VITÓRIA ÉPICA DE PEDROSA/CAMPOS NO MUNDIAL!

Dupla João Pedrosa/Hugo Campos quer a desforra frente aos campeões do mundo

A dupla portuguesa de Voleibol de Praia João Pedrosa/Hugo Campos vai defrontar depois de amanhã (3h00 em Portugal) os checos Ondrej Perusic David Schweiner, campeões mundiais em título, nos oitavos-de-final do Campeonato do Mundo 2025, que decorre em Adelaide, na Austrália.

Após a passagem à fase de grupos com apenas um desaire, os tetracampeões nacionais conquistaram hoje mais um objectivo, os oitavos-de-final, ao baterem, pela margem máxima (2-0: 21-16 e 21-19) os norte-americanos Miles Evans e Chase Budinger nos 16 avos-de-final.

Último jogo das nossas vidas

Após superarem Evans e Budinger – a quem já tinham vencido em quatro dos últimos seis confrontos – os portugueses não esconderam a satisfação por terem alcançado o seu principal objectivo no torneio.
Acho que ainda não digerimos bem o que aconteceu,” confessaram após a vitória:
Sabíamos que este adversário era um adversário muito, muito difícil. Capaz de coisas incríveis, tanto é que há cerca de um mês ganhou à melhor dupla do mundo [os noruegueses Mol e Sorum]. E, portanto, sabíamos que ia ser um jogo super-difícil.”

A atitude mental foi apontada como o segredo do sucesso:
Encarámo-lo como o nosso último jogo das nossas vidas. Acho que esse foi o segredo para ganharmos o jogo. Aproveitámos cada momento dentro do campo. Aproveitámos cada ponto para fazermos aquilo que nós gostamos. Focámo-nos nisso e depois as coisas fluíram e tudo correu da melhor maneira.”

O encontro com os norte-americanos foi considerado um dos melhores da carreira da dupla:
Foi, sem dúvida, um dos melhores jogos que nós já fizemos. Principalmente em termos de side-out. E, por isso, estamos mesmo muito contentes.”

A passagem aos oitavos-de-final significou o cumprimento da meta estabelecida:
Este era o nosso objectivo no Campeonato do Mundo. Entre nós, era o nono lugar que queríamos atingir. Era um objectivo muito ambicioso, mas sabíamos que era possível lá chegar e assim fizemos. Estamos mesmo muito contentes, o nosso principal objectivo foi alcançado!”

Nos oitavos-de-final, agendados para amanhã (3h00 em Portugal), Pedrosa e Campos terão pela frente os checos Ondrej Perusic e David Schweiner, os actuais campeões mundiais. Este é um adversário que já cruzou o caminho dos portugueses este ano, com a dupla de Leste a eliminar a portuguesa nas meias-finais do Beach Pro Tour Challenge de Yucatán, em Março, onde Pedrosa e Campos acabaram por conquistar a medalha de bronze.

Apesar da dimensão do desafio, a dupla lusitana mostra-se determinada a continuar a surpreender:
Não queremos ficar por aqui… Vamos dar o nosso máximo, continuar a aproveitar cada ponto. Acho que a jogar a este nível conseguimos bater-nos com qualquer equipa. E, portanto, vão ter que levar connosco mais algumas rondas.”

O 9.º lugar representa 800 pontos para o Ranking FIVB (e 11.000 dólares), enquanto o 5.º lugar, se forem atingidos os quartos-de-final, é recompensado com 960 pontos para a classificação mundial (e 18.000 dólares).

Com um objectivo a longo prazo em mente (Los Angeles 2028), a dupla lusitana e o seleccionador Ricardo Rocha encaram o Mundial com responsabilidade, mas sem pressão excessiva.

Além da dupla de atletas, a arbitragem portuguesa também volta a estar em destaque. O árbitro Rui Carvalho (na foto) repete a presença num Campeonato do Mundo.
Rui Carvalho é uma figura internacional de renome, tendo já arbitrado a final masculina de Voleibol de Praia nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, o jogo da medalha de bronze em Tóquio 2020 e a final dos Europeus de 2022.

Esta 15.ª edição do Mundial de Voleibol de Praia promete ser a mais competitiva de sempre, juntando as 48 melhores duplas femininas e masculinas do mundo, representando 40 países de todos os cinco continentes. O lote de participantes inclui campeões e medalhistas olímpicos, bem como ex-campeões mundiais, com vários favoritos ao ouro em ambas as categorias.

