Depois de ajudar o seu novo clube a erguer, pela segunda vez no seu historial, o troféu da Taça Austríaca, marcando a sua rubrica em 10 pontos individuais, Miguel Sinfrónio, central da Selecção Nacional foi decisivo (15 pontos) no jogo em que superaram o UVC Holding Graz, onde actua outro português, José Jardim, e conseguiu apurar-se para as meias-finais do Campeonato (Meister-Play-off). Aí chegado, o Aich/Dob infligiu a primeira derrota, por 3-2 (25-27, 25-17, 23-25, 25-21 e 15-13), ao (ainda) campeão em título, Hypo Tirol Volleyballteam, lançando o suspense sobre o nome do finalista…
Na Liga Austríaca, o SK Zadruga Aich/Dob, de Miguel Sinfrónio, causou sensação ao impor, em casa, a primeira derrota da presente temporada ao campeão em título, o Hypo Tirol Volleyballteam: 3-2 (25-27, 25-17, 23-25, 25-21 e 15-13) nas meias-finais do Play-off do Campeonato.
O central da Selecção Nacional contabilizou 13 pontos (10 ataques e 3 blocos) e parece ter conquistado o seu espaço além-fronteiras.
Como estás a viver a tua primeira experiência internacional?
“Está a ser uma experiência incrível! Eu vim para a Áustria com a intenção de fazer o meu melhor, de testar os meus limites, por assim dizer, e conhecer melhor este campeonato. Pelo menos até agora, estou muito satisfeito com a minha decisão, pois está a ser espectacular e super-positivo”.
E como analisas a tua prestação ao longo desta época? Pelos resultados e pontos rubricados, parece que estás em crescendo de forma…
“Como vim para a Áustria logo após a nossa participação no EuroVolley, não senti muito a quebra de pré-época, quando é necessário fazer trabalho físico. Esse trabalho físico já tinha sido feito com a Selecção e não baixei o nível competitivo. Estava praticamente a 100 por cento, embora um pouco cansado pela quantidade de jogos que disputámos no Europeu.
Se fosse fazer uma avaliação da minha performance, diria que todas as semanas há coisas muito positivas e em relação ao ano passado creio que sou um jogador completamente diferente, em termos técnicos, em termos de ataque estou muito mais consistente, com muito melhores ângulos e em termos de bloco muito mais maduro e mais experiente, sem dúvida”.
Após o triunfo sensacional no primeiro jogo, para conseguir ser finalista no campeonato austríaco, o Aich/Dob, vencedor da taça em 2024, terá de vencer mais dois jogos, dos cinco programados: nos dias 13 (fora), 20 de Março (fora) e, se necessário, 23 de Março (casa) e 26 de Março (fora). Com que ânimo enfrentam este poderoso adversário e quais os objectivos para esta época: mantêm-se ou estão a ser superados?
“Na quarta-feira [amanhã] vamos voltar a defrontar o Hypo e… os objectivos mantém-se!
Os objectivos para esta época sempre foram no sentido de ganharmos todas as competições em que estávamos inseridos, com a excepção, claro, da Taça CEV, onde a realidade é muito diferente. Estamos a manter-nos no caminho dessas metas. Atingimos o primeiro patamar, que foi vencer a Taça da Áustria. O segundo objectivo foi a Final 4 da MEVZA e vamos defrontar no sábado a equipa eslovena do Maribor. E estamos na meia-final da Liga Austríaca, onde estamos a vencer 1-0, a equipa mais poderosa do campeonato, que fez esta época uma prova imaculada, sem derrotas. Perderam apenas para a Taça com o TSV Raiffeisen Hartberg, por isso é que os defrontámos na final, e naturalmente nas competições europeias.
É um oponente fortíssimo, mas nós superámo-nos e estamos a vencer aquela que é, de longe, a equipa austríaca mais forte”.
Depois de teres disputado o Campeonato da Europa, o que sentes quando és chamado à Selecção Nacional? E o que consideras que a Selecção pode almejar na European Golden League deste ano?
“É sempre uma sensação incrível ser chamado à Selecção. Estou a envergar as cores do meu País e a lutar por ele, o que é sempre um motivo de orgulho. E significa evoluir, com os meus colegas de equipa, com quem me dou muito bem e é extremamente gratificante jogar com os melhores de Portugal.
Creio que podemos almejar ganhar pelo menos todos os jogos da primeira fase da European Golden League. Ou seja, sendo a Ucrânia e a Bélgica os jogos mais difíceis, que vamos disputar na Polónia e numa altura em que já estaremos mais cansados, mais carregados, creio que esses dois jogos serão os mais importantes e tenho a certeza de que vamos fazer tudo para os vencer.
Confesso que, pelo menos no que me toca, a derrota que tivemos frente à Ucrânia no Campeonato da Europa ficou-me gravada na memória, pois foi o jogo que não nos permitiu continuar em prova e atingir os quartos-de-final.
Creio que posso falar por todos os meus colegas quando digo que tudo vamos fazer para ganhar a Golden League”.
Foto: Aich/Dob
No teu percurso como jogador, passaste pelo SL Benfica e Leixões SC. Segues a Liga Una Seguros? Como estás a ver a prestação desses dois clubes na presente época (Campeonato e Taça de Portugal)?
“Tenho acompanhado, sobretudo, através dos resultados das competições portuguesas, devido ao facto de jogarmos praticamente à mesma hora do campeonato português.
Caso consiga manter a qualidade demonstrada até aqui, o Leixões, que está a fazer uma época espectacular, vai consolidar um merecido terceiro lugar, o que é muito bom para o clube e sinal de que se mantém o projecto iniciado há dois anos pelo Leixões e de cujo arranque eu também fiz parte.
O Benfica está a fazer uma época incrível, ocupando o primeiro lugar isolado e só com vitórias.
Tenho-os no meu coração e desejo os maiores sucessos tanto ao Benfica como ao Leixões”.
Defrontaste recentemente, no Play-off, o José Jardim (UVC Holding Graz). É importante ter um compatriota a disputar o mesmo campeonato no estrangeiro?
“Infelizmente, eu e o Zé não vivemos perto um do outro, estamos sensivelmente a uma hora e 20 minutos de distância, e a quantidade de treinos que temos impossibilita-nos de estarmos muitas vezes juntos, mas quando jogamos um contra o outro aproveitamos para partilhar algumas ideias e conversar um pouco sobre o campeonato e desejamos sempre o máximo de boa sorte um ao outro.
Somos rivais dentro de campo, queremos ganhar sempre, mas continuamos bons amigos fora dos jogos, pois é sempre bom vermos uma cara amiga para mais quando estamos longe do nosso País”.