O LEGADO DE DUAS GERAÇÕES

De mãe para filha: O legado de paixão e emoção que une duas gerações na Seleção Nacional de Seniores Femininos.

Há histórias que parecem escritas com a precisão de uma jogada perfeita, mas que carregam a carga emocional de quem vive o desporto com o coração. A Seleção Nacional de Seniores Femininos de voleibol prepara-se para disputar a fase final do Campeonato da Europa e, no meio da exigência e do sonho continental, destaca-se uma narrativa de cumplicidade, orgulho e passagem de testemunho. Com apenas 18 anos, Inês Sol Campos estreou-se na equipa principal e na Liga Europeia, dando continuidade a uma herança familiar que começou no passado com a sua mãe, Daniela Sol, antiga internacional portuguesa.

A estreia na equipa das “quinas” aos 18 anos chegou mais cedo do que Inês esperava, mas trouxe consigo uma avalanche de sentimentos. “Na minha primeira entrada em campo lembro-me de estar com um misto de nervosismo, ansiedade e muita emoção. Estava muito feliz por estar a viver aquele momento, principalmente porque não estava à espera de chegar à seleção sénior tão cedo“, confessa a jovem internacional. Nas bancadas, a viver o jogo de uma perspectiva completamente nova, estava a mãe. Dani admite a inquietação do momento: “Na estreia da Inês, senti-me muito mais nervosa do que quando jogava. Estava sentada na bancada, sem poder fazer nada para além de a apoiar, um misto de orgulho e ansiedade.”

Apesar de não levarem amuletos para o campo, o ritual de família cumpre-se sempre no apito final. Quer haja vitória ou derrota, Inês recebe das mãos da mãe uma tablete de chocolate. “Não é propriamente um amuleto antes dos jogos, mas sim no final. É uma tradição que foi passando de geração em geração e, claro, nesse jogo de estreia a tablete de chocolate no fim do jogo também não podia faltar“, conta Inês. Antes do apito inicial, a mensagem de Dani é simples: “O que sempre digo à Inês é para ela se divertir e desfrutar do jogo.”

Para Inês, crescer numa casa onde o voleibol sempre foi prato principal – uma vez que o pai também jogou ao mais alto nível – significou ter no teto de casa a sua maior referência. “A minha mãe é, sem dúvida, a minha maior inspiração. Ao mesmo tempo, isso acaba por trazer alguma pressão, porque tenho sempre a vontade de estar à altura daquilo que ela era“, admite a jovem atleta.

Analisando a filha sob a ótica de quem conhece o jogo por dentro, Dani destaca as diferenças entre ambas: “A Inês tem características físicas diferentes das minhas, mas em termos de feitio e forma de estar no desporto somos muito parecidas. Ela é mais alta, mais forte e, na minha opinião, percebe mais de voleibol do que eu quando tinha a idade dela. Eu tinha características mais defensivas, como receção e defesa, a Inês é mais equilibrada em todas as ações do jogo.”

Fora do pavilhão, a paixão pelo desporto não se desliga. “Quando vemos jogos em casa estamos sempre a comentar. Claro que a minha mãe percebe mais do que eu e tem uma visão diferente por já ter jogado ao mais alto nível, mas apesar de às vezes não concordarmos em tudo, gostamos muito de ver os jogos juntas“, revela Inês. Dani concorda com o ambiente em casa: “Falamos como duas jogadoras, e claro, nem sempre estamos de acordo, pois cada uma vê o voleibol de forma diferente, de acordo com a nossa experiência. Mas, no fundo, gostamos de aprender uma com a outra.”

De olhos postos no futuro e na fase final do EuroVolley, Inês traça os seus objetivos com clareza: “O meu principal objetivo é continuar a ser chamada à seleção sénior e continuar a evoluir enquanto jogadora. Gostaria muito de poder ajudar Portugal a estar presente em mais Campeonatos da Europa e contribuir para que o nível da seleção continue a crescer.” Para isso, conta com a sabedoria da mãe, que deixa os conselhos para o sucesso: “É fundamental que seja humilde, saiba ouvir e deixe as coisas fluírem naturalmente. Para jogar voleibol, é preciso ter paciência, resiliência, dedicação, trabalho, paixão e ilusão.”

Para a família Sol Campos, ter duas gerações a vestir a camisola principal de Portugal é a confirmação de que o talento e o amor à modalidade se transmitem no sangue. “Representarmos a seleção nacional sénior foi um orgulho e um privilégio que sempre fará parte da nossa história“, rematam mãe e filha, unidas pelo mesmo símbolo ao peito.

A Seleção Nacional de Seniores Femininos vai disputar a fase final do Campeonato da Europa, que decorre entre 21 de agosto e 6 de setembro, tendo ficado inserida no Grupo C, com sede em Baku (ver mais informações aqui).

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