17-ABRIL-2020 DR.ª CLÁUDIA MELO:
“COVID-19 TROUXE UMA PARTILHA
DE MOMENTOS QUE SERIA IMPENSÁVEL”

"A paixão pelo Voleibol mantém-se”.
Cláudia Melo foi sempre uma pioneira. Foi a primeira
praticante de Gira-Volei a alcançar a Selecção Nacional de Seniores,
abrindo caminho a atletas como Alexandre Ferreira, capitão da Selecção
Nacional de Seniores Masculinos, ou mais recentemente Afonso Reis
(distribuidor) e Manuel Meirinho, atletas de clubes
da I Divisão e que são chamados regularmente à Selecção Principal.
Agora, enquanto profissional de saúde, continua a ocupar a linha da
frente, aplaudindo as medidas adoptadas pelos portugueses face a um
problema de dimensões mundiais.
– Enquanto profissional de saúde, como vês a situação que se
vive em Portugal, relativamente a outros países afectados pela pandemia
de Covid-19?
“Sou médica interna do 4.º e último ano da especialidade de Medicina
Geral e Familiar num Centro de Saúde em Tarouca. Isto significa, no
contexto da luta actual à Covid-19 que, na grande maioria das tarefas,
já tenho total autonomia. Actualmente estou a dar apoio numa área
dedicada à Covid-19 em Moimenta da Beira, distrito de Viseu.
Portugal foi, de facto, dos países que mais precocemente tomou medidas
preventivas e tudo indica que isso está a fazer toda a diferença na
forma como o vírus afectou e afecta o nosso País. No entanto, é muito
importante não baixarmos as armas e mantermos todas as medidas de
isolamento social e de higiene das mãos (entre outras) que foram
recomendadas pela Direcção-Geral de Saúde (DGS) até ao fim.
Infelizmente, tudo indica que esta batalha está
longe de acabar, especialmente quando consideramos o panorama mundial.
A evolução da pandemia nos outros países, especialmente nos nossos
vizinhos aqui da Europa, poderá também ter um enorme impacto na forma
como a vida no nosso País vai regressando à “normalidade”. Todos estes
são factores que teremos de ir reavaliando ao longo dos próximos meses e
que, a mim pessoalmente, me deixam apreensiva perante todo este quadro.
No entanto, quando temos em conta o panorama mundial, tudo indica que a
evolução em Portugal está a ser muito favorável nesta luta contra o
vírus”.
– O que mais te tem marcado como profissional de saúde?
“Aquilo que mais me tem marcado tem sido toda a solidariedade para
com os profissionais de saúde e toda a procura/preocupação em ajudar as
equipas que estão na primeira linha. Isto sim, está a marcar esta fase
para mim, e é algo que me deixa pessoalmente muito sensibilizada”.
– Que mensagem podes dar às pessoas, neste momento?
“A mensagem, nesta fase, é sempre a mesma: “Respeite as
recomendações da DGS”, uma vez que isto ainda está longe de acabar.
Vamos ter de manter as medidas de isolamento. Vamos ter de manter todos
os cuidados. Tenho ficado com a sensação que muitas pessoas estarão a
ficar mais relaxadas com toda esta situação, tenho visto mais pessoas na
rua do que gostaria e admito que isso me está a deixar apreensiva”.
– Achas que este momento negativo trouxe alguns aspectos
positivos?
“Sem dúvida que trouxe aspetos positivos, não só a solidariedade que
falei
anteriormente, mas também o descobrir de um «novo mundo» em casa. Este
momento negativo trouxe toda uma partilha de momentos que com a correria
do dia-a-dia normal seria impensável, não só no seio familiar mas também
com os nossos vizinhos.
A diminuição da poluição, com a redução no tráfego rodoviário, também é
outro ponto bastante positivo que se verificou em todo o planeta”.

“O Voleibol foi e sempre será uma paixão”
– Ainda segues o Voleibol? O que é que te marcou mais como
praticante?
“Sigo com regularidade os campeonatos de Portugal e do Brasil, na
verdade, os meus tempos livres são passados a ver jogos de Voleibol. A
paixão pelo Voleibol mantém-se.
Como praticante marcou-me mais o momento em que eu e a Luísa Paiva fomos
viver para o Porto com 16 anos, em 2006. Foi um ano de muitas mudanças,
mas que valeu todo o esforço. Voltaria a abdicar do conforto da minha
casa em Lamego para praticar Voleibol a nível federado (na altura não
tínhamos essa possibilidade em Lamego). Foi e sempre será uma paixão”.

Fotos: Cláudia Melo
– Começaste no Gira-Volei e chegaste à Selecção Nacional. Que
mensagem podes dar aos futuros atletas de Voleibol que agora praticam
Gira-Volei, se bem que confinados a casa?
“Comecei a dar os primeiros passos no Voleibol no desporto escolar e
no Gira-Volei. O Gira-Volei tem, para mim, algumas vantagens
relativamente ao Voleibol de pavilhão, como, por exemplo, o número
reduzido de pessoas necessário para fazer um jogo e o contacto mais
frequente com a bola. Para quem está confinado a casa, facilmente pode
pegar numa bola e jogar contra a parede. Pessoalmente, admito que fiz
isso muitas vezes, quando todos estavam cansados de jogar e eu ainda
queria dar uns toques”.
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