
Viana do Castelo recebe a Elite do Voleibol de Sub-18: França impõe favoritismo e Portugal luta contra o nervosismo da estreia.
O Centro Cultural de Viana do Castelo tornou-se hoje o epicentro do Voleibol europeu de formação com o arranque da 1.ª Ronda de Apuramento para o Campeonato da Europa de Sub-18 masculinos. Sob a organização da WEVZA (Western European Volleyball Zonal Association), a jornada inaugural serviu para medir forças e confirmar ambições, num torneio onde o apuramento direto é o prémio maior.
A França não tardou em justificar o rótulo de candidata principal. Com uma exibição sólida frente aos Países Baixos, a selecção gaulesa assumiu o favoritismo, demonstrando um potencial que a coloca, desde já, na linha da frente da corrida pelo apuramento. Ainda que a tenra idade dos protagonistas convide à cautela nas previsões, o colectivo francês exibiu uma maturidade técnica que impressionou os presentes.
Por outro lado, a Selecção Nacional de Portugal teve uma entrada amarga na competição. Frente a uma Bélgica fisicamente imponente, os jovens lusos lutaram com garra e chegaram a discutir os parciais olhos nos olhos, mas acabaram por ceder perante o nervosismo típico de uma estreia absoluta em palcos internacionais. Apesar da derrota por 0-3, fica a promessa de uma equipa capaz de crescer ao longo do torneio, procurando converter o apoio do público de Viana em combustível para os próximos desafios.
Portugal x Bélgica, 0-3 (21-25, 23-25 e 18-25)
Um início marcado pelo equilíbrio, mas a que não era alheio o nervosismo evidenciado pelas duas equipas (6-6), que gerava muitas falhas, sobretudo no serviço. Curiosamente, foram dois ases do capitão belga, Joppe Rauwoens, que desfizeram a igualdade.
Portugal tardava em afinar o seu serviço e, na rede, a Bélgica mostrava-se (bem) mais alta, com destaque para Ferre Van Pelt, um oposto de 15 anos e já com 2,05 metros de altura (20-17).
Nuno Gonçalves fez, no ataque, o 21-23 e os adeptos lusitanos manifestaram a sua esperança, mas Portugal desperdiçou mais um serviço e, na resposta, a Bélgica fixou o resultado em 25-21.
No segundo set, os belgas afastaram-se logo desde o apito inicial (2-0, 8-3) e Portugal não conseguia pontuar ao mesmo ritmo que o seu adversário.
No ataque, Aires Coelho, Miguel Mota e Erik Sales procuravam lutar contra a maré (12-13) e a recuperação de Portugal, fortemente apoiada pelo público, afectava visivelmente os belgas, que viram o seu adversário alcançar a igualdade aos 14 pontos.
O braço-de-ferro prolongou-se no tempo (23-23), tornando tudo muito indefinido quanto ao vencedor do parcial…
Dries Meurisse pediu tempo para conferenciar com os seus pupilos belgas e conversa surtiu efeito, já que coube a Jannes Strobbe selar o desfecho do segundo parcial: 25-23.
Ascendente de uma cada vez mais confiante Bélgica logo desde o início do terceiro set, com Bram Leybaert a rubricar um par de ases (7-3).
Novo serviço directo, este de Evran Dubru, afastaram ainda mais os belgas (10-4). Pouco depois, a diferença era já de oito pontos (15-7).
Jannes Strobbe sentenciou o destino do set com três serviços directos (21-12), apesar da recuperação portuguesa (18-23).
E foi com um ataque desperdiçado pelos portugueses que a Bélgica conquistou o seu primeiro triunfo na competição: 25-18.
Jannes Strobbe e Erik Sales, respectivamente com 13 e 8 pontos, foram os melhores pontuadores da Bélgica e de Portugal, Ver estatística AQUI
Diogo Rosa, treinador de Portugal:
“Esta é uma geração que nunca competiu e, portanto, foi tudo novo para eles e para os nossos adversários. Assim, ainda é tudo abstrato, mas creio que temos capacidade para disputar o resultado contra todas as equipas que aqui estão. Hoje, esperávamos um bocado melhor, mas este impacto de primeiro dia, da pressão de primeira competição foi sentido por eles e em alguns momentos e algumas tomadas de execuções ajudaram no desfecho do jogo.
Amanhã, o adversário são os Países Baixos, uma equipa que tem alguma dimensão física, mas nós também temos alguns argumentos e, depois de estudarmos aquilo que eles fazem, trazermos tarefas bem definidas para o jogo e tentar crescer um bocado com aquilo que aconteceu hoje.”
