HÚNGARAS ENTRAM COM OUTRO RITMO NA LIGA EUROPEIA

A Seleção Nacional de Seniores Femininos, orientada por Hugo Silva, perdeu hoje, por 0-3 (22-25, 20-25 e 23-25), com a sua congénere húngara, no jogo inaugural do Torneio 5 da fase de grupos da Liga Europeia, a decorrer no Pavilhão dos Desportos de Vila do Conde e que contou com a arbitragem do espanhol Ruben Sanchez Rodriguez e do irlandês Giordano Vinicius dos Santos.
Este foi o primeiro passo da Seleção Nacional rumo a uma caminhada exigente na Liga Europeia 2026. A grande novidade desta edição é a profunda reformulação das competições da CEV, que aglutinou as anteriores Golden League e Silver League numa competição unificada. Este novo formato passa a funcionar como a principal porta de acesso ao EuroVolley 2028, tendo quatro vagas diretas em disputa.

As portuguesas folgam amanhã, enfrentando a Macedónia do Norte no domingo. As seleções da Hungria e da Macedónia defrontam-se amanhã pelas 17h00. A equipa de arbitragem para estes jogos é composta por Ricardo Ferreira (Portugal), Giordano Vinicius dos Santos (Irlanda) e Ruben Sanchez Rodriguez (Espanha).

Portugal x Hungria, 0-3 (22-25, 20-25 e 23-25)

A caminhada oficial da equipa das quinas arrancou esta sexta-feira em solo nacional, com o Pavilhão dos Desportos de Vila do Conde a acolher o Torneio 5 da fase de grupos. Para esta estreia em Vila do Conde, O selecionador nacional, Hugo Silva, elaborou uma lista de atletas onde é clara a aposta na continuidade do grupo que tem garantido o crescimento da equipa, mas que não abdica da renovação, como o prova a inclusão de jovens promessas, como Rita Campos e Joana Milho, ambas de 22 anos, e Inês Campos, de apenas 18 anos.

1.º Set
Portugal iniciou o jogo com um bloco da oposta Júlia Kavalenka (1-0), mas a Hungria passou para a frente com um ataque da oposta Anett Németh (2-1). Um ataque em que Video Check deu razão a Portugal e outro de Ana Rui Monteiro igualaram a contenda (3-3).
Uma maior agressividade nas ações ofensivas imposta pelas húngaras permitiu que a seleção magiar, orientada pelo italiano Alessandro Chiappini, fugisse (8-4). Hugo Silva pediu tempo,  Júlia Kavalenka estancou a hemorragia pontual, mas apenas momentaneamente já que um ataque da oposta Anett Németh e três ataques desperdiçados por Portugal voltaram a afastar a Hungria (13-7).
Um bloco de Anett Németh manteve a distância (17-11). Sentindo o perigo, Portugal acelerou as suas ações ofensivas e mostrou-se mais agressivo nas defensivas. Um bloco de Maria Reis Lopes (17-14) levou o (muito) público ao rubro.
A Hungria começou a cometer erros no ataque e Portugal aproveitou para se aproximar ainda mais com dois pontos (ataque e serviço) de Joana Garcez (19-17). Um rally interminável e gerador de várias emoções, selado com um ataque de Margarida Maia, deram novo fôlego a Portugal (23-21).
Um ataque falhado por Lilla Kiss fez tremer as hostes magiares. Um ataque de Anett Németh – o seu 9.º ponto no set – e um erro de Portugal fixaram em 25-22 o triunfo da Hungria.

2.º Set
O segundo parcial começou com um bloco da inevitável Anett Németh. E a oposta esquerdina húngara voltou a faturar no bloco pouco depois (4-2). mais uma vez foi Júlia Kavalenka a travar a cavalgada pontual da Hungria (5-3). Um ataque de Ana Rui Monteiro e outro de Kavalenka e a contenda estava igualada (5-5)… Com Anett Németh no serviço e Brigitta Petrenkó no bloco, a Hungria voltou a fugir (9-5).
Um ataque de Anett Németh aumentou a diferença (12-7).
Um bloco de Ana Rui Monteiro aproximou Portugal (13-10)… mas um ataque e um serviço direto de Lilla Kiss fastaram novamente as húngaras (15-11). Pior: um ataque de Anett Németh abriu alas à seleção magiar (17-11).
Um pressing final voltou a colocar Portugal em jogo (22-19). Um amorti de Anne Németh, um ataque de Aliz Kum e outro de Lilla Kiss selaram novo triunfo da Hungria: 25-20.

3.º Set
Começo do set equilibrado e a pender inicialmente para as portuguesas (7-4), com dois ataques de Raissa Cassamá.
Um ataque de Amanda Cavalcanti deu a primeira vantagem de quatro pontos a Portugal (10-6). Com Mariana Garcez e Ana Cavalcanti no bloco, Portugal encetou uma fuga pontual, travada por Anett Németh, com dois ataques consecutivos (13-9).
Novo bloco de Amanda Cavalcanti e um ataque desperdiçado pelas magiares voltaram a impulsionar as portuguesas (15-10).
E novamente Anett Németh a parecer nos momentos decisivos e a encurtar a diferença (15-13).
Três pontos rubricados por Ana Rui Monteiro catapultaram Portugal (21-17). Um amorti da zona 4 lusitana e a Portugal cada vez mais perto do triunfo no set (22-18).
A Hungria não baixou os braços e Portugal perdeu um pouco no norte (22-21). Um bloco de Aliz Kum igualou a contenda (23-23). Dois ataques de Anett Németh (com chancela do Video Check) e a Hungria selava novo triunfo no set e no jogo: 25-23.

