SONHO OLÍMPICO ADIADO PARA LOS ANGELES 2028

Infelizmente, querer não basta e Portugal não conseguiu realizar o sonho olímpico de Paris 2024, algo que esteve muito perto de acontecer em Jurmala, na Letónia. As duplas portuguesas João Pedrosa/Hugo Campos e Gonçalo Sousa/Tomás Sousa só foram travadas, e no último dia da fase final da Taça das Nações de Voleibol de Praia, pelos irredutíveis gauleses nas meias-finais. Um sonho que, todavia, não acabou; fica apenas adiado para os Jogos Olímpicos de Los Angeles, a disputar em 2028 nos Estados Unidos da América.

A tarefa era hercúlea: a Taça das Nações só garantia ao país vencedor a presença nos Jogos Olímpicos Paris 2024.

Como aconteceu sempre nesta competição Gonçalo Sousa e Tomás Sousa foram os primeiros a entrar em acção, frente a Rémi Bassereau e Julien Lyneel.
Procurando entrar logo a matar, os irmãos Sousa venceram o primeiro set nas vantagens, mas a derrota no segundo (por 24-26) acabou por ditar a sorte do jogo e os franceses acabaram por triunfar por 2-1 (21-23, 26-24 e 15-8).

Em relação a este jogo, o Gonçalo e o Tomás estão de parabéns. Apesar de terem perdido, conseguiram mostrar finalmente o seu Voleibol e aquilo que sabem fazer. Logo desde o início do jogo, puseram a dupla francesa muito desconfortável, com uma boa estratégia de serviço, jogando com muita calma na relação entre o bloco e a defesa, concentrando-se apenas naquilo que conseguiriam fazer.
Começámos sempre na frente, mas foi uma pena não termos conseguido fechar o set, com, salvo erro, três match-points. É frustrante perder assim, mas a este nível a diferença entre as duplas é mínima e os sets são decididos em pormenores. Não fomos ponderados no final do set na nossa estratégia de serviço e uma ou outra má opção ditou o resultado final do segundo parcial.
Na negra, quebrámos fisicamente e os franceses foram superiores, mas o Gonçalo e o Tomás estão de parabéns porque, não tendo ainda muitas competições nas pernas, sendo inexperientes a este nível, finalmente conseguiram soltar-se e mostrar todo o seu potencial.
Contudo, perdemos a oportunidade de, pelos menos, forçar um Golden Set, acontecesse o que acontecesse no segundo jogo. Ou seja, se tivéssemos ganho este jogo, entraríamos no segundo com algum conforto, algo que ainda não tínhamos tido nesta competição“, salientou o Seleccionador Nacional Ricardo Rocha.

Seguidamente, e após uma maratona extenuante rumo à final – ao todo, os bicampeões nacionais disputaram 12 sets, em apenas três dias –, João Pedrosa e Hugo Campos defrontaram a melhor dupla gaulesa, formada por Téo Rotar/Arnaud Gauthier-Rat.
Não obstante a réplica dada, os franceses triunfaram por 2-0 (21-18 e 21-13), apurando-se para a final.

O João e o Hugo sabiam que ia ser um jogo muito difícil, no qual teriam de jogar muito bem, mas acabou por ser um jogo em que não soubemos lidar muito bem com o serviço, principalmente o do blocador, que nos causou muitos problemas, nem com o bloco adversário e tornou-se muito complicado receber com a tranquilidade e o conforto necessários para usufruir das melhores condições no ataque, principalmente perante um bloco tão alto como o do blocador francês, que fez um grande jogo, e não conseguimos apresentar o nível que temos exibido até aqui.
Gostaria de deixar uma nota a estes quatro rapazes porque a frustração e a tristeza que sentimos agora é culpa deles. É culpa deles porque eles é que nos fizeram acreditar e nos fizeram estar no último dia de qualificação olímpica, a nós e a todo o Voleibol português, com um esperança que ninguém pensaria ter no início da competição.
A Taça das Nações é uma competição muito difícil, em que os países vêm muito bem preparados e muito fortes e só um é que passa e por isso a margem de erro é inexistente.
Estão de parabéns porque conseguiram fazer-nos acreditar até ao fim e provar, mais uma vez, que conseguimos estar na elite do Voleibol mundial.
Agora só nos resta lamber as feridas, como se costuma dizer, e continuar a trabalhar e lutar pelos próximos objectivos. O que não nos mata, torna-nos mais fortes e nós vamos continuar cada vez mais fortes a lutar sempre juntos, que é o mais importante“, concluiu Ricardo Rocha.

