08-ABRIL-2019
LOURENÇO MARTINS E O TEMPERAMENTO GUERREIRO:
“NUNCA LIDEI BEM COM A DERROTA”!

Lourenço Martins iniciou-se algo tardiamente na prática do Voleibol - aos 12 anos, no Leixões SC. Depois, seguiram-se o Castêlo da Maia GC, o Sporting CP e o SC Espinho.
Tem apenas 21 anos de idade, mas já começou a dar nas vistas nos palcos nacionais e internacionais pelo seu estilo de jogo, que mistura a velocidade de execução nas acções ofensivas com uma entrega sem limites nas acções defensivas.

Na altura em que foi chamado por Hugo Silva a representar a Selecção Nacional de Seniores Masculinos na Liga Mundial de 2016, este Zona 4 de 1,95 metros de altura e agora com 75 internacionalizações (45 nos seniores e 30 nas camadas de formação) não se sentiu atemorizado, antes entusiasmado, e é sempre com essa postura que enfrenta adversários mais experientes e cotados.

O que é que a Selecção Nacional poderá ambicionar no Europeu frente a adversários como a França, vice-campeã da VNL, a Itália e a Bulgária, para além da Grécia e da Roménia?
Penso que quando se trata de jogos desses, em que há claramente favoritos, não há jogos fáceis. A nossa Selecção já provou que não dá um só ponto por perdido e estou certo que vamos encarar todos os jogos como se do último se tratasse e deixar tudo dentro do campo.”

Já tinhas representado as selecções nacionais mais vezes, mas como viveste o apuramento para o EuroVolley 2019?
Foi o momento mais feliz da minha vida! Sabíamos que ia ser difícil, e que nada nos ia ser dado. Comprometemo-nos todos com um objectivo que tinha sido proposto no início da preparação e quando soubemos que tínhamos conseguido atingi-lo foi bom demais. Pessoalmente, considero que foi o momento mais feliz da minha ainda curta carreira”.

Houve quem dissesse que a geração do Mundial de 2002, Liga Mundial de 2005 e Liga Europeia de 2010 não teria tão cedo sucessores à altura, mas a vitória na Challenger Cup 2018 e o apuramento com o 1.º lugar da Pool D parece provar o contrário
Não nos preocupamos muito com isso. Nos dias de hoje, toda a gente gosta de dar a sua opinião, e é sempre mais fácil falar para derrubar do que para motivar, mas o nosso grupo sempre foi superior a isso. De certa forma, até serviu como motivação porque, apesar de não haver muitas individualidades, funcionamos todos muito bem como equipa e grupo, penso que esse é o nosso ponto forte”.

– Como viste o ano de 2018, com os registos das selecções de Sub-20 masculinos, de Seniores Masculinos e de Seniores Femininos (apuramento inédito para o Europeu)?
Julgo que foi o melhor ano, talvez mesmo de sempre, do Voleibol nacional, o que a nós, praticantes da modalidade, nos deixa bastante felizes por conseguirmos provar que, apesar do nosso país se ter «vendido» ao Futebol, o Voleibol também tem valor, quer na formação, quer no feminino quer no masculino”.

És conhecido por evidenciares em campo altos índices de adrenalina. O que é que te faz seres tão explosivo quando estás a competir?
Desde sempre que não lido bem com a derrota, seja em que ocasião for, seja entre amigos, adversários. Odeio perder e quando estou a competir faço de tudo para que isso não aconteça. Acho que é a razão pela qual festejo todos os pontos e acabo por ser bastante aguerrido”.

Jogadores que admiras? E porquê?
Jogadores nacionais, admiro alguns, com os quais já tive o prazer de partilhar o balneário. Entre eles, destaco o Alexandre Ferreira, que sem dúvida está entre os melhores jogadores do mundo, pelas suas capacidades físicas mas também pela sua frieza em momentos decisivos. O João Fidalgo, que me mostrou como deve ser um jogador profissional desde a postura nos treinos, no quotidiano e em campo. E o Miguel Maia, que ano após ano continua a surpreender tudo e todos e continua a ser, para mim, o passador mais imprevisível e mais dotado que já conheci”.

