UNIÃO E ESPÍRITO DE LUTA NO «DIA D» DA SILVER LEAGUE

A Selecção Nacional de Seniores Femininos, orientada por Hugo Silva, defronta no sábado (14h00, em directo na Sport TV), na cidade sueca de Lund, a Suécia na Final da European Silver League 2022. O vencedor desta final qualifica-se para a European Golden League 2023.

Depois de, em 2021, ter rubricado uma página na história na European Silver League ao apurar-se para a Final Four da prova depois de vencer a Pool B de qualificação – com cinco vitórias e apenas um desaire –, a Selecção Feminina discute, pela primeira vez, um título de uma competição internacional.

A Final, agendada para o dia 2 de Julho (15h00 locais), coloca frente a frente os dois primeiros classificados da Pool A e não há lugar para dúvidas: este jogo decisivo será disputado pelas duas selecções mais fortes e que desenvolveram do princípio ao fim da fase preliminar um verdadeiro braço-de-ferro, tendo os dois jogos terminado com o resultado mais equilibrado possível: vitória por 3-2 de Portugal na Suécia, na 1.ª volta da Pool A, e triunfo por 3-2 das nórdicas em Santo Tirso, na 2.ª volta, ao fim de mais de duas horas e meia de jogo.

Depois de dois jogos durinhos com a Suécia, quais serão os pontos mais fortes e aqueles menos fortes do nosso adversário e que poderão ser aproveitados pela nossa Selecção?
HUGO SILVA:Primeiro de tudo, temos de perceber que estamos a falar de uma Selecção que não disputou a Silver League no ano passado e que, agora, apostou tudo para ganhar esta  competição… e que, convém lembrar, chegou aos quartos-finais do último Campeonato da Europa!
Vão jogar em casa, junto do seu público e com uma jogadora que está entre as três melhores do mundo na sua posição. Contudo, isto não vai ser desculpa para nós, até porque assumimos claramente o que queríamos e, para além disso, ganhámos já a esta equipa e provámos que somos capazes de equilibrar o jogo.
A verdade é que estamos a falar de uma selecção de elevado nível no que se refere às jogadoras de ponta, não só a Isabelle Haak (n.º 10) como também a sua irmã Anna (n.º 17) e a própria Alexandra Lazic (n.º 11), todas jogadoras completas e capazes de nos criarem dificuldades.
Relativamente à Isabelle Haak, nós já a conhecemos o suficiente para antecipar um pouco o que vai fazer, mas é preciso saber parar todo o seu potencial, sempre com muito foco e coragem. Apesar da sua juventude, a Haak faz tudo bem, serve, bloca, defende e ataca como ninguém, mas vai ter de ser astuta para nos ultrapassar…
Falar de eventuais debilidades da equipa da Suécia, eu diria que passa pelas suas centrais e naquilo que podemos acrescentar a mais num jogo onde a luta das centrais vai ser decisiva e neste ponto nós somos melhores.”

Que aspectos é que a equipa técnica portuguesa poderá transformar em mais-valias para a Selecção Nacional?
HS: Nós não temos a Haak, mas temos a Kavalenka, a Margarida, a Maria, a Gabi, a Hurst, etc., etc., e é com todas que contamos para elevar o nosso jogo, pois só juntas é que vai ser possível combater esta selecção nórdica.
Se há algum aspecto da nossa equipa que poderá ser decisivo, será certamente o serviço, sobretudo como forma de tirar as principais atacantes do jogo ou, pelo menos, dificultar a sua acção e assim deixar prever de forma mais simples o que pode acontecer e depois… defender, defender muito, pois vai ser isso que nos vai dar a energia extra para a tão difícil luta e vai tirar a paciência à Selecção da Suécia”.

A importância de a Selecção Nacional estar a disputar directamente (final) pela primeira vez a atribuição de um título internacional, depois de ter disputado no ano passado a Final 4? Poderá ser o prelúdio de outras finais?
HS: “Imagino que as pessoas queiram muito isso, mas não mais que nós, pelo que temos de ter calma. Como já referi, o ponto de partida foi difícil, pois havia muito a melhorar e ainda há. Queremos muito jogar finais e sabemos o que temos de fazer para lá chegar, mas vai ser importante o que todas elas irão fazer durante os 8 meses em que estão nos clubes. O segredo não existe, pois é tão simples como terem que trabalhar muito mais nos clubes e fazerem as melhores escolhas para o futuro de cada uma. Se assim for, o nosso trabalho pode ser mais facilitado, senão vai acontecer que, ano após ano, vamos tentar fazer num curto espaço de tempo o que não foi feito em 8 meses. Neste momento, pouco mais há a fazer a não ser minimizar o desgaste destas últimas viagens e esperar a inspiração de um grupo que muito tem feito para alavancar de vez com o Voleibol feminino e chegarmos ao fim felizes com a nossa prestação e sem nunca esquecer que o sucesso só será possível com muita confiança em nós próprios”.

Joana Resende, libero de Portugal, também não tem dúvidas da importância para o Voleibol, e para o Voleibol feminino em particular, o facto de a Selecção Nacional estar a disputar directamente (na final, depois de atingir anteriormente a Final 4) pela primeira vez a atribuição de um título internacional.

