-se no segundo set, quando o jogador n.º 1 do AMSAC assumiu espontaneamente um toque na bola num bloco, infração que tinha passado despercebida a todos os intervenientes. Já no terceiro set, foi a vez do treinador do ADF Loulé retribuir o desportivismo: apesar de estar a perder no parcial, informou o árbitro de uma invasão da linha dos 3 metros por um dos seus atletas, corrigindo a decisão oficial.
Estes exemplos práticos de integridade no terreno de jogo espelham o trabalho institucional que tem vindo a ser desenvolvido. Não é por acaso que a Federação Portuguesa de Voleibol (FPV) foi novamente agraciada com o «Prémio Cartão Branco – Entidades» pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), referente à época 2024/2025. A distinção, entregue numa cerimónia recente, premeia as organizações que mais se destacaram na promoção dos valores éticos. Este é um reconhecimento repetido para a FPV, que já havia vencido na mesma categoria na época 2022/2023, cimentando o seu compromisso contínuo com o fair-play, num pódio partilhado este ano com a Federação Portuguesa de Ténis.
O Cartão Branco, recurso pedagógico pioneiro implementado pelo IPDJ desde 2015 no âmbito do Plano Nacional de Ética no Desporto, visa reconhecer condutas eticamente corretas, promovendo valores como o respeito, a inclusão e a cooperação. Atualmente, a iniciativa abrange 34 modalidades e conta com 91 entidades aderentes.
Outros exemplos:
. CN Sub-21 (JB1) Masculinos – Jogo n.º 666 – AA S. Mamede x Esmoriz GC, disputado a 4 de janeiro.
O atleta n. º 13 da AA S. Mamede, João Júnior, viu-lhe ser atribuído cartão branco aos 22-17 do 2.º set.
. CN Sub-21 (JB) Femininos – 1.ª Fase – Norte A – Jogo n.º 1816 – Associação Avense AA78 x GDC Gueifães, disputado a 3 de janeiro.
A jogadora n.º 14 da Associação Avense AA78, Maria Branco, recebeu o cartão branco no segundo set.
A jogadora n.º 16 do GDC Gueifães, Mafalda Medeiros, viu-lhe ser atribuído cartão branco no terceiro set.
. CN Sub-21 (JB) Masculinos – Série Norte – Jogo n.º 2028 – GDC Gueifães x AA Coimbra, disputado a 18 de janeiro.
O jogador n.º 4 da AA Coimbra, Gonçalo Mendes, viu-lhe ser atribuído cartão branco aos 14-13 do 3.º set.
. CN Sub-21 (JB) Masculinos – Série Norte – Jogo n.º 2030 – Vitória SC x CA Madalena, disputado a 17 de janeiro.
No 2.º set, aos 3-2, o atleta n.º 5 do Vitória SC, Guilherme Romano, recebeu cartão branco após confirmar que “a bola do lado do CA Madalena não chega a tocar no chão”.
O Cartão Branco é um recurso pedagógico pioneiro em Portugal implementado pelo IPDJ, no âmbito da intervenção e prossecução dos objetivos do Plano Nacional de Ética no Desporto.
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