Alemanha x Espanha, 0-3 (18-25, 19-25 e 22-25)
O primeiro ponto foi para a Alemanha, após um bloco sólido de Kajus Kleiner. A Espanha reagiu bem e adiantou-se (4-2) com um serviço directo e um bloco, este do central Natxo Larranaga, de 2 metros de altura. E pouco depois a distância entre as duas equipas já se cifrava em cinco pontos (12-7) favorável a nuestros hermanos.
Bem menos impressionantes fisicamente, os espanhóis valiam-se da técnica e do espírito de entreajuda para ultrapassar os seus possantes adversários. Um serviço directo de Aleix Bernia pôs a nu as debilidades da recepção germânica (17-10).
E foi com mais um serviço directo que a equipa orientada pelo colombiano Fredinson Mosquera selou a vitória no set: 25-18.
A Espanha entrou de rompante no segundo set (4-0), mas dois erros não forçados permitiram a aproximação dos alemães (5-3).
Três pontos no ataque rubricados pelo oposto Roger Monzo fizeram afastar novamente os espanhóis (14-10), mas os alemães reaproximaram-se perigosamente (15-16). Um bloco (19-20) mantinha as esperanças dos germânicos, mas com um sprint final, um serviço de Alex Pozzato e um bloco de Roger Monzo, a Espanha fixou o resultado em 25-19.
Ciente da importância deste set, a equipa orientada por Dominic Von Kanel entrou melhor no terceiro parcial (8-5), mas os espanhóis lograram alcançar a igualdade aos 9 pontos e passar para a frente com um serviço de Aleix Bernia (12-11).
Apesar de mostrar muito querer e o técnico alemão proceder a algumas alterações, os espanhóis nunca mais abriram mão da vantagem e selaram o triunfo com o resultado de 25-22, com um erro no ataque da Alemanha.
Roger Monzo e Lasse Huper, respectivamente com 16 e 12 pontos foram os melhores pontuadores da Espanha e da Alemanha. Ver estatística AQUI
Fredinson Mosquera, treinador da Espanha:
“Os primeiros jogos de uma competição são sempre difíceis de enfrentar porque há sempre muita ansiedade, mas preparámos bem este torneio e estamos com muita vontade de disputar os jogos seguintes. O nosso objectivo é definido jogo a jogo, adversário a adversário.”
Países Baixos x França, 1-3 (19-25, 21-25, 25-22 e 12-25)
O embate entre neerlandeses e franceses iniciou-se sob o signo do equilíbrio (3-3), com os rapazes do país das tulipas a fazerem valer a sua alta estatura nas jogadas ofensivas e no bloco, mas os gauleses a responderem com uma boa organização defensiva (5-5) e também e várias soluções no ataque, a que não faltava alguma potência: Martin Rospide (9-9).
Lentamente, a maior eficácia dos franceses começou a levar a melhor sobre a força das torres neerlandesas, com destaque para Yanis Marion e o capitão Matteo Mrozek, respectivamente com 5 e 4 pontos no ataque neste primeiro parcial.
A França continuou a subir de rendimento ao longo do segundo set, com realce para Shad Jeanlys (7-3).
Terá sido essa aparente supremacia que terá feito a equipa orientada por Paul Cooper descontrair em demasia e deixar que os Países Baixos crescessem um pouco (12-12).
Os franceses voltaram a colocar o seu jogo nos trilhos e com um serviço directo (Martin Rospide) e um ataque potente (Yanis Marion) afastaram-se novamente (19-15), acabando por vencer por 25-21, com mais um ataque de Yanis Marion.
O terceiro set voltou a pautar-se pelo equilíbrio nos momentos iniciais (4-4), mas como o capitão Jayson Hansen a conseguir fazer a diferença no ataque (8-5). Um bloco do mesmo jogador permitiu aumentar a diferença (10-6).
Dois pontos de Yanis Marion, um bloco seguido de um ataque, aproximaram os franceses, que lograram a igualdade num ataque de Nathan Gabillard (11-11).
À entrada para a recta final, o braço-de-ferro mantinha-se (20-20), mas desta vez os neerlandeses foram mais fortes e Jayson Hansen selou o triunfo no ataque: 25-22.
Os gauleses pareceram ter aprendido a lição e entraram com força no quarto parcial (5-1, 7-3). Contudo, os neerlandeses estavam mais confiantes e recuperaram até à diferença mínima (6-7). Um serviço directo de Billy Suter e um ataque de Johannes de Heij deram a igualdade (9-9).