Os nossos objetivos são crescer cada vez mais no panorama do voleibol internacional.
Comprometemo-nos a elevar a qualidade do Voleibol Feminino e a levar o nome do nosso País o mais alto possível, sendo que os resultados são fruto deste comprometimento e uma aposta crescente por parte de todos, assim como uma profissionalização maior da modalidade.
É muito importante ver que este trabalho está a dar frutos ao longo dos anos e queremos que estes momentos de decisão se vão repetindo cada vez mais, que as pessoas continuem a desenvolver este interesse e expectativa em relação ao Voleibol Feminino e que com muito trabalho consigamos aspirar a competições mais importantes e que a nossa presença seja assídua nestas provas“, destaca a jogadora n.º 11 de Portugal, que lidera o ranking individual na recepção da ESL 2022.

Quando aos aspectos que sobressaíram nos dois jogos com as nórdicas e que a Selecção Nacional poderá utilizar a seu favor, Joana Resende salienta:
A grande capacidade de trabalho e o espírito de luta/entrega são, a meu ver, as maiores qualidades da nossa Selecção. Temos trabalhado muito diariamente com vista à evolução constante e temos sido durante todos os jogos muito lutadoras, mesmo em momentos menos favoráveis, apoiando-nos mutuamente e usufruindo bastante de fazermos o que mais gostamos juntas e em representação do nosso País. Temos um grupo coeso onde todos e todas são importantes. Queremos sempre deixar tudo em campo e dignificar o Voleibol Português.
 Sabemos que a Suécia tem uma jogadora de nível mundial, Isabelle Haak, que está habituada a momentos de decisão e a ganhá-los e a nossa missão passa em grande parte por tentar pará-la. O nosso serviço e bloco serão muito importantes para conseguirmos ter sucesso, embora tenhamos que estar bem nos diversos fundamentos do jogo.
O que será certamente diferenciador para conseguirmos vencer esta competição será a nossa enorme ambição e vontade de fazermos as coisas bem, garra, espírito de luta em todos os momentos e a união do nosso grupo“.

Como esta edição da Silver League apresenta apenas uma pool, só os dois primeiros classificados (1.º Suécia e 2.º Portugal) conseguiram o apuramento para a Final, agendada para o dia 2 de Julho, no país do 1.º classificado na fase preliminar. O vencedor desta final qualifica-se para a European Golden League 2023.

Em 2021, a Selecção Nacional fez história na European Silver League ao apurar-se para a Final Four da prova depois de vencer a Pool B de qualificação – na cidade bósnia de Zenica –, com cinco vitórias e apenas um desaire: Estónia (3-2 e 3-1), Letónia (3-0 e 3-0) e Bósnia-Herzegovina (0-3 e 3-1), tendo sido esta última selecção a vencer a ESL 2021, enquanto Portugal foi 4.º classificado.

Jogos de Portugal na ESL 2022
Dia Hora local Jogo Competição Local
25.05.2022 21H00 Portugal x Estónia, 3-2 Silver League Centro Cultural V. Castelo
01.06.2022 18H00 Portugal x Eslovénia, 3-0 Silver League Centro Cultural V. Castelo
04.06.2022 15H00 Suécia x Portugal, 2-3 Silver League Lund (Suécia)
08.06.2022 21H00 Portugal x Luxemburgo, 3-0 Silver League Pav. Desp. Munic.  Santo Tirso
12.06.2022 17H00 Luxemburgo x Portugal, 0-3 Silver League Luxemburgo
15.06.2022 21H00 Portugal x Suécia, 2-3 Silver League Pav. Desp. Munic.  Santo Tirso
18.06.2022 19H30 Eslovénia x Portugal, 3-1 Silver League Maribor (Eslovénia)
26.06.2022 18H00 Estónia x Portugal, 1-3 Silver League Tartu (Estónia)
FINAL
02.07.2022 15h00 Suécia x Portugal Silver League Lund (Suécia)

Ver mais informações AQUI

Eurovolley 2023

Na Fase de Qualificação para o Campeonato da Europa 2023, a Selecção Nacional de Seniores Femininos vai defrontar, na Pool C, a Ucrânia, a Hungria – respectivamente 12.ª e 16.ª classificadas no EuroVolley 2021 – e o Chipre. Os jogos da fase de qualificação são disputados entre 15 de Agosto e 15 de Setembro de 2022.

Árbitros portugueses em acção no Indoor

Ricardo Ferreira
Campeonato da Europa de Sub-22 Masculinos – fase final, em Tarnow (Polónia), de  12 a 17 de Julho de 2022.
Espanha x Eslováquia, da Pool F da Fase de Qualificação para o Campeonato da Europa de Seniores Masculinos 2023, no dia 8 de Agosto de 2022.
Bélgica x Estónia, da Pool C da Fase de Qualificação para o Campeonato da Europa de Seniores Masculinos 2023, no dia 17 de Agosto de 2022.

José Caramez
Espanha x Hungria, da Pool F da Fase de Qualificação para o Campeonato da Europa de Seniores Masculinos 2023, no dia 21 de Agosto de 2022.

Raquel Portela
Campeonato da Europa de Sub-21 Femininos – fase final, em Cerignola e Andria (Itália), de  12 a 17 de Julho de 2022.

Nuno Maia
Espanha x Eslováquia, da Pool E da Fase de Qualificação para o Campeonato da Europa de Seniores Femininos 2023, no dia 24 de Agosto de 2022.

Pedro Pinto
Espanha x Letónia, da Pool E da Fase de Qualificação para o Campeonato da Europa de Seniores Femininos 2023, no dia 27 de Agosto de 2022.

Mais informações em www.cev.eu

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