Os melhores jogadores de Voleibol de Praia a nível mundial reúnem-se na cidade anfitriã para este evento de prestígio. Um dos grandes alvos a abater é a dupla norueguesa formada por Anders Mol e Christian Sorum, que procurarão ser os primeiros homens a conquistar o título mundial por duas vezes. Os noruegueses, actualmente no topo do Ranking Mundial da FIVB e campeões olímpicos de Tóquio 2020, destacam-se como uma das duplas masculinas mais impressionantes. Já fizeram história em 2022 ao garantirem o primeiro ouro mundial para o seu país e regressam ao Campeonato do Mundo com o objectivo de alcançar a sua terceira medalha, após o bronze de 2019.

Os cataris Cherif Younousse e Ahmed Tijan formam a dupla mais bem-sucedida do Circuito Mundial (Beach Pro Tour) de 2025, com quatro ouros em seis torneios, e serão adversários a ter em conta na Austrália. Medalhistas de bronze em Tóquio 2020, a sua vasta experiência e capacidade atlética excepcional permitem-lhes enfrentar o rigor das eliminatórias e ambicionar mais um feito de relevo nas suas carreiras.

Outras estrelas masculinas que procuram um título mundial são os actuais campeões olímpicos, os suecos David Ahman e Jonatan Hellvig. Com 23 e 24 anos, respectivamente, estes atletas especialistas no «jump-set» chegaram à final na sua única participação em 2023, onde ficaram com o bronze.

No grupo de duplas masculinas com potencial para disputar medalhas em Adelaide estão ainda os checos Ondrej Perusic e David Schweiner (actuais campeões mundiais), os olímpicos brasileiros Evandro Gonçalves e Arthur Lanci, e os neerlandeses Stefan Boermans e Yorick de Groot, que alcançaram o pódio em seis dos sete eventos do Beach Pro Tour que disputaram em 2025.

No sector feminino, o Brasil, uma das nações mais fortes no Voleibol de Praia, tem duas duplas em excelente posição para competir pelo título. As actuais campeãs olímpicas Eduarda (Duda) Lisboa e Ana Patrícia Ramos, que marcaram presença nas duas finais anteriores (ouro em 2022 e prata em 2023), e as líderes do Ranking Mundial da FIVB, Victoria Lopes e Thamela Coradello, que somam quatro ouros e oito medalhas internacionais desde que formaram dupla em 2024.

Com as campeãs em título Kelly Cheng e Sara Hughes a competir com novas parceiras (Cheng jogará com Molly Shaw, enquanto Hughes não se qualificou), os Estados Unidos confiam nas atletas olímpicas Kristen Nuss e Taryn Brasher para defenderem o título alcançado pelas norte-americanas. A dupla conquistou um pódio na sua estreia no Campeonato Mundial de 2023 e já garantiu três ouros no Beach Pro Tour esta época.

As canadianas Melissa Humana-Paredes e Brandie Wilkerson, medalhistas de prata olímpicas em Paris, também são fortes candidatas na Austrália. Ambas têm experiência em finais do Mundial (Melissa ganhou o ouro em 2019 e Brandie a prata em 2022), e a sua parceria tem-se fortalecido nos últimos anos. Entre as duplas europeias, as alemãs Cinja Tilmman e Svenja Muller, as italianas Valentina Gottardi e Reka Orsi Toth, as letãs Tina Graudina e Anastasija Samoilova e as neerlandesas Raisa Schoon e Katja Stam parecem as mais bem preparadas para tentar levar o Velho Continente de volta ao lugar mais alto do pódio pela primeira vez desde 2017.

Em 2023, Pedrosa/Campos terminaram a sua participação no Campeonato do Mundo no 33.º lugar, após uma derrota renhida (1-2) na fase dos «Lucky losers» frente aos australianos Christopher McHugh e Paul Burnett.

O caminho até às medalhas

A maior competição de Voleibol de Praia alguma vez realizada na Oceânia contará com 48 duplas em cada género. O formato de disputa será o seguinte:

Fase de grupos:
As 48 duplas por género são divididas em 12 grupos de quatro equipas, num sistema de todos contra todos a uma só volta (single round-robin).
Avançam directamente para a Ronda de 32 Equipas (ou 16 avos-de-final): os vencedores e os segundos classificados de cada grupo, mais as quatro melhores duplas terceiras classificadas.