Com 26 pontos, Anett Németh foi a melhor pontuadora do jogo. Amanda Cavalcanti e Ana Monteiro, ambas com 10, foram as portuguesas mais concretizadoras. Ver estatística AQUI

Hugo Silva: “Encaramos todos os jogos para ganhar.”

“É inquestionável o valor desta Hungria, não é? Toda a gente sabe que é uma equipa, em termos de ranking, acima de nós, e bem acima. Habituada a estas competições, finalista da Golden League do ano passado. E a verdade é que foi uma equipa que se preparou para vir para aqui.
Uma equipa que fez 11 jogos de preparação, e este foi o nosso primeiro jogo. Acho que com o decorrer da competição, com o decorrer do jogo, a equipa foi-se adaptando, foi-se ajustando, foi se sentindo cada vez mais calma, porque isto de jogar não chega só a treinar.
E portanto, acho que foi um fator que desequilibrou bastante. O ritmo competitivo da Hungria era notório. As bolas dificilmente caíam.
A equipa jogava quase espontaneamente, mecanicamente. E nós fomos tendo dificuldades. Fomos ajustando e fomos tentando, digamos, de criar o máximo de dificuldades possíveis dentro daquilo que eram as nossas condições”, salientou Hugo Silva, adiantando, sobre o jogo de amanhã, com a Macedónia:
“Nós encaramos todos os jogos para ganhar. E isto não é pela Hungria estar acima de nós em termos de ranking, e o facto de nunca temos ganho a esta Hungria, que não entrámos aqui para vencer o jogo. Agora, obviamente, que a Macedónia é uma equipa diferente.
E temos que nos assumir e temos que encarar o jogo para vencer, e não há outra forma. Se queremos continuar a pensar nesta competição de uma forma diferente. E não só estar por estar.”

Ana Rui Monteiro liderou a reação portuguesa no terceiro set.
“Acho que este jogo representou um bocado o que têm vindo a ser os treinos. Começámos os trabalhos um bocadinho mais tarde e temos evoluído muito ao longo das semanas. Sentimos uma diferença gigante desde a primeira semana que estamos a trabalhar. E acho que isso notou também um bocadinho aqui a forma como começámos e acabámos o jogo.
Totalmente diferente. Acho que estamos a evoluir, estou muito orgulhosa do percurso que estamos a fazer. Mas sim, hoje fica um sentimento de que podia ter dado mais.
Domingo, se calhar, isso ainda vai ser mais notório. Acho que já tivemos aquele alívio do primeiro jogo, já passou aquele nervosismo inicial. E sinto que no domingo estamos bem mais preparadas, muito mais confiantes para conseguir a vitória.”

Após a etapa em Vila do Conde, a comitiva nacional viaja para a Grécia, onde disputará o Torneio 15 entre 12 e 14 de junho, defrontando a seleção anfitriã e o Kosovo. A fase de grupos culminará com o Torneio 17, de 19 a 21 de junho, a realizar na Lituânia (país vencedor da ronda preliminar), onde Portugal medirá forças com a Roménia e a seleção da casa. Nota ainda para a arbitragem portuguesa além-fronteiras, com Raquel Portela a dirigir encontros no Torneio 12, em Espanha.

Caso Portugal consiga o apuramento entre os quatro primeiros classificados da fase de grupos, avançará para a Fase Final, que será disputada no sistema de eliminatórias de “casa e fora” (1.º vs 4.º e 2.º vs 3.º), com a equipa melhor classificada a ter a vantagem de jogar a segunda mão no seu reduto. As meias-finais estão agendadas para os dias 27 ou 28 de junho (1.ª mão) e 1 de julho (2.ª mão), enquanto as finais se jogam a 8 de julho (1.ª mão) e 11 ou 12 de julho (2.ª mão). Os derrotados das meias-finais serão ordenados em 3.º e 4.º lugar com base nos resultados dessa eliminatória.

Esta Liga Europeia servirá também de excelente preparação para o Campeonato da Europa de 2026, que se realiza de 21 de agosto a 6 de setembro. No EuroVolley, Portugal integrará a Pool C, sediada em Baku, onde terá pela frente o Azerbaijão, a Bélgica, a Espanha (antiga conhecida da fase de qualificação) e os Países Baixos, uma das grandes potências do grupo.

O percurso da equipa das quinas

A jornada de Portugal arranca com a Fase de Grupos, sendo o primeiro anfitrião, em Vila do Conde, de um dos 24 torneios:

Ronda Preliminar (29 a 31 de Maio de 2026)

Torneio com Dinamarca, Luxemburgo, Albânia e Lituânia. Vencedor: Lituânia.

Fase de Grupos (League Round)

1.º Torneio 5 (5 a 7 de Junho de 2026): PORTUGAL (org.), Macedónia e Hungria.

2.º Torneio 15 (12 a 14 de Junho de 2026): Grécia (org.), PORTUGAL e Kosovo.

3.º Torneio 17 (19 a 21 de Junho de 2026): Lituânia (org.), Roménia e PORTUGAL.

Fase Final

Eliminatórias «casa» e «fora»

A fase final será disputada no sistema de casa e fora, com a equipa melhor classificada na fase de grupos a ter a vantagem de jogar a segunda mão em casa.

  • Meias-finais: Participam os 4 primeiros classificados (1.º vs 4.º e 2.º vs 3.º).
    • 1.ª mão: 27 ou 28 de junho de 2026.
    • 2.ª mão: 1 de julho de 2026.
  • Finais:
    • 1.ª mão: 8 de julho de 2026.
    • 2.ª mão: 11 ou 12 de julho de 2026.
  • Classificação final: Os derrotados das meias finais serão ordenados em 3.º e 4.º lugar com base exclusivamente nos seus resultados nessa eliminatória.

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