PORTUGAL NOS «QUARTOS» DA TAÇA DAS NAÇÕES

Portugal apurou-se hoje para os quartos-de-final da Taça das Nações de Voleibol de Praia (CEV Beach Nations Cup) – uma competição de «país contra país» – a decorrer na Praia da Baía, em Espinho. João Pedrosa/Hugo Campos e Gonçalo Sousa/Tomás Sousa bateram-se bem contra a forte Noruega e foram recompensados com o triunfo da Áustria sobre a Dinamarca, que ajudou à sua qualificação para a fase seguinte da competição.

Amanhã, há confronto ibérico nos quartos-de-final masculinos. Gonçalo e Tomás Sousa enfrentam (12h00) Álvaro Viera/Antonio Saucedo e Pedrosa e Campos vão defrontar, pelas 13h00, Javier e Alejandro Huerta.

Em femininos, a Alemanha e a (surpreendente) Espanha disputam, a partir das 14h30, um lugar na final de domingo.  A outra meia-final coloca frente a frente os Países Baixos e a Ucrânia, a partir das 17h00.

O dia abriu com o Portugal x Áustria de masculinos. Os irmãos Sousa entraram muito bem no jogo (21-19) e estiveram perto de consolidar o triunfo frente a Julian Horl e Philipp Waller, mas acabaram por ceder no segundo (23-25) e no terceiro parciais (12-15). O set ganho era importante para as contas, mas João Pedrosa e Hugo Campos não quiseram arriscar e somaram a segunda vitória consecutiva na competição, desta feita pela margem máxima (2-0: 21-16 e 21-19) diante de Timo Hammarberg e Tim Berger, este último filho do antigo olímpico Nik Berger.

Seguidamente, a dupla João Pedrosa e Hugo Campos enfrentou um dos maiores desafios da sua carreira ao defrontar os noruegueses Anders Mol e Christian Sandlie Sorum. Os “Beachvolley Vikings”, como são conhecidos, são a dupla número um do mundo, ostentando um impressionante currículo que inclui duas medalhas olímpicas (ouro em Tóquio 2020 e bronze em Paris 2024), um título mundial e quatro títulos do EuroBeachVolley. Apesar da derrota por apertados 0-2 (23-25 e 16-21), o confronto em Espinho foi um verdadeiro teste-de-fogo e a análise dos atletas portugueses reflecte a importância deste embate.

Logo após o jogo contra uma dupla com tamanha envergadura e histórico, a dupla tricampeã nacional, não escondeu a satisfação e a ausência de pressão.
Nós sabíamos que ia ser um jogo muito difícil, mas não tínhamos pressão nenhuma e estávamos a jogar em casa, estávamos muito felizes de estar a jogar contra eles, ainda por cima, aqui em Portugal. Queremos dar esses espectáculos aos portugueses“, afirmaram, realçando o privilégio de defrontar os campeões olímpicos e mundiais em solo nacional. A performance, apesar do resultado, deixou-os com a certeza de que estão no caminho certo:
As coisas saíram bem, nós sabemos que conseguimos atingir esse nível e sentimos mesmo que faltam muito pouco para chegar ao nível deles e conseguir elevar-nos. Apesar da derrota, que é sempre um sabor amargo, estamos contentes com a exibição“.

Questionados sobre o que seria esse “pouco que falta” para atingir o nível dos melhores do mundo, a resposta foi unânime: “O que falta é tempo. Ainda estávamos a falar disso há pouco. Mas o pouco que nos falta leva muitos anos a conquistar.”
A dupla reconhece que o processo é gradual e exige paciência e dedicação contínuas. “Estamos a fazer o nosso caminho, sabemos qual é o nosso caminho e achamos que estamos no bom caminho. Portanto, não há que ter pressas, mas paciência. Acho que vamos conseguir chegar ao nível deles e, portanto, estamos orgulhosos do que fizemos aqui no campo. Provámos que conseguimos lutar contra uma das melhores duplas do mundo em campo e, quem sabe, num futuro, podemos ganhar.”

Relativamente ao balanço da primeira fase da competição, e apesar de (na altura das declarações) a incerteza sobre a passagem à próxima fase, a dupla mantém a cabeça erguida. “É assim, apesar de não sabermos se passamos ou não, fizemos o nosso. Fizemos o nosso melhor em campo, que é sempre esse o nosso objectivo. É jogar bem e depois os resultados vêm atrás.”

