22-MAIO-2020
NÉLSON PUGA FELIZ PELA
"EVOLUÇÃO POSITIVA" DO VOLEIBOL

Foto
Nélson Puga é um nome que não precisa de grandes
apresentações. Filho de Manuel Puga, figura grada do Desporto e da
Medicina, Nélson Filipe Romeu Puga Costa notabilizou-se como jogador de
Voleibol do FC Porto, clube através do qual conquistou mais de uma
mão-cheia de títulos de campeão nacional e ergueu a Taça de Portugal.
Foi o primeiro jogador a atingir as 100 internacionalizações pela
turma das quinas, tendo selado o seu contributo como jogador com
mais de centena e meia de representações internacionais.
Actualmente, com 60 anos, é um médico com créditos firmados, responsável
pelo Departamento Clínico das Selecções Nacionais de Voleibol e pelo
Departamento Médico da equipa de seniores masculinos de futebol do FC
Porto, o clube do seu coração.
– Acredita que estão reunidas as condições mínimas para ser
efectuado o regresso às competições? O que é imprescindível para que
isso aconteça?
“Sim, acredito que a curto/médio prazo haja condições para retomar
treinos e competições. O que é preciso é que seja apresentado um plano
de contingência com uma proposta de adaptação às novas realidades e que
esse plano seja debatido e aprovado pelo Governo e em particular pela
Direcção Geral de Saúde (DGS). As principais medidas deverão passar
pelas recomendações gerais relativas à protecção para esta pandemia. O
uso obrigatório de máscaras nos recintos fechados (com a excepção para
os atletas enquanto no desempenho da sua actividade), criação de regras
de distanciamento entre todos, implementação de normas mais rígidas de
desinfecção/higienização dos espaços, monitorização de temperatura e
sintomas à entrada dos recintos, implementação de mais medidas para
desinfecção/lavagens de mãos e colocação de dispensadores de álcool/gel
desinfectante por mais áreas e desligar o ar condicionado e
implementação de circulação de ar natural”.

– É o responsável máximo pelo Departamento Médico das Selecções
Nacionais de Voleibol e igualmente responsável pelo Dep. Médico do FC
Porto. Quais as maiores semelhanças / diferenças entre os riscos
inerentes à pratica do Futebol e do Voleibol no âmbito da pandemia de
Covid-19?
“Os riscos são semelhantes e baixos, em meu entender. Por um lado,
menores porque no Voleibol ainda existe menos contacto físico e, por
outro, ligeiramente maiores porque no pavilhão o Voleibol é praticado em
recintos fechados. Contudo, atendendo ao critério definido pela DGS para
contactos de risco com população infectada, poderemos considerar que os
contactos de risco nesta modalidade, tal como no futebol, são de baixo
risco porque apenas se verificam durante escassos segundos e na maioria
das vezes espaçados de mais de 1,5 metros de distância”.
– Enquanto profissional da saúde, que conselhos/mensagem daria
aos jogadores de Voleibol neste momento de desconfinamento?
“Que sigam as instruções de protecção da DGS, que possam servir como
exemplo de cumprimento e de dever cívico para a sociedade e que usem
sempre máscaras em recintos fechados/locais públicos, que mantenham
isolamento social e distanciamento com desconhecidos, que lavem ou
desinfectem as mãos com frequência e que promovam uma boa higienização
de todos os locais e superfícies onde habitem”.

Num passado ainda bem fresco, o Voleibol português esteve em evidência,
entre outros momentos, com a vitória na Challenger Cup e regresso à Liga
das Nações, com o apuramento para os Campeonatos Europeus de Seniores
masculinos e femininos e Sub-20 masculinos e o regresso do Sporting
(masculinos) e do FC Porto (femininos) ao Voleibol Indoor, bem como com
o regresso ao Circuito Mundial de Voleibol de Praia através do Espinho
Open.
– Como antigo internacional e uma das maiores figuras do FC
Porto na modalidade, quais são as suas impressões sobre o «percurso
evolutivo» do Voleibol e do Voleibol de Praia nos últimos anos?
“Vejo como uma progressão positiva na qualidade do Voleibol
praticado, do seu nível competitivo e do seu interesse social. A
modalidade está mais profissional, por isso com melhores desempenhos
desportivos, com mais visibilidade e mais impacto na sociedade. Fico
muito feliz por constatar que o Voleibol está a ter esta evolução tão
positiva!”
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