Quais são os teus pontos fortes/fracos, virtudes/defeitos?
Penso que o meu ponto forte é o facto de ser um jogador veloz e gostar de jogar sempre muito rápido, bem como ser bastante aguerrido. O principal defeito, a meu ver, é o facto de ser demasiado competitivo e por vezes não ter a cabeça fria, provavelmente consequência por ser ainda jovem”.

Como gostas de passar os tempos livres?
Quando estamos na Selecção, não costumamos ter assim muito tempo livre. Quando temos, acabamos todos por aproveitar para dormir e descansar ou jogar videojogos. No dia-a-dia, adoro ir à praia com o meu cão e passar tempo com os meus amigos”.

Como avalias até ao momento a «tua» época 2018/2019?
É talvez a época mais desafiante, uma vez que joguei quase todos os jogos e passei por momentos que até agora não tinha passado, mas que no geral fizeram de mim um jogador mais maduro e sobretudo mais confiante e com bastante vontade de crescer de dia para dia para poder representar Portugal ao mais alto nível”.

A Selecção Nacional vai disputar o Campeonato da Europa de Seniores Masculinos 2019, organizado simultaneamente por quatro países: França, Eslovénia, Bélgica e Holanda.
Portugal está inserido na Pool A, sediada na cidade gaulesa de Montpellier, juntamente com a Itália, número 3 do ranking mundial e 5.ª classificada nas últimas edições do Mundial e do Europeu, a França, vice-campeã da Liga das Nações de Voleibol (VNL) e a Bulgária, uma das mais fortes representantes da escola de Leste.
Completam o grupo de seis equipas as selecções da Grécia e da Roménia.

Horários dos jogos* (Horas locais - Sud France Arena, em Montpellier)

12.Set Quinta-feira
14h15 - BUL vs GRE
17h15 - POR vs ITA
20h45 - FRA vs ROU

13.Set Sexta-feira
17h15 - BUL vs ROU
20h45 - ITA vs GRE

14.Set Sábado
17h15 - GRE vs FRA
20h45 - BUL vs POR

15.Set Domingo
14h00 - ROU vs ITA
17h30 - POR vs FRA

16.Set Segunda-feira
17h15 - ROU vs GRE
20h45 - FRA vs BUL

17.Set Terça-feira
14h00 - GRE vs POR
19h30 - ITA vs BUL

18.Set Quarta-feira
14h00 - POR vs ROU
20h45 - FRA vs ITA
*horas previstas 

O Campeonato da Europa realiza-se de 12 a 29 de Setembro do ano corrente. Ver calendário

A Selecção Nacional de Seniores Masculinos apurou-se como 1.ª classificada da Pool D da Fase de Qualificação.

Os quatro primeiros classificados de cada pool qualificam-se para os oitavos-de-final, sendo que os apurados da Pool A irão defrontar os apurados da Pool C (A1 x C4, A2 x C3, A3 x C2 e A4 x C1), o mesmo se passando com os da B em relação aos da D.

Os jogos dos quartos-de-final serão distribuídos pelos quatro países organizadores, enquanto as meias-finais se disputam na Eslovénia (Ljubljana) e França (Paris) e o jogo de atribuição do 3.º e do 4.º classificados e a final serão realizadas na capital gaulesa.

As selecções estão divididas por 4 grupos de 6 equipas, sediados em França (Pool A), Bélgica (Pool B), Eslovénia (Pool C) e Holanda (Pool D).

Pool A – França (Montpellier, org.), Itália, Bulgária, Portugal, Grécia e Roménia.
Pool B – Bélgica (org.), Sérvia, Alemanha, Eslováquia, Espanha e Áustria
Pool C – Eslovénia (org.), Rússia, Finlândia, Turquia, Macedónia e Bielorrússia
Pool D – Holanda (org.), Polónia, República Checa, Estónia, Ucrânia e Montenegro

Pela primeira vez na história da competição, o EuroVolley contará com 24 selecções participantes, incluindo as que representam os quatro países anfitriões – França, Eslovénia, Bélgica e Holanda –, ou seja, oito apuradas pela classificação final do Europeu 2017, 12 da fase de qualificação e 4 organizadores.

Informações adicionais: www.cev.lu / eurovolley.cev.eu

 
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