Recordando os desafios dos jogos anteriores, “Primeiro jogo, um 2-1, muito difícil. O segundo jogo, um 2-0, também super-complicado, numa areia que parece que nos puxa para baixo. O terceiro jogo perdemos 0-2, mas saímos de aqui orgulhosos com o nosso trajecto. Agora vamos esperar os resultados e vamos ver se passamos ou não.”

Mas passaram mesmo… e com todo o mérito, com a qualificação a ser confirmada pela derrota da Dinamarca frente à Áustria.

FEMININOS

No último jogo da fase de grupos, as portuguesas não foram felizes: Vanessa Paquete e Raquel Lacerda defrontaram Maryna Hladun/Tetiana Lazarenko (0-2: 12-21 e 16-21), e Gabriela Coelho e Mariana Maia jogaram com Valentyna Davidova/Anhelina Khmil (0-2: 7-21 e 13-21).

O auge aconteceu já ao final da tarde, quando as portuguesas disputaram os quartos-de-final com as poderosas neerlandesas.

A dupla Gabriela Coelho/Mariana Maia defrontou Mila Konink/Raisa Schoon, tendo cedido apenas pela diferença mínima: 1-2 (10-21, 21-19 e 10-15).

No último e decisivo jogo, Emi van Driel e Wies Bekhuis venceram (2-0: 21-11 e 21-8) Vanessa Paquete e Raquel Lacerda.

Oportunidade de crescer como dupla(s)

Um facto ficou bem patente:  apesar de enfrentarem um desafio a que não estão habituados, os atletas portugueses aproveitaram esta primeira fase da competição como uma importante curva de aprendizagem e uma oportunidade para crescer enquanto equipas.
Apesar dos resultados não terem sido sempre os mais desejados, o foco principal parece ser a evolução e a experiência adquirida ao defrontar algumas das melhores equipas do mundo.

Raquel Lacerda destacou a resiliência da equipa, afirmando: “No final desta primeira fase, percebemos que, apesar da diferença de nível, conseguimos impor uma boa defesa. Falta-nos melhorar um pouco no contra-ataque. Sabemos que isso depende de nós e temos de evoluir.”

Para Mariana Maia, a dificuldade desta fase já era esperada. “Sabíamos que esta fase seria muito complicada. O primeiro dia correu-nos melhor. Temos de ganhar um pouco mais de consistência, mas, no geral, estamos muito satisfeitas com a prestação. Sentimos que evoluímos ao jogar com grandes adversárias“.

Na vertente masculina, Tomás Sousa fez um balanço positivo da experiência. “Foi uma primeira fase muito difícil e, em dois jogos — nomeadamente frente à Áustria — saímos com a sensação de que podíamos ter feito melhor. Mas o balanço é sempre positivo, sobretudo pela aprendizagem de estar entre as melhores duplas do mundo. Fez-nos crescer.”

Por fim, Gonçalo Sousa admitiu alguma apreensão inicial, mas mostrou-se optimista para o futuro. “Entrámos um pouco receosos nesta fase, mesmo estando em boa forma. Tivemos uma prestação algo inconstante, mas na próxima vamos já com a aprendizagem dos primeiros jogos e vamos dar tudo.

Competição: As oito nações qualificadas foram divididas em dois grupos de quatro. As três melhores duplas de cada grupo avançam para as eliminatórias: os vencedores dos grupos qualificam-se directamente para as meias-finais, enquanto as duplas classificadas em segundo e terceiro lugar disputam os quartos-de-final.
A fase de grupos feminina decorre de quinta a sexta-feira, sendo os quartos-de-final realizados na sexta-feira. As meias-finais estão agendadas para sábado e o tão aguardado jogo da medalha de ouro terá lugar no domingo, prometendo um encerramento emocionante para este prestigiado torneio.

Mais informações AQUI

Árbitros portugueses em acção
no 
Voleibol de Praia

Rui Carvalho
BPT Elite16 Hamburg (Alemanha), de 27 a 31 de Agosto.
Beach Pro Tour Challenge do México, de 1 a 5 de Outubro.
Beach Pro Tour Elite16 Cape Town (África do Sul), de 22 a 26 de Outubro.
Campeonato do Mundo de Seniores, em Adelaide, na Austrália, de 14 a 23 de Novembro.

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