A França haveria mostrar que tinha as duplas mais fortes, vencendo a Áustria no Golden Set, numa final arbitrada pelo português Rui Carvalho e pelo grego Charalampos Papadogoulas.

O caminho da dupla João Nuno Pedrosa/Hugo Campos tem sido recheado de bons resultados nos últimos anos: a medalha de bronze alcançada nos Jogos do Mediterrâneo pelos bicampeões nacionais juntou-se à medalha de ouro conquistada no Beach Pro Tour Challenge de Edmonton (Canadá), etapa do Circuito Mundial de 2023, naquela que foi a primeira vez que a dupla portuguesa subiu ao lugar mais alto do pódio numa etapa Challenge do Beach Pro Tour.
Um marco no percurso dos bicampeões nacionais em título e campeões mundiais universitários na caminhada que encetaram há poucos anos ao optarem pela prática do Voleibol de Praia ao longo de todo o ano, no que são apoiados pela Federação Portuguesa de Voleibol (FPV).

A Taça das Nações tem um formato de competição peculiar que promove batalhas entre países. Cada nação é representada por duas duplas e os duelos disputam-se à melhor de três, sendo a decisão, se necessário, encontrada através de um golden set (set de desempate) de 15 pontos.

Após ter acolhido as edições de 2017 e 2020 do Campeonato da Europa de Voleibol de Praia, Jurmala, na Letónia, recebe a fase final da Taça das Nações, competição que garante aos  vencedores (em masculinos e femininos) a presença nos Jogos Olímpicos Paris 2024.

De referir que foi precisamente na mais famosa estância balnear letã que, em 1996, a dupla portuguesa formada por Jorge Alves e João Silva, foi vice-campeã europeia de Sub-20.

Em 2023, as selecções portuguesas de Voleibol de Praia disputaram as Pools de qualificação, mas não conseguiram o apuramento para a fase final.
Em masculinos, João Pedrosa/Hugo Campos e Guilherme Maia/Filipe Leite classificaram-se no 3.º lugar da Pool G da Taça das Nações, disputada na cidade de Budapeste, capital da Hungria.
Nas meias-finais, João Pedrosa e Hugo Campos, campeões nacionais em título, não conseguiram superar (0-2: 20-22 e 17-21) Attila Stréli/Artúr Hajós, o mesmo acontecendo (1-2: 21-16, 11-21 e 11-15) com Guilherme Maia e Filipe Leite, vice-campeões nacionais, relativamente a Csanád Petik/Domonkos Dóczi.

Árbitros portugueses em acção
no Voleibol de Praia

José Casanova
Comité de Controlo dos Jogos Olímpicos 2024, em Paris (França), de 27 de Julho a 10 de Agosto.

Avelino Azevedo
Delegado de Arbitragem nas fases finais dos Campeonatos da Europa de Seniores Masculinos e Femininos, de 13 a 18 de Agosto, nos Países Baixos.

Rui Carvalho
Finais da Taça das Nações, em Jurmala, na Letónia, de 13 a 16 de Junho.
Jogos Olímpicos 2024, em Paris (França), de 27 de Julho a 10 de Agosto.

Sandra Deveza
Beach Pro Tour Elite16 Gstaad, na Suíça, de 3 a 7 de Julho.
Finais do Campeonato da Europa de Seniores Masculinos, de 14 a 18 de Agosto, nos Países Baixos.
BPT Elite16 Hamburgo, na Alemanha, de 21 a 25 de Agosto de 2024.

Mais informações: www.cev.eu

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