RUMO AO TOPO NO MUNDIAL DE VOLEIBOL DE PRAIA

Dupla João Pedrosa/Hugo Campos defronta cubanos na luta pelo 1.º lugar na Pool F

A dupla portuguesa de Voleibol de Praia João Pedrosa/Hugo Campos selou hoje o apuramento para a Ronda de 32 Equipas (ou 16 avos-de-final) do Campeonato do Mundo 2025, que decorre em Adelaide, na Austrália, ao conquistar a sua segunda vitória (2-1: 21-19, 20-22 e 15-9) esta madrugada, frente à dupla do Benim, Daouda Yacoubou/Mensan Tohouegnon.

Mas a ambição da dupla lusa não se fica por aqui: o próximo objetivo passa por conquistar o primeiro lugar do grupo, que será disputado num duelo de alta tensão com a forte dupla cubana, Noslen Diaz/Jorge Luis Alayo, 9.ªs classificados nos Jogos Olímpicos de Paris 2024.

Os tetracampeões nacionais Pedrosa e Campos, 27.ªs no ranking mundial, que se tinham estreado da melhor forma na competição ao vencerem os neozelandeses Brad Fuller e Ben O’Dea por 2-0 (24-22 e 21-18), superiorizaram-se hoje aos representantes do Benim numa partida marcada por condições climatéricas adversas, como referiu João Pedrosa, que foi o porta-voz da dupla:
Foi um jogo muito difícil, muita chuva, muito vento à mistura, com uma equipa de Benim que se apresentou num nível muito alto, mas acima de tudo estamos muito contentes, conseguimos sair do jogo com uma vitória, que era o mais importante, numas condições tão difíceis, e portanto estamos muito contentes“.

Esta vitória não só garante o apuramento para a Ronda das 32 Equipas, como também coloca os olhos da dupla lusitana no topo da Pool F, um objectivo que será decidido na madrugada de segunda-feira (2h30) frente aos cubanos.

Assalto ao 1.º lugar

A ambição de liderar o grupo é clara, pois, como explica João Pedrosa, o primeiro lugar pode traçar um caminho teoricamente mais fácil na fase a eliminar.

Estamos também muito felizes porque é a primeira vez que passamos para a Ronda dos 32 no Campeonato do Mundo, e amanhã [segunda-feira] vamos com certeza dar o nosso melhor para tentar atingir o primeiro lugar do grupo, sabendo que esse primeiro lugar vai nos dar um sorteio que na teoria será mais fácil, e portanto vamos entrar em campo para ganhar, como sempre fazemos”, assevera.

O confronto com a dupla cubana, que se estreou com uma vitória avassaladora, é encarado como um dos maiores desafios do grupo. A rivalidade entre as duas duplas é intensa, com uma vitória para cada lado nos confrontos directos este ano. Pedrosa mostra-se confiante na qualidade do jogo português, mas está consciente da força do adversário.

Acho que se jogarmos como temos vindo a jogar, e se jogarmos com a confiança que temos vindo a jogar, acho que o jogo pode ficar encaminhado para que nós ganhamos, mas sem dúvida que vamos jogar contra uma das melhores duplas do mundo, uma Cuba super forte, sabemos o que é que vamos enfrentar, mas estamos preparados, e é por isso que nós estamos aqui, é para jogar contra os melhores, e para nos batermos contra os melhores”, salienta.

Apesar da dificuldade do desafio, a dupla portuguesa já alcançou o seu primeiro objectivo no Mundial e promete lutar até ao fim pela liderança da Pool F.

É isso, acima de tudo estamos muito contentes que por já passámos, e agora vamos tentar fazer aqui uma coisa bonita e ficar em primeiro lugar do grupo”, conclui.

A fechar a fase de grupos, na madrugada de segunda-feira (2h30), João Pedrosa e Hugo Campos enfrentarão o maior desafio contra a forte dupla cubana Noslen Diaz/Jorge Luis Alayo, 9.ª classificada nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, e que venceu, no jogo de estreia, Yacoubou/Tohouegnon por 2-0 (21-11 e 21-6).

Com um objectivo de classificação em mente, a dupla e o seleccionador Ricardo Rocha encaram o Mundial com responsabilidade, mas sem pressão excessiva. O objectivo a longo prazo é o ciclo olímpico de Los Angeles 2028.

Além da dupla de atletas, a arbitragem portuguesa volta a estar em destaque. O árbitro Rui Carvalho repetirá a presença num Campeonato do Mundo. Rui Carvalho é uma figura internacional de renome, tendo já arbitrado a final masculina de Voleibol de Praia nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, o jogo da medalha de bronze em Tóquio 2020 e a final dos Europeus de 2022.