Nova fuga dos tricolores (13-9, 17-10), desta vez definitiva. Um ataque de segunda linha de Matteo Mrozek, seguido de um amorti do mesmo jogador, tornou essa situação bem evidente (19-11).
O triunfo final chegou através de um serviço directo: 25-12.
Yanis Marion e Jayson Hansen, respectivamente com 17 e 14 pontos, foram os melhores pontuadores da França e dos Países Baixos. Ver a estatística AQUI
Paul Cooper, treinador da França:
“Este era um jogo complicado. Era o primeiro e alguns jogadores estavam a sentir a pressão e o jogo não estava com um bom ritmo, pelo que nos deixámos adormecer um pouco e os holandeses aproveitaram o seu bom momento para nos criar dificuldades e vencer o set. No quarto set, colocámos pressão e agressividade logo desde o início para conseguirmos uma vitória rápida e isso veio a concretizar-se.
O nosso objectivo é vencer este torneio da WEVZA para nos qualificarmos para o Campeonato da Europa“.
Viana do Castelo, uma cidade que respira Voleibol
Organizada pela FPV em colaboração com o Município vianense, a competição é um passo crucial no caminho para a fase final em Itália, a disputar em Julho de 2026. O primeiro lugar no Torneio WEVZA garante o apuramento direto para a fase final. Caso não consigam apurar-se diretamente, as outras selecções terão nova oportunidade na 2.ª Ronda, a realizar de 26 a 29 de Março do próximo ano.
A Selecção Portuguesa, orientada por Diogo Rosa, terá pela frente todo um conjunto de adversários de peso, defrontando sucessivamente as suas congéneres da Bélgica, Países Baixos, França, Espanha e Alemanha.
A moderna infraestrutura desportiva onde se disputarão os jogos é um local com tradição no Voleibol internacional. Acolheu, por exemplo, a Pool D de Qualificação para o Campeonato da Europa de Sub-20 Masculinos em 2022, onde Portugal garantiu o apuramento invicto. O pavilhão tem sido um local de eleição para a FPV, que aí organizou provas seniores como a European Golden League e European Silver League em 2022 e 2023, bem como torneios internacionais WEVZA de Sub-17 e Sub-16 femininos em anos anteriores. Além das seleções, o recinto recebe anualmente o Viana Volley Cup, um torneio de clubes e formação que atrai centenas de atletas.
Pedidos de acreditação para jornalistas/fotógrafos AQUI e toda a informação em fpvoleibol.pt/fpv/competicoes/torneio-wevza-sub18/
Todos os jogos serão transmitidos em directo na Volei TV
Europeu 2026: 1.ª Ronda – WEVZA
Jogos no Centro Cultural de Viana do Castelo.
| Data | Jogos |
| 06/01/2026 | 15:00: Alemanha x Espanha, 0-3 17:30: Países Baixos x França, 1-3 20:00: Portugal x Bélgica, 0-3 |
| 07/01/2026 | 15:00: França x Alemanha 17:30: Bélgica x Espanha 20:00: Países Baixos x Portugal |
| 08/01/2026 | 15:00: Bélgica x Alemanha 17:30: Espanha x Países Baixos 20:00: Portugal x França |
| 09/01/2026 | 15:00: França x Bélgica 17:30: Alemanha x Países Baixos 20:00: Portugal x Espanha |
| 10/01/2026 | 15:00: Espanha x França 17:30: Bélgica x Países Baixos 20:00: Portugal x Alemanha |
CONVOCADOS:
AA Espinho
Aires Coelho
AA S. Mamede
Afonso Coelho
Ala de Nun’Álvares de Gondomar
Gabriel Ribeiro
João Carvalho
Nuno Gonçalves
Vasco Redondo
Castêlo da Maia GC
Duarte Teixeira
CD Póvoa
Luís Dias
Esmoriz GC
João Damião
GDC Gueifães
Miguel Teixeira
MG Volei Clube
Miguel Mota
SC Espinho
Tomás Gomes
SL Benfica
Erik Sales
Sporting CP
Bernardo Oliveira
Equipa técnica
Treinador principal – Diogo Rosa
Treinador Adjunto – Leandro Antunes
Scouter – Bruno Leite
Fisioterapeuta – Guilherme Aguiar
Árbitros portugueses: Nuno Maia (AVB), Ricardo Ferreira (AVP) e Nuno Teixeira (AVB).