O Dentil Praia Clube, de Rui Moreira, sagrou-se hoje campeão brasileiro feminino ao vencer, por claros 3-0 (29-27, 25-21 e 25-13) outra equipa mineira, o Gerdau Minas.
Depois da vitória épica (3-2: 25-23, 36-34, 22-25, 11-25 e 15-13) no terceiro e decisivo jogo das meias finais da Superliga brasileira – em casa do Sesc RJ Flamengo, equipa vencedora da fase regular, orientada por Bernardo Rezende (Bernardinho) –, o percurso de Rui Moreira no voleibol brasileiro atingiu hoje o seu apogeu com a conquista histórica da Superliga feminina ao comando do Dentil Praia Clube. Imagem: CBV
Apesar do desfecho glorioso, a caminhada foi marcada por uma exigência extrema, num cenário onde a resiliência foi a palavra de ordem. O treinador português admite que, embora não tenha sido uma temporada perfeita em termos de domínio absoluto, o grupo soube erguer-se nos momentos cruciais. Como o próprio refere, “foi uma época muito dura, de muitos altos e baixos, de muita superação e que terminou da melhor maneira“, culminando na vitória na competição mais importante do calendário brasileiro através de uma exibição onde a equipa “foi superior, disciplinada taticamente” e mentalmente inquebrável.
A chegada de Rui Moreira ao Brasil não foi isenta de ceticismo, enfrentando o preconceito de quem duvidava da competência de um técnico luso num dos campeonatos mais competitivos do mundo. O treinador recorda que foi “muito criticado e desacreditado por ser um técnico português“, sentindo o peso de carregar a responsabilidade de um país inteiro nas costas. No entanto, essa pressão transformou-se em motivação, e a vitória na final – contra um adversário que ainda não tinham vencido na temporada – serviu como a afirmação definitiva do seu valor. Para Moreira, este título transcende o plano pessoal: “Estou muito feliz, acima de tudo, por ter colocado Portugal no mapa do voleibol mundial“, partilhando o mérito com outros compatriotas que brilham na Europa e reforçando que este sucesso prova que “em Portugal também há qualidade no voleibol“.
“André Sá, há dois dias, foi campeão em França [Ver notícia AQUI]. Ricardo Lemos fez uma excelente época em Espanha”, destacou.
Mais do que o troféu, o trabalho de Rui Moreira garantiu a sustentabilidade competitiva do Praia Clube ao mais alto nível, assegurando a presença da equipa na Supercopa, no Sul-Americano e no Mundial de Clubes de 2027. O técnico destaca a união do grupo como o fator diferenciador, sublinhando que “nunca deixamos ninguém cair” e que o crescimento coletivo permitiu olhar o adversário de frente em cada ponto.
Ao sagrar-se campeão, Rui Moreira espera que o seu percurso sirva de catalisador para o futuro da classe, desejando que esta vitória “abra a porta a mais técnicos portugueses” no estrangeiro, consolidando o prestígio dos treinadores lusos num mercado tão global e exigente como o do voleibol de elite.
Rui Carvalho arbitra hoje
a final do BPT Elite 16 de Brasília
Os Portugueses continuam a conquistar espaço no Brasil. Para além do enorme feito de Rui Moreira, outras façanhas dos portugueses têm acontecido no passado recente.
Igualmente hoje (21h00), mas em voleibol de praia, Rui Carvalho, árbitro da Associação de Voleibol do Porto, arbitra a final do Beach Pro Tour Elite 16 de Brasília, entre os polacos Losiak e Bryl e os suecos Holting Nilsson e Andersson.
Outro caso a salientar nos «Portugueses no mundo» é o de Bruno Leite.
O percurso de Bruno Leite no voleibol é marcado por uma evolução constante e uma capacidade de adaptação que une a escola portuguesa à exigente realidade brasileira. O profissional iniciou a sua trajetória com a responsabilidade de liderar uma equipa de sub-19 e atuar como scouter e adjunto nos sub-21, onde alcançou o sucesso imediato ao conquistar os títulos dos Jogos Regionais, Jogos Abertos e Jogos da Juventude. Este desempenho sólido abriu-lhe as portas para a Superliga brasileira, quando aceitou o desafio proposto por Maurício Thomas para integrar a equipa da Abel Moda Vôlei. Posteriormente, transitou para o prestigiado projeto de Barueri, fundado por José Roberto Guimarães, onde acumulou experiência na sua segunda Superliga e no Campeonato Estadual de São Paulo, exercendo funções de análise de desempenho e auxiliar na formação, abrangendo escalões dos sub-17 aos sub-21.
A experiência no Brasil revelou-se um divisor de águas, proporcionando-lhe uma vivência que transcende a análise estatística. Bruno destaca que “uma grande mais-valia do trabalho no Brasil é que eu sempre fui tido como um adjunto e não apenas como analista de desempenho“, o que lhe permitiu uma participação ativa nos treinos e nas decisões estratégicas durante as competições. Esta imersão permitiu-lhe “absorver toda a experiência e saber prático” de figuras icónicas como Fofão (Hélia Souza), acompanhando a sua transição para o banco de suplentes como treinadora. Além disso, a colaboração com Maurício Thomas, um técnico com currículo mundial e experiência ao lado de Giovanni Guidetti, conferiu-lhe uma bagagem técnica de elite. Para Bruno, esta capacidade de resposta aos desafios brasileiros está profundamente ligada às suas raízes, afirmando que “essa capacidade de adaptação, trabalho e busca constante por melhoria veio enraizada em mim daqui de Portugal e da nossa forma de estar e trabalhar“.
Atualmente, o profissional tem colocado todo este conhecimento ao serviço das seleções jovens portuguesas, um compromisso que encara com elevada distinção. “É sempre muito gratificante servir uma seleção, pela responsabilidade de representar um país“, assume, sublinhando o privilégio de ter participado em eventos de vulto como o Mundial Sub-17 em 2024, o Mundial Sub-19 em 2025 e os apuramentos para o Europeu de 2026. Na sua passagem mais recente pela seleção nacional, tem aplicado a experiência adquirida nos clubes brasileiros, trabalhando de forma estreita com os selecionadores Diogo Rosa e Mário Martins. No trabalho com os sub-18 masculinos e os sub-17 femininos, Bruno Leite consolidou também o seu papel como adjunto, beneficiando de uma abertura total para colaborar e discutir ideias, o que lhe permite imprimir uma abordagem diferenciada ao processo de treino, fundamentada numa troca de ideias constante e na aplicação prática da experiência internacional acumulada.