Entre os melhores

O Campeonato do Mundo de Voleibol de Praia FIVB 2025, o ponto alto e mais aguardado do calendário da modalidade este ano, realiza-se em Adelaide, Austrália, entre 14 e 23 de Novembro. O evento será transmitido em directo e na íntegra através da VBTV.

Ao longo dos dez dias de competição no «Down Under», será possível assistir-se a confrontos intensos e dramáticos que culminarão na coroação dos novos campeões mundiais. Os fãs de todo o planeta que acompanharem a VBTV terão a possibilidade de ver todos os jogos, seja em directo ou em diferido (on-demand). A melhor forma de seguir o Mundial é descarregando a aplicação VBTV.

Esta 15.ª edição do Mundial de Voleibol de Praia promete ser a mais competitiva de sempre, juntando as 48 melhores duplas femininas e masculinas do mundo, representando 40 países de todos os cinco continentes. O lote de participantes inclui campeões e medalhistas olímpicos, bem como ex-campeões mundiais, com vários favoritos ao ouro em ambas as categorias.

Os melhores jogadores de Voleibol de Praia a nível mundial reúnem-se na cidade anfitriã para este evento de prestígio. Um dos grandes alvos a abater é a dupla norueguesa formada por Anders Mol e Christian Sorum, que procurarão ser os primeiros homens a conquistar o título mundial por duas vezes. Os noruegueses, actualmente no topo do Ranking Mundial da FIVB e campeões olímpicos de Tóquio 2020, destacam-se como uma das duplas masculinas mais impressionantes. Já fizeram história em 2022 ao garantirem o primeiro ouro mundial para o seu país e regressam ao Campeonato do Mundo com o objectivo de alcançar a sua terceira medalha, após o bronze de 2019.

Outras estrelas masculinas que procuram um título mundial são os actuais campeões olímpicos, os suecos David Ahman e Jonatan Hellvig. Com 23 e 24 anos, respectivamente, estes atletas especialistas no «jump-set» chegaram à final na sua única participação em 2023, onde ficaram com o bronze.

Os cataris Cherif Younousse e Ahmed Tijan formam a dupla mais bem-sucedida do Circuito Mundial (Beach Pro Tour) de 2025, com quatro ouros em seis torneios, e serão adversários a ter em conta na Austrália. Medalhistas de bronze em Tóquio 2020, a sua vasta experiência e capacidade atlética excepcional permitem-lhes enfrentar o rigor das eliminatórias e ambicionar mais um feito de relevo nas suas carreiras.

No grupo de duplas masculinas com potencial para disputar medalhas em Adelaide estão ainda os checos Ondrej Perusic e David Schweiner (actuais campeões mundiais), os olímpicos brasileiros Evandro Gonçalves e Arthur Lanci, e os neerlandeses Stefan Boermans e Yorick de Groot, que alcançaram o pódio em seis dos sete eventos do Beach Pro Tour que disputaram em 2025.

No sector feminino, o Brasil, uma das nações mais fortes no Voleibol de Praia, tem duas duplas em excelente posição para competir pelo título. As actuais campeãs olímpicas Eduarda (Duda) Lisboa e Ana Patrícia Ramos, que marcaram presença nas duas finais anteriores (ouro em 2022 e prata em 2023), e as líderes do Ranking Mundial da FIVB, Victoria Lopes e Thamela Coradello, que somam quatro ouros e oito medalhas internacionais desde que formaram dupla em 2024.

Com as campeãs em título Kelly Cheng e Sara Hughes a competir com novas parceiras (Cheng jogará com Molly Shaw, enquanto Hughes não se qualificou), os Estados Unidos confiam nas atletas olímpicas Kristen Nuss e Taryn Brasher para defenderem o título alcançado pelas norte-americanas. A dupla conquistou um pódio na sua estreia no Campeonato Mundial de 2023 e já garantiu três ouros no Beach Pro Tour esta época.

As canadianas Melissa Humana-Paredes e Brandie Wilkerson, medalhistas de prata olímpicas em Paris, também são fortes candidatas na Austrália. Ambas têm experiência em finais do Mundial (Melissa ganhou o ouro em 2019 e Brandie a prata em 2022), e a sua parceria tem-se fortalecido nos últimos anos. Entre as duplas europeias, as alemãs Cinja Tilmman e Svenja Muller, as italianas Valentina Gottardi e Reka Orsi Toth, as letãs Tina Graudina e Anastasija Samoilova e as neerlandesas Raisa Schoon e Katja Stam parecem as mais bem preparadas para tentar levar o Velho Continente de volta ao lugar mais alto do pódio pela primeira vez desde 2017.