Ronda «Lucky Loser»:
As restantes oito duplas terceiras classificadas avançam para uma primeira ronda a eliminar, apelidada de ronda lucky loser. Os quatro vencedores desta fase também se qualificam para a Ronda de 32.

Fase de eliminação directa:
A partir da Ronda de 32, a competição segue em formato de eliminação directa (single elimination), incluindo:
. 16 Avos-de-final, oitavos-de-final, quartos-de-final e meias-finais;
. Disputa do 3.º e 4.º lugar (medalha de bronze) e final (ouro e prata).

No total, serão disputados 216 jogos ao longo dos dez dias de competição em Adelaide.

A caminhada de Pedrosa e Campos no Voleibol de Praia é um modelo de empenho e crescimento.
A dupla iniciou o seu percurso em 2017, mostrando potencial logo nas competições para escalões mais jovens, como se viu com o 3.º lugar na Taça Continental Jovem (CEV Youth Continental Cup).
A sua evolução foi progressiva. Em 2021, já exibiam maturidade com três pódios (dois 2.º lugares e um 3.º) em torneios do World Tour. O ano seguinte assinalou a passagem para o Beach Pro Tour e a conquista da medalha de ouro nos Mundiais Universitários, no Brasil, um resultado que lhes franqueou o acesso a provas de maior calibre.
A partir de 2023, firmaram-se no circuito principal, alcançando o seu primeiro grande feito: a vitória no Beach Pro Tour Challenge de Edmonton, no Canadá. Em 2024, continuaram a acumular resultados de primeira linha, nomeadamente um 3.º lugar nas Finais da Taça das Nações.
O ano de 2025 é o da consagração, com a dupla a atingir as rondas finais dos principais torneios de forma regular. O 3.º lugar obtido recentemente no Challenge de Yucatán, no México, prova que Pedrosa e Campos estão consistentemente a lutar pelos lugares de topo nas competições mais exigentes do mundo.
Além disso, a vitória alcançada no BPT Elite16 de João Pessoa, onde superaram os noruegueses Anders Berntsen Mol e Christian Sandlie Sorum — a dupla número um do mundo, detentora de títulos olímpicos e mundiais — atesta o excelente momento de forma que os tetracampeões nacionais atravessam.

Mais informações sobre as actividades do Voleibol aqui e História do Voleibol aqui

Currículo de João Pedrosa e Hugo Campos:

2025
Beach Pro Tour Challenge Veracruz
(México) – 17.º lugar.
Beach Pro Tour Elite16 Rio de Janeiro – 25.º lugar.
Beach Pro Tour Elite16 João Pessoa (Brasil) – 5.º lugar.
Circuito Nacional Voleibol de Praia – 1.º lugar.
Beach Pro Tour Challenge Baden
9.º lugar.
CEV EuroBeachVolley 2025 (Dusseldorf, Alemanha) – 17.º lugar.
Finais Nations Cup 2025
5.º lugar.
Beach Pro Tour Elite16 de Gstaad –19.º lugar.
Beach Pro Tour Challenge de Alanya – 25.º lugar.
Beach Pro Tour Elite16 de Ostrava – 13.º lugar.
Beach Pro Tour Challenge de Xiamen 9.º lugar.
Beach Pro Tour Elite16 de Brasília 19.º lugar.
Beach Pro Tour Elite16 de Saquarema9.º lugar.
Beach Pro Tour Challenge de Yucatán (México) – 3.º lugar.
2024
Beach Pro Tour de Nuvali13.º lugar.
Beach Pro Tour Elite16 João Pessoa (Brasil) – 9.º lugar.
FISU World University Championship Beach Sports 2024 (Brasil) – 3.º lugar.
Beach Pro Tour Elite16 de Hamburgo (Alemanha) – 13.º lugar.
Campeonato da Europa (Países Baixos) – 25.º lugar.
Circuito Lipton Kombucha – Final em Esmoriz – 1.º lugar.
Finais da Taça das Nações (Letónia) – 3.º lugar.
BPT Challenge Stare Jablonki (Polónia) – 9.º lugar.
BPT Elite16 Espinho – 13.º lugar.
Pool D da Taça das Nações (Turquia) – 1.º lugar.
BPT Challenge Xiamen (China) – 17.º lugar.
BPT Challenge Guadalajara (México) – 19.º lugar.
Beach Pro Tour Challenge de Recife (Brasil) –25.º lugar.
Beach Pro Tour Elite16 Doha (Catar) – 21.º lugar.
2023
Beach Pro Tour de Nuvali – 5.º lugar
Beach Pro Tour Challenge de Chiang Mai (Tailândia) – 9.º lugar
Beach Pro Tour Challenge de Haikou (China) – 19.º lugar
Beach Pro Tour Challenge de Goa (Índia) – 9.º lugar 
FIVB Beach Volleyball World Championships – 33.º lugar
Beach Pro Tour Elite 16 Paris (França) – 21.º lugar
III Jogos do Mediterrâneo de Praia (Grécia) – 3.º lugar
Campeonato Nacional – Final em Portimão – 1.º lugar
Beach Pro Tour Challenge de Edmonton (Canadá) – 1.º lugar
 Beach Pro Tour Challenge de Espinho – 9.º lugar
Beach Pro Tour Challenge Jurmala (Letónia) – 19.º lugar
Taça das Nações – Pool G (Hungria) – 3.º lugar
Beach Pro Tour Elite 16 de Uberlândia (Brasil) – 21.º lugar
Beach Pro Tour Challenge de Saquarema (Brasil) – 17.º lugar
Beach Pro Tour Challenge de Itapema (Brasil) – 19.º lugar
Beach Pro Tour Challenge de La Paz – 19.º lugar
2022
Beach Pro Tour Challenge de Torquay – 4.º lugar
Beach Pro Tour Challenge do Dubai – 9.º lugar
Beach Pro Tour Challenge do Dubai – 9.º lugar
Mundiais Universitários de Voleibol de Praia, em Maceió/Brasil – 1.º lugar
Beach Pro Tour Future de Cortegaça/Portugal – 2.º lugar
Campeonato Nacional – Lidl, em Cortegaça – 1.º lugar
Beach Pro Tour Challenge de Agadir/Marrocos – 33.º lugar 
Beach Pro Tour Espinho Challenge/Portugal – 19.º lugar
Beach Pro Tour Giardini Naxos Future/Itália – 9.º lugar
Beach Pro Tour Madrid Future/Espanha – 17.º lugar
Beach Pro Tour Doha Challenge/Catar – 25.º lugar
Beach Pro Tour Itapema Challenge/Brasil – 33.º lugar
Beach Pro Tour Tlaxcala Challenge/México – 33.º lugar
2021
World Tour 2* (Praga/Rep. Checa) – 21.º lugar
World Tour 1* (Cortegaça/Portugal) – 2.º lugar
World Tour 1* (Sófia 2/Bulgária) – 2.º lugar
World Tour 1* (Sófia 1/Bulgária) – 3.º lugar
Europeu Sub-22 (Baden/Áustria) – 9.º lugar
World Tour 4* (Ostrava/Rep. Checa) – 41.º lugar
2020
Europeu Sub-22 (Izmir/Turquia) – 17.º lugar
World Tour 1* (Montpellier/França) – 9.º lugar
2019
Jogos do Mediterrâneo – 5.º lugar
World Tour 1* (Knokke-Heist/Bélgica) – 21.º lugar
World Tour 4* (Espinho/Portugal) – 25.º lugar
Europeu Sub-20 (Gotemburgo/Suécia) – 17.º lugar
2018
Torneio WEVZA (Quarteira/Portugal) – 4.º lugar
Europeu Sub-20 (Anapa/Rússia) – 25.º lugar
Europeu Sub-18 (Kazan/Rússia) – 17.º lugar
2017
CEV Youth Continental Cup – 3.º lugar

Árbitros portugueses em acção
no Voleibol de Praia

Rui Carvalho
Campeonato do Mundo de Seniores, em Adelaide, na Austrália, de 14 a 23 de Novembro.
Beach Pro Tour Futures – Laginha (Cabo Verde), 11 a 14 de Dezembro.

Michelle Ferreira
Beach Pro Tour Futures – Laginha (Cabo Verde), 11 a 14 de Dezembro.

Patrícia Gomes
Beach Pro Tour Futures – Laginha (Cabo Verde), 11 a 14 de Dezembro.

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