Em 2023, Pedrosa/Campos terminaram a sua participação no Campeonato do Mundo no 33.º lugar, após uma derrota renhida (1-2) na fase dos «Lucky losers» frente aos australianos Christopher McHugh e Paul Burnett.

O caminho até às medalhas

A maior competição de Voleibol de Praia alguma vez realizada na Oceânia contará com 48 duplas em cada género. O formato de disputa será o seguinte:

Fase de grupos:
As 48 duplas por género são divididas em 12 grupos de quatro equipas, num sistema de todos contra todos a uma só volta (single round-robin).
Avançam directamente para a Ronda de 32 Equipas (ou 16 avos-de-final): os vencedores e os segundos classificados de cada grupo, mais as quatro melhores duplas terceiras classificadas.

Ronda «Lucky Loser»:
As restantes oito duplas terceiras classificadas avançam para uma primeira ronda a eliminar, apelidada de ronda lucky loser. Os quatro vencedores desta fase também se qualificam para a Ronda de 32.

Fase de eliminação directa:
A partir da Ronda de 32, a competição segue em formato de eliminação directa (single elimination), incluindo:
. 16 Avos-de-final, oitavos-de-final, quartos-de-final e meias-finais;
. Disputa do 3.º e 4.º lugar (medalha de bronze) e final (ouro e prata).

No total, serão disputados 216 jogos ao longo dos dez dias de competição em Adelaide.

A caminhada de Pedrosa e Campos no Voleibol de Praia é um modelo de empenho e crescimento.
A dupla iniciou o seu percurso em 2017, mostrando potencial logo nas competições para escalões mais jovens, como se viu com o 3.º lugar na Taça Continental Jovem (CEV Youth Continental Cup).
A sua evolução foi progressiva. Em 2021, já exibiam maturidade com três pódios (dois 2.º lugares e um 3.º) em torneios do World Tour. O ano seguinte assinalou a passagem para o Beach Pro Tour e a conquista da medalha de ouro nos Mundiais Universitários, no Brasil, um resultado que lhes franqueou o acesso a provas de maior calibre.
A partir de 2023, firmaram-se no circuito principal, alcançando o seu primeiro grande feito: a vitória no Beach Pro Tour Challenge de Edmonton, no Canadá. Em 2024, continuaram a acumular resultados de primeira linha, nomeadamente um 3.º lugar nas Finais da Taça das Nações.
O ano de 2025 é o da consagração, com a dupla a atingir as rondas finais dos principais torneios de forma regular. O 3.º lugar obtido recentemente no Challenge de Yucatán, no México, prova que Pedrosa e Campos estão consistentemente a lutar pelos lugares de topo nas competições mais exigentes do mundo.
Além disso, a vitória alcançada no BPT Elite16 de João Pessoa, onde superaram os noruegueses Anders Berntsen Mol e Christian Sandlie Sorum — a dupla número um do mundo, detentora de títulos olímpicos e mundiais — atesta o excelente momento de forma que os tetracampeões nacionais atravessam.

Mais informações sobre as actividades do Voleibol aqui e História do Voleibol aqui

Currículo de João Pedrosa e Hugo Campos:

2025
Beach Pro Tour Challenge Veracruz
(México) – 17.º lugar.
Beach Pro Tour Elite16 Rio de Janeiro – 25.º lugar.
Beach Pro Tour Elite16 João Pessoa (Brasil) – 5.º lugar.
Circuito Nacional Voleibol de Praia – 1.º lugar.
Beach Pro Tour Challenge Baden
9.º lugar.
CEV EuroBeachVolley 2025 (Dusseldorf, Alemanha) – 17.º lugar.
Finais Nations Cup 2025
5.º lugar.
Beach Pro Tour Elite16 de Gstaad –19.º lugar.
Beach Pro Tour Challenge de Alanya – 25.º lugar.
Beach Pro Tour Elite16 de Ostrava – 13.º lugar.
Beach Pro Tour Challenge de Xiamen 9.º lugar.
Beach Pro Tour Elite16 de Brasília 19.º lugar.
Beach Pro Tour Elite16 de Saquarema9.º lugar.
Beach Pro Tour Challenge de Yucatán (México) – 3.º lugar.
2024
Beach Pro Tour de Nuvali13.º lugar.
Beach Pro Tour Elite16 João Pessoa (Brasil) – 9.º lugar.
FISU World University Championship Beach Sports 2024 (Brasil) – 3.º lugar.
Beach Pro Tour Elite16 de Hamburgo (Alemanha) – 13.º lugar.
Campeonato da Europa (Países Baixos) – 25.º lugar.
Circuito Lipton Kombucha – Final em Esmoriz – 1.º lugar.
Finais da Taça das Nações (Letónia) – 3.º lugar.
BPT Challenge Stare Jablonki (Polónia) – 9.º lugar.
BPT Elite16 Espinho – 13.º lugar.
Pool D da Taça das Nações (Turquia) – 1.º lugar.
BPT Challenge Xiamen (China) – 17.º lugar.
BPT Challenge Guadalajara (México) – 19.º lugar.
Beach Pro Tour Challenge de Recife (Brasil) –25.º lugar.
Beach Pro Tour Elite16 Doha (Catar) – 21.º lugar.
2023
Beach Pro Tour de Nuvali – 5.º lugar
Beach Pro Tour Challenge de Chiang Mai (Tailândia) – 9.º lugar
Beach Pro Tour Challenge de Haikou (China) – 19.º lugar
Beach Pro Tour Challenge de Goa (Índia) – 9.º lugar 
FIVB Beach Volleyball World Championships – 33.º lugar
Beach Pro Tour Elite 16 Paris (França) – 21.º lugar
III Jogos do Mediterrâneo de Praia (Grécia) – 3.º lugar
Campeonato Nacional – Final em Portimão – 1.º lugar
Beach Pro Tour Challenge de Edmonton (Canadá) – 1.º lugar
 Beach Pro Tour Challenge de Espinho – 9.º lugar
Beach Pro Tour Challenge Jurmala (Letónia) – 19.º lugar
Taça das Nações – Pool G (Hungria) – 3.º lugar
Beach Pro Tour Elite 16 de Uberlândia (Brasil) – 21.º lugar
Beach Pro Tour Challenge de Saquarema (Brasil) – 17.º lugar
Beach Pro Tour Challenge de Itapema (Brasil) – 19.º lugar
Beach Pro Tour Challenge de La Paz – 19.º lugar
2022
Beach Pro Tour Challenge de Torquay – 4.º lugar
Beach Pro Tour Challenge do Dubai – 9.º lugar
Beach Pro Tour Challenge do Dubai – 9.º lugar
Mundiais Universitários de Voleibol de Praia, em Maceió/Brasil – 1.º lugar
Beach Pro Tour Future de Cortegaça/Portugal – 2.º lugar
Campeonato Nacional – Lidl, em Cortegaça – 1.º lugar
Beach Pro Tour Challenge de Agadir/Marrocos – 33.º lugar 
Beach Pro Tour Espinho Challenge/Portugal – 19.º lugar
Beach Pro Tour Giardini Naxos Future/Itália – 9.º lugar
Beach Pro Tour Madrid Future/Espanha – 17.º lugar
Beach Pro Tour Doha Challenge/Catar – 25.º lugar
Beach Pro Tour Itapema Challenge/Brasil – 33.º lugar
Beach Pro Tour Tlaxcala Challenge/México – 33.º lugar
2021
World Tour 2* (Praga/Rep. Checa) – 21.º lugar
World Tour 1* (Cortegaça/Portugal) – 2.º lugar
World Tour 1* (Sófia 2/Bulgária) – 2.º lugar
World Tour 1* (Sófia 1/Bulgária) – 3.º lugar
Europeu Sub-22 (Baden/Áustria) – 9.º lugar
World Tour 4* (Ostrava/Rep. Checa) – 41.º lugar
2020
Europeu Sub-22 (Izmir/Turquia) – 17.º lugar
World Tour 1* (Montpellier/França) – 9.º lugar
2019
Jogos do Mediterrâneo – 5.º lugar
World Tour 1* (Knokke-Heist/Bélgica) – 21.º lugar
World Tour 4* (Espinho/Portugal) – 25.º lugar
Europeu Sub-20 (Gotemburgo/Suécia) – 17.º lugar
2018
Torneio WEVZA (Quarteira/Portugal) – 4.º lugar
Europeu Sub-20 (Anapa/Rússia) – 25.º lugar
Europeu Sub-18 (Kazan/Rússia) – 17.º lugar
2017
CEV Youth Continental Cup – 3.º lugar

Árbitros portugueses em acção
no Voleibol de Praia

Rui Carvalho
Campeonato do Mundo de Seniores, em Adelaide, na Austrália, de 14 a 23 de Novembro.

 

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